quinta-feira, 30 de junho de 2016

Renan Oliveira: “Sou o verdadeiro filho fiel á Estação Primeira!”


Com a saída do mestre sala Raphael, a Estação Primeira de Mangueira resolveu valorizar a prata da casa e conduzir Matheus Olivério ao primeiro pavilhão mangueirense, para bailar ao lado de Squel, sua sobrinha.
Com isso, o posto de segundo guardião do pavilhão verde e rosa ficou vago, e mais uma vez, a Mangueira buscou dentro da própria casa o talento para substituir Matheus.
Trata-se de Renan, que tem uma história linda dentro da atual campeã do carnaval carioca...


O COMEÇO DE TUDO

Ainda na ala das crianças da Mangueira
"Fui levado à escola por minha tia, que era do departamento feminino, no ano de 1999. Até 2001 fui da ala das crianças e depois disso entrei para o projeto Mangueira do amanhã, como passista. Às vezes, minha tia não podia me levar aos ensaios por conta de outros compromissos, então, eu posava na casa da Dona Neuma, acolhido por tia Cici, diretora da ala das Crianças. Devo muito à ela e a casa dela. Em 2005 surgiu a oportunidade e então deixei de desfilar na escola mirim e passei à desfilar na "Mangueira mãe". Em 2007 entrei para o grupo show, e em 2009 me tornei destaque da escola e assim permaneci por 4 anos." - Conta Renan, que se tornou o 1º passista da escola. 

Renan acumula vários prêmios ao longo de sua carreira como passista e assim a ala arrebatou dois Estandartes de Ouro consecutivos.


A ADMIRAÇÃO POR PESSOAS DO CARNAVAL

Renan diz ter admiração por várias pessoas de setores distintos dentro da folia. Na arte de MS e PB, admira: Birinha da Mangueira, Marquinho, Matheus Olivério e sua grande inspiração, mestre Delegado, que ele diz ser o maior MS de todos os tempos. Fora da nobre arte, tem grande admiração por Roméro,  Índio da Mangueira, Cleiton Marques e Luiz Felipe, frandes passistas do carnaval carioca. 

Questionado sobre o que para ele é ser Mangueira, o mesmo responde:

" - É complicado definir com palavras, já li textos para tentar expressar, mas é inenarrável. Só de pensar fico todo arrepiado, meu sonho de infância sempre foi mostrar para o Mundo minha escola, mostrar à todos o que é ser Mangueira. O carnaval hoje em dia está muito comercial, e na Mangueira é diferente, todos os casais de MS e PB são verde e rosa de coração, quando o pavilhão é erguido, é erguido com amor, não como um Teatro. Ser Mangueira é ser feliz, é não precisar ir para qualquer outra agremiação, pois ela completa e opta por sua raiz, seu caule e seus frutos,  e não por quem se pendura em seus galhos. É ser filho da mãe mais forte do bairro, do Estado, do Brasil e do Mundo. Sou o verdadeiro filho fiél da Estação Primeira! Você respeita as outras escolas pela educação que sua mãe lhe deu, mas não teme à ninguém."


O Beija flor das estradas...

Dos pés, além do talento incontestável da dança Renan traz outra profissão, a de motorista, onde pisa forte nas estradas. Com as mesmas mãos que hoje corteja e protege o pavilhão verde e rosa ele “corteja” os turistas pelos mais lindos locais do Rio de Janeiro, outra grande paixão do nobre beija flor.

Junto a um amigo administra a empresa Girão Executive, uma das mais especializadas em transporte comercial e turístico particular, e é claro, apresentar o tão visitado Morro da Mangueira aos turistas agora tem um valor todo especial. Fora isso nas horas de lazer a dedicação é total a família, onde encontra seu “porto seguro e tranquilo” na vida agitada que leva.  


Todo mundo te conhece ao longe... 

Pra finalizar, emocionado, ele fala que a Mangueira deu uma das melhores oportunidades de sua vida, e faz seus agradecimentos pessoais:

“ - Agradeço à todos que sempre me apoiaram... Minha mãe, minha esposa, minha filha, enfim, toda minha família. Ao site Setor 1 que sempre me ajudou, ao Israel Ávila (ex-diretor do site) que sempre me acompanhou. Dentro da verde e rosa, agradeço ao Matheus Olivério, Squel Jorgea, todos componentes da bateria Tem que Respeitar Meu Tamborim que são meus amigos de infância, Presidente Chiquinho, Guanayra Firmino, Thiago Firmino, Washington Lima que está sempre na quadra corrigindo meus erros e me auxiliando, fazendo com que eu crie minha própria identidade. E principalmente à minha porta bandeira que está numa fase nova e mesmo assim não deixou o barco afundar, está sempre do meu lado. Estamos ensaiando muito, e ela está fazendo a história ser diferente, tanto a dela que já existe, quanto a minha que está iniciando agora.” 

O mestre sala com sua nova parceira