terça-feira, 23 de agosto de 2016

Que presidente sua escola de samba têm?


Por Israel Ávila


Ao longo de todo o processo de evolução do país mais e mais ouvimos falar casos de corrupção. Presidentes, deputados, senadores, vereadores, assessores... todos sedentos por ganhar dinheiro fácil, sem precisar trabalhar muito, e o que é pior... dinheiro público, do povo.

Esta é uma realidade não generalizada, uma vez que temos políticos corretos, embora estejam ficando cada vez mais raros.

São muitos os casos de corrupção envolvendo o carnaval de todo o país. Alguns levados a grande mídia e outros mantidos silenciosamente em segredo, tendo como testemunha apenas os barracões de escolas de samba, e as quadras de ensaio. Muito do dinheiro que deveria ser investido na cultura popular: fantasias, alegorias e melhorias nas quadras, são investidos de forma incorreta e para o uso particular.

Tem ainda os que gostam de brincar de Deus: que afugentam a comunidade com casos de mudanças repentinas em seu grupo de trabalho que vão contra a opinião da comunidade. A falta de valorização dos apaixonados pela entidade e, muitas vezes, atitudes incoerentes que põem em risco a tradição e o prestígio de uma escola de samba. Não, há culpa de tudo não é do presidente, mas é dele a responsabilidade de cercar-se de pessoas que não lhe deixem com “a culpa de nada”! 

No Rio de Janeiro, por exemplo, muitas das escolas tem presidentes “laranjas”, como são chamas aos que emprestam apenas o nome para que outros administrem a “empresa escola de samba”. Aqui mesmo na região já tivemos de algumas escolas que usufruíram desta prática, usando a assinatura de um, com os “mandamentos” de outro.

Outro fato que entristece são escolas que lutam apenas para se manter no grupo em que estão. Isso porque dirigentes preferem manter-se em uma colocação não tão boa, mas ter algo para usufruir no final, até por que, para ganhar carnaval é preciso investir... e para investir é preciso gastar o dinheiro! Sabe-se também que algumas entidades do carnaval ainda não apresentaram a prestação de conta do carnaval 2016, e por isso, põem em risco a realização do trabalho em 2017.

Conheço presidentes de escolas do interior que chamam destaques da capital para seus desfiles e os deixam sem ter como voltar para suas cidades. Ritmistas que tem de fazer “vaquinha” para pagar o ônibus contratado pelo presidente daquela cidade, escolas de Porto Alegre que perdem material, instrumentos querendo ajudar as do interior que acabam não devolvendo ou pagando este material, mestre sala e porta bandeira que desfilam somente em respeito as comunidades e intérpretes que cantam apenas com o intuito de alegrar o publico, que geralmente, nada tem a ver com a má administração de suas agremiações. Tudo isso reflexo de uma má gestão.

No carnaval de Porto Alegre, assim como no interior, temos escolas fantasmas, que não ensaiam, não fomentam eventos para geração de renda, mas quando chega o carnaval estão lá: para além de reproduzir alegria, para as arquibancadas nem sempre lotadas, garantir o seu tão esperado cachê! 

No geral quem fala sobre dívidas é censurado e congelado na geladeira do carnaval. Afinal, ninguém quer ou gosta de contratar alguém que fale as verdades que doem no ouvido dos maus pagadores. Já que como diz o ditado, uma maçã pode estragar todo o resto, e assim, mais gente se por a falar e cobrar.

Tem ainda presidente do interior que não oportuniza espaço para as pessoas de suas cidades ou comunidades e querem levar destaques e intérpretes de nome, para impressionar o júri: o resultado é que além de não dar valor aos que são seus, não pagam os de fora. Claro que este texto não quer generalizar a “classe presidente”, uma vez que não é a maioria que usa destas praticas.

Temos sim dirigentes capacitados e que dão a vida e até do bolso pela própria escola. Que usam as práticas legais para obter um resultado justo e coerente com as condições de sua agremiação. Que respeitam os destaques como seres humanos, e não os tratam como mercadoria.

Faça você uma reflexão: A única forma de exterminar a corrupção do país é votando corretamente. Não esqueça que nossos políticos é você quem escolhe. Faça isso também na sua escola de samba do coração. Associe-se, tenha direito ao voto, COBRE ELEIÇÕES REGULARES, e a escolher o seu dirigente... Pare um pouco o que está fazendo e faça uma avaliação silenciosa dos últimos 10 carnavais de sua escola e responda, também silenciosamente, que presidente você tem?