segunda-feira, 25 de abril de 2016

Na pioneira da folia o samba agoniza, mas não morre!


Em todos os lugares, o carnaval divide opiniões e muitas vezes chega a causar uma certa polêmica entre aqueles que participam da festa. Em Rio Grande, não é diferente!

Muitas pessoas falam doa antigos carnavais, dos bailes de salão, mas principalmente de uma época de ouro, quando os desfiles eram realizados na rua Marechal Floriano. Ah... os "carnavais da Marechal"... onde havia cordas separando o público da passarela, onde desfilavam os blocos carnavalescos, os extintos conjuntos acadêmicos e as escolas de samba de outrora que, muitas delas, já enrolaram suas bandeira e hoje só restam as lembranças.

Muitos não "arrendavam o pé " até ver o " Vim Pra Ficar", o "Bafo da Onça", o " Quebra Osso", a "Nega Tereza" e tantos outros blocos que arrastavam o povão que muitas vezes acompanhava a bateria depois da dispersão até a sede das agremiações.

Antigos Blocos faziam a festa no centro da cidade. 

Mas o ponto alto da festa era o desfile das escolas de samba: Praiana, Unidos do Zaire, As Mariquitas, Império Serrano, a Unidos da Rheingantz (ainda em atividade). A comunidade do bairro Getúlio Vargas, berço do samba da cidade de Rio Grande, descia em peso para ver a Cuca (Unidos da D.Pedro Segundo). Não se cobrava ingresso, o povo transitava por todos os lados livremente.

Pista de Eventos
Eis que em meados dos anos 2000, a folia foi transferida para o Centro Municipal de Eventos, o que causou repudio naqueles foliões mais antigos. Ao mesmo tempo que o carnaval evolui (ainda à passos lentos, mas significativos), as escolas perdem contingente para o seu maior "concorrente", o carnaval da Praia do Cassino, que arrasta por ano milhares de pessoas entre brincantes, comerciantes e turistas.

Para não disputar com essa concorrência tão forte, os organizadores dos desfiles das escolas de samba de Rio Grande à alguns anos, realizam o carnaval do sambódromo fora de época.

Essa decisão implica em atraso no repasse de verba para as entidades, conflito direto com a igreja pela quaresma, trocas constantes de data para que aconteçam os desfiles e tantos outros “poréns” além destes citados acima.
Carnaval no Cassino

Para fugir do encalço da igreja, o carnaval da cidade está sendo realizado após a páscoa, o que também gera problemas como fim das férias, a chegada do Outono, a volta as aulas, o que reflete em arquibancadas vazias, escolas punidas por falta de componentes.

Mais um carnaval se passou, e outra vez para muitos começa a corrida contra o tempo e a incerteza da realização do carnaval no sambódromo, se haverá realmente carnaval em 2017 e principalmente qual será a data que ele será feito.

Até lá o Setor 1 estará no meio do povo, nas comunidades carnavalescas trazendo histórias e novidades. Na pioneira da folia do estado o samba agoniza...mas não morre...