segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A saudade nos olhos de Nair...


Por Israel Ávila

Ontem enquanto apresentava o evento do time Loira Gelada, na quadra da Protegidos da Princesa Isabel presenciei um fato que, confesso, me emocionou.

Quem já foi a Protegidos sabe, ou pelo menos já ouviu falar em Nair Flores. Ela é viúva do saudoso Sabastião Antônio Flores, o Tião ou Bras, fundador da Protegidos da Princesa Isabel.

Desfrutando saúde aos mais de 80 anos, Tia Nair, como é conhecida, aprecia a todos os eventos realizados na quadra da tricolor de Novo Hamburgo, forma de indiretamente participar das atividades da escola, que certamente lhe trazem boas lembranças.

Mas voltando a festa, durante a roda de samba, dezenas de pessoas se divertiam e a mesa onde geralmente a matriarca da Protegidos fica estava meio afastada. Foi quando o Projeto “Elas estão no controle” (formado somente por mulheres) deu sua canja na roda de samba e fez Tia Nair levantar-se da mesa e chegar mais perto, e isso por dois motivos:

O primeiro deles a música: “Não deixe o Samba Morrer” – Canção épica para qualquer sambista, e que embalou os últimos momentos de seu esposo, e Pai da Protegidos antes de ser enterrado, e isso a pedido do próprio Sebastião.

O segundo motivo era uma das integrantes da roda de samba, Vitória Flores, sua neta e filha do presidente da escola, que tocava pandeiro enquanto era apreciada silenciosamente pela avó.

No olhar marejado de Tia Nair certamente lembranças emocionantes e impossíveis de descrever em um texto. Naquela ocasião sua filha mais querida A PROTEGIDOS também fazia aniversário, e dos 47 anos completados, todos ela participou ativamente e ininterruptamente.

Vi nos olhos de Tia Nair a alegria em presenciar aquele momento, e vi também a saudade de pessoas que não estão mais por ali, como diz a música de Elis Regina: "Tanta gente que partiu, num rabo de foguete..."

Ao terminar a canção, deu um sorriso e aplaudiu! Baixou a cabeça e retornou a sua mesa, silenciosamente.

Nestes 47 anos da escola ela mostrou, em diversas situações, que tem o poder de se reerguer e se reinventar. A Protegidos já esteve nos maiores e nos menos grupos do carnaval de Porto Alegre e região, e indiferente disso, merece todo o respeito pela contribuição que deu até hoje para a cultura popular do Rio Grande do Sul.

Além da saudade nos olhos de Nair, vejamos também a esperança, a vitalidade e a alegria que ela demostra em cada abraço a uma nova visita na quadra. E que possamos estar Protegidos por muitos outros 47 anos...

Parabéns Protegidos!