quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Só a chave?

Foto: Elias Costa/Gaúcha no Carnaval

Por Israel Ávila


O que era pra ser um encontro de comemorações e alegrias fez com que os carnavalescos presentes no evento de abertura oficial do carnaval 2017 saíssem com mais dúvidas e muito mais apreensão.

A cerimonia marcada para acontecer na escadaria em frente ao Paço Municipal foi realizada no saguão da entrada da prefeitura, isso por que no paço estavam alguns manifestantes, que hora lutavam pelo seu ideal, e hora aproveitavam para exclamar palavras contra o carnaval. Todos observados por policiais dos mais diferentes poderes que garantiam a segurança dos que estavam do lado de dentro e que até então, tinha motivos para comemorar.

Há uma semana, houve a garantia por parte do prefeito Nelson Marchezan Junior e do secretário de cultura Luciano Alabarse de que, no ato de passagem da chave da cidade ao rei momo haveria a divulgação dos nomes dos patrocinadores (falou-se em 12) que custeariam as despesas do carnaval 2017, uma vez que o prefeito ao assumir a prefeitura disse em diversas entrevistas que o carnaval, deveria ser feito através da iniciativa privada e não mais contar com os recursos públicos.

Uma força tarefa foi montada com representantes do carnaval e autoridades para juntos irem busca destes patrocínios. Na terça feira passada (14), um almoço foi oferecido aos dirigentes para tranquiliza-los, e neste almoço afirmou-se que nesta terça (21) seriam divulgados os patrocinadores e marcas que garantiriam o desfile de carnaval no Porto Seco em 2017, o que não aconteceu.

Após apresentações dos pavilhões de diversas escolas, da bateria que mesclava Imperadores do Samba e Estado Maior da Restinga e do canto dos intérpretes Viny Machado e Renan Ludwig, as autoridades foram fazendo seus pronunciamentos.

O presidente da LIESPA Juarez Gutierres de Souza exclamou a necessidade de realizar um carnaval digno dos carnavalescos e foliões, e que a luta era diária para que isso acontecesse.

O prefeito Nelson Marchezan Junior disse que Porto Alegre não teria um carnaval, e sim dois, fazendo alusão ao carnaval de blocos que ocorre pelas ruas da cidade baixa, bem diferente do nosso e sem nenhum representante no local.

O banho de água fria veio por parte do secretário de Cultura Luciano Alabarse, que disse que, embora sabia que as expectativas fossem pela divulgação dos nome dos patrocinadores, ele não iria divulga-los antes da assinatura dos contratos formais. Isso também serve para a possível rede de televisão que estaria dada como quase certa para transmissão do carnaval.

O rosto dos dirigentes presentes no evento dizia o que a boca não poderia dizer: há sim motivos para temer uma possível mudança nos planos feitos até agora. Apenas um mês nos separam das datas oficias do carnaval de Porto Alegre marcado para ter inicio no dia 23 de Março. Enquanto o tempo diminui, o rio de incertezas aumenta, e da prefeitura hoje só quem saiu com algo concreto foi o Rei Momo Maurício Melo: UMA CHAVE.