sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Enquanto isso, MÚSICA para os meus ouvidos


Olá Setoristas, tudo bem?

Hoje vou abordar um tema delicado. A profissão de “músico” e a falta de reconhecimento.

Meses atrás, após expor uma opinião sobre política em meu perfil do Facebook, uma “amiga” (hoje já excluída), contrária à minha opinião, depois de vários comentários rebatidos por mim na hora no post me perguntou: “ Tá, mas vem cá... tu é só músico, ou tu trabalha?”.

Fiquei alguns segundos sem saber o que responder. Quero dizer... Sem saber se respondia “com ou sem educação”.

Pensei...

Será que ela está querendo dizer que um músico não pode ter discernimento para opinar sobre política?

Será que ela acha que “ser músico” não é ter uma profissão?

Entramos no debate, e em uma das respostas ela (dizendo ser dona de 1 ou 2 salões de beleza), soltou outra: “ Porque eu gero emprego, tenho funcionários... e tu?”

Como achei desnecessário, não quis informá-la que há mais de 10 anos sou funcionário público, concursado, etc, etc e tal. Não era essa a questão. O que eu queria mesmo era ver até onde ia o preconceito dela com um músico, que segundo ela, não gera emprego, nem influencia no “sucesso da economia” da sociedade como um todo, e talvez por isso; na opinião dela; não tem o direito de se pronunciar sobre o que acontece na política do país ou nem tenha inteligência para tal. Até porque antes desses 10 anos, eu vivi única e exclusivamente da minha música por outros 10 anos, tocando no Sambastral. E vivendo bem graças à Deus, financeiramente falando.

Talvez a tal fulana não sabe que ser músico, principalmente sambista, nesse estado preconceituoso (cheio de gente como ela), não é nada fácil. Somos guerreiros!

Imagem: rreprodução/web

Músico ensaia sozinho, ensaia em grupos, se estressa como em qualquer outra profissão, ouve desaforos de contratante, toma calote de produtores, se expõe muitas vezes ao perigo de estar transitando nessas noites violentas de hoje em dia, recebe quase sempre um cachê abaixo do que realmente merece, se priva de muitos momentos com a família para estar pelos palcos da vida, etc...
E que também geramos renda!!!! 

Ou ela não sabe que nos lugares onde tocamos há garçons, há bilheteiros, há cuidadores de carros, há seguranças, há técnicos de som, há ajudantes de palco, há o comércio de bebidas, há cozinheiros, há a oportunidade de serviço para taxistas, motoristas de vans (que geralmente carregam as bandas pra lá e pra cá), enfim... uma logística imensa, gerando muuuuitos empregos. E nem falo dos estúdios que vivem dos ensaios, gravações, etc. Fora também o prazer que um músico proporciona a quem vai ouví-lo. E nisso nem podemos estimar um valor. Pessoas se conhecem ao som de nossas músicas, casais se apaixonam, histórias se iniciam (e às vezes também terminam, rsrsrs), etc...

Gente, eu achava que já não existia mais esse tipo de preconceito, pensamento mesquinho, uma soberba idiota!

Mas... eis que veio a surpresa!

No álbum de fotos de tal senhorita, ela aparece em algumas fotos, sorridente e pendurada no pescoço de alguns músicos. Sabe aquelas fotos de fim de noite, depois do show, na passada? Que se tira pra dizer pros outros... “Olhem, eu sou amiga do artista tal”, tipo pegar carona na visibilidade de outra pessoa pra aparecer também, o famoso “papagaio de pirata”.

Pensei...

Ué..., mas pra isso servem os “inúteis” que não têm direito à opinião sobre esse ou outro assunto? Os “pouco inteligentes” que não geram renda. Os “SEM-PROFISSÃO”????

Imagem: reprodução/web

Foi o fim do debate, com a maior educação (e só eu sei que minha vontade era outra, rsrs)... Apenas a excluí.  Não valia mais a pena discutir com uma pessoa tão fútil.

Valorizemos A PROFISSÃO DE MÚSICO, e respeitemos como devemos respeitar qualquer outra profissão.

Aos meus parceiros músicos: Precisamos nos valorizar mais também, nos unir mais, exigir direitos e não aceitar mais esse tipo de tratamento!

Para a tal senhorita, fica a dica: “Uma cirurgia bariátrica serve para se obter uma melhora de saúde e condição de vida. E aí realmente é muito válida. Pena que a mesma cirurgia não conserta a falta de beleza interior de uma pessoa. Se ela é feia por dentro vai continuar sendo feia, porque aí o problema está na CABEÇA”, e não há bariátrica nem procedimento estético algum que dê jeito! 
Abraço Astral em geral e eu... Fuuuuuuuuuuui !!!