terça-feira, 28 de março de 2017

Vila Isabel vai recorrer na justiça o prejuízo financeiro por não ter desfilado


“Estava tudo pronto! Pegou fogo. Às pressas, tudo é reconstruído novamente. Chega o dia do desfile, comunidade toda presente, mas o carnaval é cancelado.”

Mesmo com a crise e a falta de repasse financeiro por parte da prefeitura de Porto Alegre, a escola estava pronta para se apresentar e lutar para voltar ao grupo de elite do carnaval (chamada de Série Ouro). Na última quarta-feira (22), um incêndio causado pelas fagulhas das soldas destruiu o carro abre-alas, principal alegoria da escola. Com a união da comunidade, o carro foi refeito e, segundo o presidente Cléber Tavares, estava "tão bonito ou mais do que o anterior".

Mas a onda de más notícias não havia terminado. No final da tarde do grande dia, sexta-feira (24), o Complexo do Porto Seco é interditado pelos bombeiros da Capital e o carnaval da Série Prata é cancelado. O motivo foi o descumprimento do Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI). 

Como a escola era a segunda a desfilar na noite, todos os componentes já estavam presentes, devidamente preparados com suas fantasias.

Além de um prejuízo financeiro, foi um enorme prejuízo emocional. Fomos muito humilhados, foi triste ver os componentes chorando: pessoal da velha guarda, crianças, destaques, ala das baianas. Os carnavalescos foram impedidos de entrar em um lugar que é deles. Isso foi uma irresponsabilidade, falta de compromisso com as pessoas que se dedicaram a fazer o carnaval da Vila Isabel e não tiveram nem o desfile como recompensa. O que ganhamos nesse ano foram apenas dívidas --- diz Cléber.

Ainda na sexta-feira, cogitou-se a possibilidade de o desfile da Série Prata ser transferido para o domingo (26), o que não se confirmou devido ao alto custo da operação.

Seria inviável pois a pista de eventos foi desmontada já no domingo, além disso, teria a indisponibilidade dos serviços públicos e os altos custos para as escolas com ônibus, locações de geradores, iluminação, segurança, deslocamento das alas e outros serviços para produção do desfile.
O prejuízo financeiro ainda não foi calculado. Nos próximos dias será debatido pela diretoria da escola as formas cabíveis de se buscar um ressarcimento.

Nós vamos buscar os nossos direitos na justiça. Ninguém aqui queria ter descumprido regra. Elas foram feitas para serem seguidas. Mas, fomos lesados gravemente e a culpa não foi nossa.

Cléber acredita que todas as escolas da Série Prata deveriam passar a integrar a Série Ouro, criando-se um grande grupo.

Acho que como recompensa deveriam subir todas as escolas e não ter rebaixamento. É o justo a ser feito. Já que o carnaval vai passar a ser uma festa particular e não contará mais com recursos públicos, acho que podemos fazer as nossas próprias regras.  


Texto: Reprodução/Diário de Viamão