quinta-feira, 31 de março de 2016

Final esplendoroso: passado e presente – as guerreiras do samba

exemplo e admiração à mulher do carnaval. Imagem: reprodução/web

Agora chegou a vez vou “contar”... Estamos nos despedindo do
terceiro mês do ano, e com ele muitas novas histórias. Este mês teve significado especial, pois ele é todo delas e para elas, as majestosas da vida – as mulheres...

Para encerrarmos com chave de ouro o mês de março, o Setor 1 não poderia de deixar dar voz e vez as grandes das festas populares do nosso estado. Reunimos o passado e o presente em um grande momento para você leitor amante das grandes festas de momo.

As donas do samba convidadas para este especial foram a eterna porta-bandeira e porta-estandarte Lígia Flores e a dedicada e talentosa porta-bandeira Nathielle Lemos. Se liga aí o especial Setor 1 mulheres começa agora... Com um legítimo encontro de pavilhões.

Ao longo de toda história carnavalesca, diversas foram as vezes que as mulheres foram símbolo de representatividade na passarela do samba – quer seja no coletivo ou no individual, orixá, popular ou celebridade ... elas estão ali!

(...) Odoyá Iemanjá; Saluba Nanã!
Eparrei Oyá
Orayê Yêo, Oxum!
Oba Xi Obá (...)

Trecho do samba enredo da Academia do Samba Salgueiro


O passado sempre presente de Lígia Flores

A grande porta- bandeira e porta-estandarte do nosso carnaval é cheia de histórias e encantos mil. 432 são os meses em que a renomada empresária se dedica as manifestações populares. A destaque é e será eternamente lembrada por suas apresentações nos antigos carnavais pelos pampas afora. Foram 12 anos de total entrega aos pavilhões e aos seus beija-flores, sempre focados na fiel representatividade da agremiação.

Seu currículo é digno de reverência: 12 anos como porta-bandeira, 2 anos com a oportunidade de defender o pavilhão da porta-estandarte e ainda, como se não bastasse 9 foram os anos em que atuou como jurada do Grupo Especial e 1 ano pelo antigo Grupo de Acesso.

Seu coração com certeza é divido até hoje entre as cores amarelo, branco e prata de Império da Zona Norte e o Azul e branco da águia altaneira de Bambas da Orgia. Fica difícil a definição do momento marcante. Ela ressalta dois deles:

“Tenho vários momentos, mas dois especiais: O ano memorável do Bambas da Orgia com tema Zumbi dos Palmares e minha chegada no Império da Zona Norte - fui recebida com um tapete vermelho que ia da porta da entrada até o palco. Foi muito emocionante".


Visionária, ela fala do lugar das mulheres no carnaval e de suas expectativas e esperanças para o futuro:

“Alem de abrilhantar a avenida com sua beleza, temos presidentes competentes que colocam suas escolas com muito garbo na avenida. Carnaval é uma festa que esperamos e nos preparamos o ano todo para desfilar uma hora (menos de 1 hora), que contam historias verdadeiras e que muitas vezes não tínhamos conhecimento. Então carnaval é cultura. Espero que cada vez tenhamos mais mulheres na frente das escolas com sua sensibilidade e bom senso”.


O diamante em lapidação Nathielle Lemos

Seguindo a linha do tempo o presente (e certamente o futuro) nos surpreende com uma grande artista da atualidade do nosso carnaval, seu nome Nathielle Lemos Silveira.

A jovem estudante é destaque por seus bailado e desenvoltura ímpar, atribuições estas necessárias para uma grande destaque portar e defender o símbolo-mor de uma agremiação, o pavilhão.

Com apenas 4 anos o reconhecimento é esplendoroso por todos os locais onde a jovem se apresenta. A frase a fruta não cai longe do pé com certeza se aplica a Nathielle, afinal seu pai é tido como um dos maiores mestre-sala do carnaval da capital e região, seu irmão segue os mesmos passos. Família unida em prol da cultura.

Sua primeira casa fora a tricolor da Zona Sul Estado Maior da Restinga onde integrava o projeto bailado do cisne (2013). Após intensos trabalhos com muita dedicação, sua primeira oportunidade como porta-bandeira apareceu no ano seguinte para defender o pavilhão da Sereia Copacabana. Suas apresentações  mais recentes (2015 e 2016) se deram pela tricolor de Viamão Unidos de Vila Isabel. Além de se apresentar com fantasia de alta qualidade, o trabalho em sincronia com seu irmão abrilhanta ainda mais a passarela do samba.

As recordações são o que nos embalam para um futuro melhor. Ela divide conosco um desses momentos em sua vida:

Minha maior lembrança não é nada muito antigo afinal sou nova por aqui, mas o que me marcou foi em 2014, ano que desfilei a primeira vez em família: mãe, pai e irmãos vibrando chorando e torcendo do meu lado”.


“Minha visão é a mulher no Carnaval ter mais poder de decisões. Sobre as festas num geral, difícil definir com apenas uma palavra mas o resumo dele é o amor, amor que faz com que acordemos cedo e dormir tarde. Fazer, pularmos por horas e não ficarmos cansados e muita das vezes transformar a tristeza em alegria isso é a definição do carnaval. Para mim uma mistura sem lógica, só os loucos e apaixonados entendem o amor pelas escolas, pelo samba e pelo nosso carnaval. Ainda sonho que as mulheres do nosso carnaval sejam mais valorizadas,não sejam olhadas só com desejo mas sim como artista que faz o que ama”.

Um brinde em saudação seja erguido à essas grandes personalidades da história do nosso carnaval. À elas toda a honra, pois carregam vivo em seus corações o amor por uma agremiação e acima disso tudo o respeito fiel ao pavilhão. Que o aplauso seja eterno, pois se empenharam ao máximo para que o sorriso fosse garantido em cada setor das arquibancadas por onde passaram – são o diferencial, sempre com postura e desenvolturas ímpar, dignas de assentarem-se ao hall das grandes damas do carnaval, das grandes baluartes... Nosso eterno respeito e admiração.

Gostaria de deixar aqui gravado o meu agradecimento pela colaboração para que este trabalho fosse desempenhado. Como havia dito para ambas, foram o diferencial para o trabalho ter todo o brilhantismo como se merecia.