terça-feira, 19 de abril de 2016

Dança das cadeiras ou um “Jeitinho para não pagar”?


        O mercado carnavalesco da capital está em erupção. Dispensas aqui, mudanças ali, contratações acolá!

        Acompanhando o desenrolar de tais fatos pelas redes sociais, a gente percebe que na grande maioria dos casos, os destaques estão saindo de suas escolas por falta do pagamento dos cachês acordados com suas escolas. Muitos até falando em abandonar o carnaval. Reclamam da falta de apoio na hora das confecções de fantasias, ou simplesmente de uma satisfação. Sim, tem escola que deve e não dá uma explicação. E pasmem!!! Se revoltam quando são cobradas!  Tipo: Cobrou? Expôs a situação? FICARÁS MARCADO COMO UM ANTI-CARNAVAL!

        Mais fácil contratar uma harmonia musical toda nova, um casal de mestre-sala e porta-bandeira, uma estandarte nova do que PAGAR a que desfilou! Aí no ano seguinte repete-se a estratégia e assim vai-se levando.

         Frases que já ouvi de presidentes: “Cobra do fulano, diretor de harmonia. Ele que te contratou”, ou “Eu não te devo nada, quem te deve é o pavilhão”. Como assim????

         (E por favor, longe de mim generalizar. Óbvio que em meios a tantos maus administradores, há aqueles que são honrados, que tem palavra, E QUE PAGAM O QUE DEVEM).



        Voltando...

        Aí vemos que (nós, profissionais do carnaval ) também somos culpados por ainda existirem esses calotes em nosso meio. Porque sempre há um de nós (e não me excluo disso, porque já cometi e também já sofri esse golpe) pronto a tomar o lugar de um colega de quesito. A gente nunca procura saber se aquele a quem vamos substituir já recebeu (as vezes a gente até ri). Se a nossa contratação não vai terminar de vez com as chances de o outro que já trabalhou receber o que merecia. Se o outro já fora avisado que não está mais nos planos da agremiação, etc.

        Pra que pensar no outro? O que me interessa é apenas o MEU contrato. Até porque eu saí da outra também sem receber. A massagem no ego de quando somos procurados para um novo trabalho. O sentir-se valorizado. Os planos que EU tenho. Eu, eu... e Eu.

       Mas... Será que é certo? Será que é ético? Será que é “produtivo”?

       Não será passada a hora de nos unirmos contra essas atitudes. Não será a hora de nos posicionarmos? De sair da zona de conforto? De dar à cara pra bater em busca de uma melhora para o todo? Não será a hora de “se negar” aos maus pagadores? Que tal ligar pros colegas avisando: “Ó, querem me levar pro teu lugar, tu já recebeu lá?”. De traçarmos o MAPA DO CALOTE pra que outros não levem o mesmo golpe?

      Pode até demorar um tempo pra que nosso dirigentes entendam isso (que se prometeu, TEM QUE PAGAR ), mas tenham certeza que logo começarão a pensar duas vezes antes de pensar em calotear um profissional. Quando soar uma sirene na avenida e o caminhão de som estiver vazio. Quando as roupas caras de um casal de mestre-sala e porta-bandeira ficar no barracão por falta de quem as vestir. Talvez só assim, sendo extremista consigamos “chamar a atenção de alguns”.

      O fato é que estamos todos “enchendo o saco” disso e de um monte de coisa errada acontecendo. E o nosso carnaval vai ficando cada vez menos interessante, menos atrativo, menos empolgante, menos verdadeiro!

      Pelo fim do Calote Carnavalesco e mais ética entre nós, profissionais do carnaval, eu voto... SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM   !!!! 

       Abraço Astral em geral e ó... fuuuuuuuuuuuuui !!!!!!!!!