terça-feira, 21 de junho de 2016

"- Amo ser chamada de dinda!"

Foto: arquivo pessoal

A matéria de hoje deixa de ser somente narrativa para dar lugar em alguns momentos  a um bate papo descontraído.Com  perguntas e respostas,risos e muita emoção, trago uma entrevista com a Madrinha da Sinfônica:

 Raquel de Castro Nunes, 35 anos, solteira e assessora administrativa. A primeira Escola que a bela desfilou foi Filhos da Candinha em 1996. No ano seguinte, já cruzara a avenida com a Vermelho e Branco na Ala Perigosas Peruas, sob o comando de Aderney Ramos.

Com a mesma ala, desfilou na Embaixadores do Ritmo, a convite do Girózinho e outras Escolas (sempre com consentimento de Aderney)... Nunca em Escolas arqui rivais (risos) Bambas, Restinga etc ...

Exatamente em 03 de Novembro de 2003, sagrou-se Rainha dos Imperadores através de concurso. Relata que este era seu objetivo e sonho dentro da entidade. No ano de 2004, desfilou como Rainha. Em 2005, veio a frente de um carro como destaque, representando "Esperança do povo gaúcho" lembra que ficou deslumbrada com as personalidades que vieram com ela: -"Gudi,que dispensa comentários ,fiquei maravilhada vendo sambar ...Dendeca e Ana Marilda Bellos", diz a musa. No ano de 2006, retornou a Ala Perigosas Peruas como coreógrafa ganhando o tão sonhado Estandarte de Ouro. No mesmo ano, em 22 de Outubro, recebeu o convite para ser Madrinha da Sinfônica.

Dia 22 de Dezembro de 2006, na Descida da Borges, foi  seu primeiro show como madrinha de bateria. E desde então, ostenta em seu coração, tatuado em seu corpo e na alma com muito orgulho, respeito, dedicação, simplicidade e amor. Raquel é a leitura da legítima Sinfônica.

Foto: arquivo pessoal
      
Como todos sabem, a Imperadores carrega o slogan " Escola do povo", pergunto a Raquel : Como é ser reconhecida não somente por ser a Madrinha da Sinfônica, mas, também, muitas vezes como a "Dinda do Povo"?

Raquel: “- Eu amo ser chamada de Dinda... Meu status no Whats App é "Dinda". Quando tu é chamada de dinda, é porque gostam de ti de verdade! Eu sou isso que todo mundo vê, tento ser humilde, simpática; Sou ciumenta com meus ritmistas, mas aprendi a dividí-los quando recebi uma Rainha de bateria. Tento ser a melhor possível com as pessoas de fora, trato os ritmistas de fora muito bem, sempre apresento a Bateria a Diretores e ritmistas de outras escolas,pois são pessoas "essenciais" dentro de uma Agremiação.Acredito que tudo que se conquista é galgado degrau por degrau, independentemente do que tu fizeres numa Escola. Nunca podemos deixar de ter humildade e carisma, as pessoas querem ser bem tratadas, não só em minha casa. Procuro ser e fazer o melhor quando faço uma visita."

Raquel Nunes é uma pessoa mais que pública, está sempre rodeada de amigos, colegas de outras Entidades Carnavalescas, admiradores em geral querendo uma atenção.

Foto: arquivo pessoal

Seguindo a entrevista, a pergunta é: Como te sente ao receber tanto carinho e palavras se incentivo no percurso do Barracão até a entrada na concentração e durante o desfile? Como é ouvir tantos - Vai lá,Raquel...Arrasa!?

Raquel: “- É sensacional, tem um rapaz que me acompanha sempre: Eduardo. Esse ano por ter me vestido foi a Samara Braga. Eu sou sempre a última a sair do Barracão, junto com a bateria, esse ano cheguei na concentração junto com o grito de guerra! Eu dou atenção a todos pelo caminho, levo muito tempo até o portão...Todo mundo me para: -"Quebra tudo... Arrasa... Mostra todo teu samba... Raquel, boa sorte...! Tiro muitas fotos, muitas mesmo. Abraço e beijo a todos que me procuram, para mim é  importante este contato e este carinho; É uma demonstração de amor, e me dá mais força, pois no dia do desfile é muito cansaço, stress, medo que algo aconteça de errado com a bateria, que um carro quebre, que atrapalhe a harmonia. E por mais que se peça proteção, nada é como um toque de pele, um abraço ou uma palavra de incentivo e carinho de quem gosta e torce por ti e pela tua Escola. Não existe NADA melhor do que ter as pessoas perto de ti, tem ensaios na quadra que pouco danço, paro muito atendendo as pessoas com fotos, um aceno, um abraço... Não se deixa ninguém sem uma foto, sem um toque. Não tem que se dançar entre grades, eu sou contra! O público quer te ver, te tocar e te sentir."

