quarta-feira, 16 de março de 2016

Papo Nobre


Ola povo do carnaval!! Com muita alegria e satisfação recebemos o convite do Israel Ávila para agregar ao Setor 1 uma coluna que traga informações sobre nossa escola de Mestre Sala, Porta Bandeira e Porta Estandarte o Padedê do Samba. O propósito dessa coluna é falar um pouco da nossa escola, trazer nossas novidades, atividades, apresentar os instrutores e dentro das condições  de conhecimento que temos, trazer algumas orientações sobre a dança nobre.

Começamos agradecendo as pessoas que tem nos procurando logo após o carnaval, querendo fazer parte da escola e buscando informações sobre o início das aulas. Já é de praxe iniciar as aulas após a Páscoa, mas como não definimos o dia exato ainda não anunciamos data. As aulas continuarão sendo aos sábados das 14h às 17h e através aqui do Site também iremos divulgar essas informações. Na coluna de hoje irei falar um pouco sobre a escola, que já não é mais um projeto. As escolas de samba representam uma das maiores manifestações culturais do nosso país e que como toda cultura popular, deveria ser repassada naturalmente de geração em geração, através da vivência, apenas o indivíduo observando, aprendendo com um familiar ou amigo, como era antigamente. Porém essa tradição foi-se extinguindo através dos anos talvez porque as disputas entre as escolas de samba ficaram cada vez mais acirradas e a concorrência para ocupação de cargos dentro das escolas aumentou.


O casal de mestre sala e porta bandeira é o componente mais representativo de uma escola, pois conduz e protege o pavilhão, símbolo de toda a comunidade que compõe essa escola. Com o passar dos anos, esse casal que antigamente fazia questão de ser de sua “escola de coração” se profissionalizou, além claro das questões de tratamento e com isso a tradição foi sendo deixada de lado. Acompanhando esses acontecimentos e visando a preservação da cultura da dança desse casal e também da porta estandarte, bem como sua propagação e manutenção, surgiu a necessidade da criação de uma escola própria para essa dança. Mestre Manoel dos Anjos Dionísio, experiente bailarino que ingressou no carnaval em 1955 implantou em 17 de julho de 1990 o Projeto – escola de mestre sala, porta bandeira e porta estandarte no Rio de Janeiro.

Além da formação de casais e porta estandartes, a escola nasceu visando formar cidadãos éticos, com análise crítica e que visem transformar a sociedade, promovendo a socialização, inclusão social, elevação de auto estima através da valorização do saber popular. Atualmente a escola desenvolve várias nuances da cultura popular, perpetuando o saber do povo através da sua musicalidade, da dança das tradições orais, linguagens típicas, artesanato entre outros. Contendo núcleos em várias cidades pelo país, em 2010 foi inaugurado o nosso núcleo gaúcho, batizado de Padedê do Samba, composto na época de seis instrutores e uma colaboradora na assessoria de imprensa e aquecimento da aula e com apoio da UDESCA.


A primeira iniciativa partiu de Ana Marilda Bellos, com um workshop de qualificação dos casais em 2009, trouxe o mestre Dionisio e sua equipe a Porto Alegre onde conheceu a maioria dos casais e porta estandartes daqui. Depois num evento realizado pela UDESCA – União dos Destaques do Carnaval de Porto Alegre em 2010 o mestre Dionísio reuniu sua equipe e definiu alguns nomes do carnaval gaúcho para serem instrutores e dirigir uma escola de formação de casais e de porta estandartes, que fosse desvinculada e independente das entidades carnavalescas.

O Padedê do Samba também não está associado a credos, partidos políticos ou quaisquer outros segmentos. Iniciamos as aulas em 2010, no barracão da LIESPA, passamos pela quadra da Império da Zona Norte, pela sede da AECPARS e agora estamos na Usina do Gasômetro há três anos. Agradecemos o apoio que nos é dado pelo senhor Joaquim Lucena, essencial em alguns momentos de nossa caminhada.

Hoje o Padedê tem seu próprio CNPJ (17.631.661/0001-18) e está registrada como associação beneficente e filantrópica.  Nesses seis anos a escola despertou grandes talentos e já possui relevância para as entidades e para os desfiles de carnaval do Estado. Porém, ela é uma escola mantida por iniciativas dos instrutores, dos pais e responsáveis pelos alunos, e também, muito importante, com a ajuda de pessoas que estendem a mão para que aconteçam as aulas. Os instrutores são todos voluntários e não são remunerados para dar as aulas. É a representação dos gaúchos na continuidade da cultura popular manifestada pelo carnaval, o samba e toda diversidade cultural brasileira e a mais nobre das danças. Cabe lembrar que todos os núcleos são mantidos em suas cidades e trabalham de forma filantrópica, nenhuma verba revertendo para a sede no RJ.

Quer saber mais? Na próxima coluna... Falando de Padedê!

Face: Padedê do Samba

Simone Ribeiro/Presidente