quarta-feira, 29 de junho de 2016

Giza: "A Restinga é a extensão da minha alma e a motivação que faltava, em minha carreira!"

Foto:Studio Santos

Gislaine Freitas Silveira, de 42 anos, filha de Nilda Escalante e Jair , esposa de Marcelo, mãe de Vinícius, cursando ensino superior, empresaria e atuante diretamente na vida profissional do marido :GIZA PORTA BANDEIRA é a personalidade desta matéria.
Giza, é oriunda de família carnavalesca. Sua mãe ,foi Porta Bandeira da Escola "Os Tártaros" de Canoas e fundadora Presidente da "Unidos do Guajuviras", nos conta ainda que a Escola foi fundada dos seus Pais. Sua trajetória em nossa Cultura se dá desde os seus quatro anos de idade, quando já acompanhava seus Pais a todos os compromissos carnavalescos.
Para quem pensa que nossa entrevistada iniciou desfraldando Bandeira, engana-se: Em 1992, foi Primeira Princesa do carnaval do Grupo Extra, no Bairro Santana. No ano de 1993, foi Rainha do Carnaval de Novo Haburgo, representando a Protegidos da Princesa Isabel. Ainda em 92 e 93, esteve a frente da Bateria do Guajuviras, como Madrinha. No ano de 1994, recebeu a incumbência de empunhar o Primeiro Pavilhão do Guajuviras, convite este feito pelo seu Padrinho "Renato Marcelino". na época o Diretor de Carnaval da Agremiação. Giza recorda-se e relata, ter sido um momento muito feliz, mas com uma grande responsabilidade ,afinal ;aquela era sua Comunidade.
Ela fala sobre esta passagem: "- Foi um grande desafio e tinha pouco tempo para me preparar junto ao meu mestre sala Marquinhos. Pedi ajuda a "Zé Cartola", foi ele que com toda sua experiência, humildemente e com grande maestria  ,me passou a base á dança ;a partir dali, caminhei com meus próprios passos e cada dia me encantava mais e mais com a arte do bailado do MS e PB!"
No primeiro ano, veio a nota 10,reconhecimento de muito trabalho e dedicação, que Giza diz ser sua maior arma. Numa bela noite de Ensaio na Quadra, ela recebe a visita do então radialista da Rádio Princesa, Leandro Maia, conselheiro da União da Vila do Iapi, ele a convida  para  um teste de Primeira Bandeira na Vila. Chegando lá relembra que não houve teste, em1995 formou par com Maycon. Em 1997 ,com aval de Tia Marli Bellos, foi a Porta Bandeira do Império da Zona Norte por longos 10 anos, onde diz ter se sentido em Casa, ali fez uma segunda família. Giza cita que dançou com grandes Mestres Sala: Maycon, Tadeu Pé de Vento, João Boff, Alexandre e Marcelinho.
A Porta Bandeira ,tem passagens por outras diversas Escolas durante toda sua trajetória: Imperatriz Leopoldense, Praiana, Imperatriz Leopoldina, Ilha do Marduque, Bambas da Alegria, Acadêmicos Rio Branco, Academia Cohab Santa Rita (04 anos) e Estado Maior da Restinga pelo terceiro ano.
Pergunto a nossa entrevistada oque é essencial para ser Porta Bandeira? Ela responde sem titubear: " - Nascer Porta Bandeira... Uma PB não se fabrica!"
Giza complementa que uma Porta Bandeira precisa de dedicação, empenho, condicionamento físico, preparo psicológico e muito apoio familiar, ressalta que este ultimo  é sua fortaleza. Deve estar preparada no toque da sirene, com possíveis percalços que possam ocorrer ,ter um sorriso no rosto mesmo carregando uma tristeza interior, pois o público quer show... "-E se não for para dar show, não saía de casa!" Diz nossa entrevistada. Sobre ostentar o Pavilhão do Estado Maior da Restinga, Giza nos diz:
" - Quando recebi o convite para empunhar o Pavilhão da Tinga, muitas pessoas me disseram que os Tinguerreiros eram muito fechados com gente vindo de fora, e para minha alegria (mas não surpresa, por que acreditava na hospitalidade) foi bem diferente e me sinto muito bem recebida pela Comunidade, com muito carinho e acima de tudo respeito! Tenho muito orgulho em estar na família da Tricolor da Zona Sul... A Restinga é a extensão da minha alma e a motivação que faltava, em minha carreira!"
Nossa entrevista cuida-se muito para manter seu condicionamento e preparo. No pós Carnaval, relata ficar livre para família, diversão, questões pessoais, comer o que quiser sem muita preocupação e beber sua champanhe (risos) ao qual não abre mão. Em Agosto, entra a Porta Bandeira... Ai vem a preparação física, pilates e condicionamento físico na praia, tudo isso atrelado às tarefas de casa com sua secretária (sem abrir mão de cozinhar e da alimentação do filho) e ajuda nos negócios do marido.
Pergunto como é ter que ficar entre Aeroportos quando começam as funções por aqui? (Risos) " - Rio de Janeiro X Porto Alegre é fácil... Difícil será Irá(Abadã) X Porto Alegre... Mas nada que o amor por esta arte de ser Porta Bandeira, não supere!"