S1: Em relação aos teus ritmistas, como é a Raquel Madrinha ?

Raquel: “-Sou fissurada pelos meus ritmistas, agreguei os novos que chegaram com a troca de direção. Eu ligo, mando mensagem de bom dia, desejo uma ótima semana, pergunto como tu estás? Precisa de alguma coisa? Eu tiro de mim sim, para ajudar um ritmista (muito já fui xingada por isso, mas eu faço na medida do possível porque é de mim). Eu estou sempre por perto, vou aos aniversários, churrascos, comprimento pais, filhos, esposas e maridos. Tento sempre estar presente para passar segurança. Quando teve a troca de diretoria, estavam todos tensos, fui ao primeiro ensaio e fiquei parada, afinal era outra levada, fiquei escutando e observando a cadência. Veio um e disse: -Raquel, tu vai dançar, né?, Eu disse: - Sim ... Ele respondeu: - Era o que eu estava esperando de ti! E é isso ... Eles tem que saber que a "Dinda" sempre estará ali, independente de quem estiver a frente... A Sinfônica ,sempre será a Sinfônica!"

S1: O Carnaval tem o poder de nos apresentar sentimentos extremos, fale de sua maior alegria e tristeza durante este teu tempo de trajetória:

Raquel: - " Meu Diretor Brinco nunca gostou de ir a festas de premiações, no ano se 2010 rolou o boato que a Sinfônica seria vencedora do Estandarte de Ouro. Incomodados muito ele e fomos. Saímos de um show e chegando lá estavam anunciando (choros). Lembro-me como se fosse hoje, ele com uma calça vermelha e camisa branca, eu de pé na escada; quando anunciaram Bateria Estandarte de Ouro de 2010: IMPERADORES DO SAMBA... Ele apontou na escada, segurou minha mão (choro) e disse: - "VEM BUSCAR COMIGO!" Quem entregou foi Mestre Nilton, essa foi a cena da minha vida! Comecei a chorar, eu só queria ser Rainha da Escola, nunca pensei chegar a tanto... Foi muita emoção!

Realmente os sentimentos são extremos, o falecimento do Mestre Brinco foi sua maior tristeza. Quando ele faleceu meu mundo caiu, não sabia o que fazer (choro), não sabia se continuava, se queria sair do Carnaval, se eu bebia... Eu não sabia de nada! Eu só sabia que era minha maior tristeza do Carnaval, não perdi um Diretor de Bateria, eu perdi um amigo, um grande irmão, um pai. Um cara muito honesto e sincero.

Neste mesmo ano recebemos junto o TROFÉU GHALIB (Melhor Bateria e Melhor Madrinha), e após receber o da Bateria ele me anunciou e chorando eu disse: - "AONDE TU ESTIVERES EU ESTAREI CONTIGO"... E ele se foi!

S1: Entre tantos sambas na história da Imperadores, qual tu classificas como “O Samba"?

Raquel: - Dentre os anos que estou de Madrinha, o de 2013 no ano na Maquiagem, intitulado “Da magia das cores ao milagre da maquiagem". Mas o melhor samba, nestes 57 anos de existência de Imperadores do Samba é o "Perfume". Esse samba ecoa na quadra, as pessoas enlouquecem, todo mundo quer cantar e sambar... Quem é e quem não é Imperadores canta! Ele demonstra o que somos de verdade! (...) Sou eu, sou quem vai dizer, nesta noite tão bonita o que vai acontecer (...)

S1: Madrinha de Bateria é um cargo que desperta muito interesse. No teu ponto de vista, o que precisa para ser uma boa Madrinha de Bateria?

Raquel: “ - Não precisa de muita coisa, mas uma é primordial e essencial : amor a sua escola e bateria. Quando tu estás na tua Escola de coração, é para te dedicar de coração e ter respeito pelos teus ritmistas... Cumplicidade, carisma, simpatia, não ser arrogante, educação com as pessoas que vão te assistir e com tua bateria.

