terça-feira, 13 de junho de 2017

A estreia de Fábio Castilhos no Setor 1

A primeira das muitas novidades que o Setor 1 irá apresentar neste período pós-aniversário é um nome de peso que passa a ser colunista de nosso site, Fábio Castilhos. Campeão e multipremiado pelo enredo de Imperadores do Samba escrito com o parceiro Edy Dutra, Fábio estará toda semana aqui no seu diário virtual de notícias carnavalescas.

Fábio Castilhos é professor de Língua Portuguesa e Redação, doutor em Linguística Aplicada, amante da arte de escrever. Começou a se envolver com carnaval, conscientemente, pela União da Vila do IAPI, e já esteve envolvido com Acadêmicos de Gravataí e Império da Zona Norte. Contudo, seu coração pertence aos Imperadores do Samba. Compôs alguns sambas, e hoje prefere envolver-se mais na escrita e na organização do enredo. Como ele mesmo acredita, a manifestação maior de um povo está na sua concepção expressa de cultura. 

Amor de Carnaval

É mês dos namorados. Então, vamos amar. Celebrar o amor em todas as suas formas e facetas, em seus bombons e flores, em corações que bailam pelo ar. O próprio carnaval já o fez diversas vezes ao longo dos anos, e por diferentes prismas pode levar às passarelas do país um misto de história e reverência.

Tanto no eixo Rio-São Paulo, quanto em Porto Alegre, cantar palavras de amor e seus símbolos levou para desfiles momentos de reverência ao sentimento espalhado por cupido. Desde o coração, “cenário de paixões de enamorados ao luar”, cantado pela Mocidade Alegre, até as rosas lembradas por Estácio de Sá, no cortejo dos apaixonados, falar de amor deixou de ser clichê de cinema para ser compreendido como uma necessidade do samba. Os símbolos do amor foram referenciados em casais apaixonados, em rosas perfumadas, em versos que evocavam as emoções e os cenários da paixão: seja no singelo convite para ir ao cinema, seja no luar que inspira os apaixonados. A representação grega do cupido também mostra o quão angelical e abençoado pode ser o amor.

Da mesma forma, o cupido deixou marcas em Porto Alegre. Ao cantar “a história do Amor”, Império da Zona Norte fez o samba pulsar corações. Aprendeu-se a amar. E quando um homem ama uma mulher, histórias de amor acontecem e pairam pelo ar. Importantes personagens, reais ou imaginados, surgiram no mundo e encantaram ainda mais os corações. Pierrots e Colombinas fizeram par e lembraram outros amores: o amor sem fim do Taj Mahal e o amor trágico de Romeu e Julieta. Aprendeu-se o Amor.

Império da Zona Norte cantou o amor em 2010 - Foto PMPA

Os mais diversos presentes declaram nosso sentimento. A cultura romântica considera o chocolate um afrodisíaco, pois geram prazer em seu consumo. Os bichos de pelúcia, talvez pela sua inocência, podem traduzir nossa vontade de estarmos próximos. E as rosas demonstram nosso carinho e afeto. No entanto, nada como selar a união com uma vistosa joia, seja de ouro, seja de diamantes. O Amor mexe com a cabeça, alucina, e a pessoa faz rima e levanta a voz para cantar, para gritar a todos o quanto ama. Mais importante que amar e amado ser é poder dizer que ama. Em livros e poemas, em serenatas e bombons, é preciso dizer que amamos. Seja no soneto de amor mais conhecido do português Luis Vaz de Camões, seja nos sambas que animam nossas festas e nos inspiram a dançar com o ser amado.

Amor de Carnaval. Amor pelo Carnaval. Amor durante o Carnaval. A paixão que nos inebria e nos seduz leva nossa razão para longe apenas para termos o carinho, o toque, o beijo. O 12 de junho, o 13 de Santo Antônio, pode ser em setembro, novembro ou fevereiro. Afinal, não é preciso estar namorando para se demonstrar carinho e se espalhar o amor.