quinta-feira, 28 de julho de 2016

Carnaval de Porto Alegre: Nunca estivemos tão próximos do fim...

Uma cultura que pode estar indo pelo ralo - Foto reprodução

Texto: Israel Ávila 

Temas lançados, baterias ensaiando, festivais prestes a começar e alguns dos barracões já trabalham na limpeza de suas alegorias para os trabalhos se iniciarem. Tudo fluindo perfeitamente na folia de Porto Alegre.

Exceto um “pequeno grande detalhe”: informações extraoficiais dão conta de que a secretaria de cultura ainda não assinou o convênio, que encaminhado a Secretaria da Fazenda, libera a verba destinada ao carnaval 2017 de Porto Alegre.

A assinatura do documento tem um tempo hábil para acontecer, e caso não ocorra, poderia por em risco a qualidade, ou mesmo a realização do carnaval na capital gaúcha.

Os problemas financeiros da festa de momo assombram o Complexo Cultural do Porto Seco, isso desde o desfile das campeãs. As grandes vencedoras do carnaval ainda não receberam seus respectivos prêmios, o que certamente ajudaria para dar o pontapé inicial no trabalha para 2017.

Tudo isso, dado em um ano eleitoral pode se agravar ainda mais, caso haja a troca de governo, e também a troca de interesses em nossa já desacreditada cultura.

A estagnação dos barracões se dá porque, boa parte das escolas de samba, esperam apenas pelo subsidio dado pelo poder público para realizar seu trabalho, exceto escolas que vão optar por temas patrocinados, estas por sua vez tem ai, uma pequena mas importante garantia de ajuda de custo.

Os problemas do carnaval vão além dos cifrões. Já passamos do meio do ano, e existem escolas e barracões lacrados, que se quer foram abertos para uma necessária limpeza e reciclagem de material.

A grande mídia também é cruel ao noticiar fatos isolados ocorridos em escolas de samba, que tentam a caro custo, locar seus espaços para festas privadas. Tudo sobrecarrega os cansados ombros do carnaval.

É de se pensar o exemplo de Florianópolis, em Santa Catarina, que optou por não realizar seus desfiles em um ano para fazer aquela “faxina na casa”, revirar gavetas, encontrar e solucionar erros, para ai sim voltar mais forte, com novas ideias vindas de novas cabeças. Participar de debates nacionais, e até internacionais, belas palavras e belos discursos funcionam muito bem na teoria, mas e a prática?

Não nos cabe noticiar aqui somente o mundo cor de rosa pintado pelos dirigentes. É preciso sim, que a massa carnavalesca e amantes do samba saibam, comentem e principalmente FISCALIZEM o que realmente está acontecendo com o carnaval de Porto Alegre. Só assim teremos chance de repassar a cultura que tanto amamos para nossas futuras gerações... caso contrário, nos restará mostrar fotos e recortes de jornais de lindos carnavais que um dia tivemos, e que estamos bem perto de não termos mais...