quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Ritmista: o número 1 de uma escola de samba!


Por Israel Ávila

Parafraseando as Olimpíadas, os ritmistas de escolas de samba são os verdadeiros “Medalhas de Ouro”, ou carnavalizando, Estandartes de Ouro (mesmo não tendo direito a um individual).

São eles que chegam primeiro, afinal, são os primeiros a começarem a tocar, e enquanto todo mundo não sai, eles também não podem sair. Driblam dificuldades para o trabalho sem remuneração, saltam no mar da falta de reconhecimento por amor a causa, lutam para ter instrumentos de qualidade para realizar um bom trabalho e fazem ginástica com o que tem até chegarem na avenida.  Nossos ritmistas são Olímpicos!

Tenho certeza de que mais de 95% de nossos “batuqueiros” (sei que muitos não gostam de ser chamados assim) trabalham sem remuneração, se quer para o transporte, única e exclusivamente por amar ao ritmo. Outros tantos, vão direto do trabalho para as quadras, pois como já disse: eles tem de ser os primeiros a chegar, para organizar os instrumentos e deixar tudo em condições para a hora do show.

Antes do inicio do ensaio, aquele esquenta, que vale quase o mesmo que o próprio ensaio. Passam as bossas, afinam os detalhes do ritmo e escorre com o suor a satisfação de estar ali.

É hora do grupo show entrar? Lá vão eles de novo! Mais uma ou duas horas ininterruptas de um som que contagia qualquer amante do carnaval. Depois disso: guardar os instrumentos, baquetas e retornar pra casa, muitas vezes na madrugada, para dali algumas horas ir trabalhar.

O ritmo do samba através das batidas do coração, atrelado ao ritmo intenso dos tamborins, repiques e surdos fazem da vida de um ritmista um enredo bonito a se exaltar e se passar adiante.

De nada adiantaria o trabalho da comissão de frente, alas, mestre sala e porta bandeira, coordenação, destaques e passistas, se não estivessem ali quem desse “movimento sonoro” a seu trabalho.

Quando eles passam pelas arquibancadas é o momento em que ela mais se agita. O pulo frenético de cada folião é como se fosse combustível para àquelas horas de desfile, funciona como a marcação de um surdo, e a cada batida, uma nova emoção.

Embora as palavras do texto acima incentivem nossos ritmistas a serem tratados como majestade, a realidade nas quadras às vezes é um pouco diferente. O investimento financeiro e incentivo às baterias é cada vez menor, e assim não se cria novos batuqueiros, e pela falta de valorização se perde os que têm.

É preciso olhar para frente e ter o discernimento da importância de cada setor, e a ele dar o devido valor. Fomentar a criação de oficinas para que tenhamos novas pessoas interessas em “fazer ritmo”, e tratar os que executam a pratica com o devido respeito.

Na falta de um cachê, um lanche ao fim do ensaio. Na falta de um lanche, uma água... na falta da água um muito obrigado. Valorizar não é difícil, é uma prática de fácil realização que faz toda a diferença.

Salve nossa majestade a Bateria! Salve a quem faz ela existir... obrigado a todos os ritmistas por embalar o sonho de cada carnavalesco na mais perfeita sintonia musical!