segunda-feira, 21 de março de 2016

Felipe: Ọwọ ti o alábá ãke (Mãos que reluzem axé)


É latente a semelhança entre o povo do carnaval e o povo de santo. Isso por que, muitas vezes, as pessoas são as mesmas, dedicadas com o mesmo amor e afinco aquilo que acreditam, e principalmente, naquilo que amam e tem fé.

Quem é ou tem fé em uma casa de santo ou centro religioso sabe que para ele nada é impossível, e a prova viva disso é o personagem desta matéria.

Adriana procurou uma casa de religião para realizar seu sonho: ser mãe, pois a mesma tinha dificuldade de “segurar a gestação”. Muitas foram às tentativas até que a mesma tentou ajuda espiritual, e nove meses depois ela tinha em seus braços seu primeiro herdeiro, um menino, de nome Felipe, que teria como principal e fundamental missão professar a sua fé e produzir canto e música para os orixás... não poderia ser uma simples criança, sendo assim o menino Felipe veio filho de Oxalá.

Desde criança, Felipe Mendes Barbosa frequentou terreiros, e em meio a tudo que o fascinava algo em especial chamava a sua atenção: o tambor.

Felipe tem origem no nome grego Phílippos, formado pela junção das palavras phílos, que significa "amigo", talvez isso explica sua relação com o tambor, pois certamente, um bom tamboreiro será sempre o melhor amigo de qualquer entidade.

Incentivado por irmãos de santo, Felipe iniciou sua trajetória como alabê (tamboreiro) tendo como inspiração grandes nomes como Antônio Carlos, Belerum e Chamim, estes conhecidos da massa africanista no Rio Grande do Sul e respeitados por onde quer que passem.

Em sua vida religiosa um momento que lhe marcou foi em 2004, quando colocou seu orixá (Oxalá) na vasilha, e quando se aprontou na religião recebendo seus axés em 2009, sob os preceitos de sua Yalorixá Mãe Iara do Xangô, que segundo ele é um de seus ídolos na religião, junto a Pai Hélio do Xangô e Pai Chiquinho do Oxalá.


Dedicação e amor a religião tornaram o então alabê, também um babalorixá, e o mesmo segue com ambas as funções ininterruptas. Foi de Felipe a ideia de criar um dos primeiros Grupos de Alabês do estado. Ele conta como isso surgiu:

“Minha ideia de criar um grupo era profissionalizar essa área, colocar um agê, um agogô e outro tambor junto, para somar no trabalho. Quando comecei a tocas quase todos os dias, também tive a ideia de por equipamento de som, para o Alabê não se desgastar. Tudo isso estratégia para melhor o serviço.” – comenta o premiado Alabê de ouro.

Outra boa iniciativa foram os CD’s que Felipe gravou. Ele fala que foi um sonho de criança realizado e assim poder ajudar aos irmãos de todas as casas a aprender e aperfeiçoar suas cantigas, pontos e rezas para suas entidades:

“Bom os CD’s foram um sonho desde pequeno e graça a Deus e os orixás consegui realizar. Já estou indo pro meu quarto trabalho. Meu CD de exu o “Curimba de ouro” que contém 210 pontos, tem hoje mais de 7 mil cópias vendidas em 2 anos e 2 meses de lançamento. Já meu CD de Umbanda tem 4 mil cópias vendidas, em pouco mais de um ano. E o de Nação mais de mil cópias vendidas em 8 meses. Então é um trabalho que eu pretendo manter sempre vivo no mercado, e em Agosto lanço o meu segundo CD de exu.” – Felipe.

Falar sobre a religião emociona muito o jovem filho de Oxalá, principalmente quando trata-se do publico que vê na religião um afago para suas dores, como quem está a procura de emprego, tratamento para doenças... “Nossa religião e linda: caridade, paz e amor...” – completa Felipe.

Babalorixá, alabê... e agora colunista do SETOR 1

A pouco quando anunciamos os novos colunistas do Setor 1, o nome de Felipe apareceu como assinatura da coluna Asé Odara. Nela, ele vai falar diariamente sobre ensinamentos da religião, rezas e a prática do toque aos orixás.

Questionado sobre o que podemos esperar da coluna ele diz:

“... os leitores podem esperar dessa coluna seriedade responsabilidade e comprometimento para passar um pouco do meu conhecimento tanto como religioso que sou desde que nasci e da um pouco da minha experiência de 17 anos de alabê e meus 6 anos como babalorixá”