Estar sempre bem vestida, maquiada e penteada é importante. As pessoas vão a quadra e pagam ingresso, para te ver e aplaudir. Madrinha de Bateria tem que saber tudo de instrumento (porque existe redobrar de terceira, porque a primeira responde a segunda e vice versa, porque os tamborins precisam sempre estar a frente assim como a perfumaria, porque tem que ter um "X" de ganzás para não ultrapassarem os outros instrumentos, porque precisa um número "X" de maracas; assim como repiques, caixas e cuícas. Precisa saber identificar o som de cada instrumento, precisa ajudar a guardar e cuidar de cada instrumento, que é o meio de trabalho de cada ritmista. Estar sempre pronta a cuidar dos ritmistas, assim como nunca se importar de alcançar uma água. Ir aos Ensaios Técnicos é fundamental, tem que ter muita disposição e amor."

Diante de tantos shows feitos pela Escola (mínimo um por semana), dois ensaios técnicos e a Quarta Show, seguido de aulas e trabalho do cotidiano da Madrinha, o cansaço é marca registrada, porém Raquel diz que quando chega perto do grande dia, após um dia intenso e muitas vezes nervoso, existem momentos e sentimentos que fazem superar tudo! Como por exemplo, ir no Bairro Glória, subir uma escadaria de quase 300 degraus, e chegar lá em cima e ver que LUCIANO MAIA a deixará linda para o grande dia com sua Sinfônica!

Nossa entrevistada cita que aprendeu muito com grandes mulheres do Carnaval, e aprendeu a sambar através dos pés de Janaína Maia, muitas firulas com as passistas Vivi Nunes e Cíntia (ambas da Imperadores). É fã de Helena Fernandes, Viviane Rodrigues, Fofa e Kiria Andrade (grande Madrinha que Bambas e Império da Zona Norte já tiveram); se inspira em cada uma, mas com sua identificação. Acredita que tudo vem de uma espera... para ser Madrinha tem que saber esperar e não se oferecer. Sobre ser Madrinha, a Dinda segue dizendo:
“ - Nunca pensei que iria ser Madrinha, e eu sou. Fui escolhida porque soube esperar... Almejar o cargo de Madrinha de Bateria, muitas almejam... Mas conquistá-lo, é difícil!"

Raquel diz que o Carnaval é seu tudo, onde pôde conhecer pessoas especiais que a fizeram crescer. Diz também ter conhecido muita gente que quis o seu mal, mas que tudo é um aprendizado. Perguntamos a ela como seria a Raquel sem a Sinfônica?

Raquel: “- A Dinda não existiria! Eu combino com eles e eles comigo... Eu combino com aquilo ali! (Quanta arrogância a minha... risos)... Eu amo meus ritmistas e tenho respeito por eles. Assim como por Kaubi e Urso e pelo Diretor atual. E meu eterno Mestre Brinco, que foi o "grande cara" que conheci no Carnaval. Espero que a Sinfônica dure mais 500 anos. Que quando eu tiver um filho (a), possa dizer: -"Minha MÃE ,foi madrinha desta Bateria.

Eu tenho orgulho de dizer: EU SOU DINDA DA SINFÔNICA!".

Católica praticante, ela vai a Igreja 02 vezes por semana pedir pelos seus. Agradece a Deus por tudo que ele lhe dá. Acredita em outras religiões, que Alá existe, porém, que o extremismo de qualquer fé faz mal.

Ressalta que tem duas amigas que sempre foram suas tutoras e incentivadoras no quesito religião: Guislaine Pereira e Kizzy Pereira. Hoje, a bela freqüenta a Casa da Nani do Oxalá.

Raquel nos diz o seguinte:

“Acredito muito na minha rica mãe Yansã e que Pai Oxalá me protegem! Tenho muita fé neles. A mãe Nani é uma pessoa muito bonita, que cuida de mim com muito carinho. Pertenço a esta Casa para me proteger, porque no mal eu acredito... Este sempre volta a quem pratica!"

Foto: Marcos Nunes/ Setor 1

Espero que tenham gostado desta entrevista, bate papo e desabafo em forma de declaração de amor pela “Dinda da Sinfônica" RAQUEL NUNES!


EDIÇÃO: Leandro Amarante