Setor1: - Já passou por alguma saia justa? Giza:  "- Claroooo... Já tive fantasia com problemas na cabeceira da avenida, mas sempre tive a graça de ser cercada de anjos, e eles resolveram o problema rápido. Em 2015, na Descida da Borges com a Tinga, meu salto quebrou e eu cai (risos), levantei rápido, a coordenação foi rápida e me amparou!"
Um sonho que Giza realizou no Carnaval, foi dançar com uma lenda gaúcha, respeitado por todos que amam a arte do bailado de MS e PB: "Luiz Marcelo (Marcelinho) " Ela diz: " - O melhor de todos os tempos, sou fã!". Sua maior alegria foi empunhar o Pavilhão da Guajuviras, no Carnaval de Porto Alegre, receber nota 10, levando orgulho a Comunidade e a partir dali se tornar se tornar conhecida e respeitada no mundo do Samba. Sua maior tristeza foi a dispensa, após 10 anos de casa, ela foi para São Paulo, mas sua vontade ficou presente!
Setor1: Uma fantasia e por que? Giza: "- A fantasia de 2010, onde junto com minha mãe, eu idealizei! Estava retornando de São Paulo, com ideias novas. Desde então não uso mais fantasias pesadas, e sim aptas para realizar todos os movimentos para o grande dia!"
Após ter ficado afastada, Giza teve em seu retorno no ano de 2010, o Carnaval da sua vida, junto a Mercelinho gabaritaram as notas máximas, e a Escola com todo um resultado merecedor teve seu primeiro título como  Campeã do Grupo Especial, momento este eternizado na lembrança da Porta Bandeira. Giza em sua carreira acumulou algumas premiações: 09 Estandartes de Ouro, 04 Personagens da Folia, 01 Sambagé entre outros prêmios fora da cidade.

Setor1: - Como é ser espelho e muitas vezes inspiração para muitas meninas que estão chegando? Giza: " - Ser espelho é muito difícil, pois tenho erros e defeitos. Não sou somente acertos, como qualquer ser humano! Prefiro que se inspirem no amor, carinho e respeito a nossa arte, que priorizem sempre a humildade ... Nós apenas conduzimos a "estrela maior" de uma Escola: "O PAVILHÃO!"
 Giza cita que suas grandes inspiradoras na arte são: "Selminha Sorriso" e "Rute Alves", ainda ressalta que ,enquanto suas inspirações dançarem ela quer ter a graça de poder estar a bailar, aprendendo e cultivando esta arte divina! - "Hoje nos meus 42 anos ,me cobro muito, chego no meu limite e sempre quero mais... Sou consciente que não cheguei a perfeição!"
Giza é Umbandista atuante, tem fé em sua Mãe "Oxum" que lhe traz amor e ilumina seus caminhos, é fiel ao "Povo da rua", que cortam todos os males de sua vida. É devota a  Nossa Senhora Aparecida, que lhe deu seu maior tesouro: " SEU FILHO"!
Fico por aqui com mais este relato, mostrando um pouco de quem faz nossa cultura chamada CARNAVAL!