quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Comissão de Frente, quesito já! Será?

Por Ramão Carvalho 

Tenho ouvido o apelo e o clamor de muitos carnavalescos sobre a questão do segmento Comissão de Frente tornar-se quesito em nosso carnaval. Sou favorável a tal acontecimento, porém faço um alerta. Não quero aqui neste pequeno texto externar a minha posição – que é favorável a tal mudança – mas sim, lanço alguns aspectos para avaliar e elucidar a situação na qual estamos passando, para verificar a viabilidade e as possibilidades deste episódio acontecer, ou não.

Compreendo que é, sem dúvida alguma, um espetáculo à parte nos desfiles das escolas... eles são os Eleguás [os Barás] que vem abrindo os caminhos para que a Escola de Samba possa bem desfilar. Tamanha a importância destes seres para uma entidade, uma vez que fazem este papel de abrir alas, pedir passagem, chamar a atenção do público, saudar e apresentar a sua escola com muita dança, encenação, alegria e coreografia...


Avaliando o histórico, verificamos ao longo do tempo, que em algumas entidades, aquelas mais empenhadas em proporcionar grandes desfiles, a expressividade e a criatividade da “comissão” tem se destacado e sobressaído. Foram muitos espetáculos proporcionados por estes artistas da Comissão de Frente, com muito capricho, com empenho, com uma formidável desempenho e performance, marcando presença singular em muitas ocasiões.

Desta forma, entendo a importância e a necessidade de uma maior valorização por parte das entidades para com estes artistas, assim como entendo que os casais de passistas e as porta-estandartes também mereçam igual valorização. Os passistas por trazer a verdadeira essência do samba, a malemolência, a ginga, o malandreado, o samba no pé. Já a Porta Estandarte traz consigo a tradição do carnaval gaúcho, traz beleza e magia, ao mesmo tempo que anuncia a escola... estes também, merecem um olhar diferenciado, uma valorização à mais, pois atualmente acontece que muitos destes destaques que ali estão, muitas vezes “se bancam” para poder apresentar sua arte.

Porém, devemos nos atentar para uma questão muito importante, que é a estrutura financeira das Escolas de Sambas de Porto Alegre e Região Metropolitana. As entidades carnavalescas não estão preparadas para tal “revolução”. A elevação deste importante segmento ao posto de Quesito, demanda em uma estrutura melhor, em qualificação [pois vai valer nota], e pode interferir no resultado final do carnaval das agremiações. Digo isto, pois, depois de transformado em Quesito, haverá de se ter uma preocupação a mais do que a atual desprendida a esta ‘desvalorizada’ manifestação. Deverão ser oferecidas fantasias mais elaboradas, virão exigências de Regulamento e Manual de Jurados, os artistas serão mais cobrados por seu trabalho e desempenho, logo, tudo isso culminará com a necessidade de pagamento de cachês para este contingente [uma vez que seja exigido um resultado, logo estes serão contratados].



Considerando toda esta conjuntura, principalmente a financeira, necessário se faz passar por uma grande análise, de como se dará esta transição. Entendo que antes disto acontecer, o carnaval gaúcho [da capital e da região] deverá se reestruturar, se organizar, chegar á um patamar de consolidação, de hegemonia financeira e organizacional para dar um suporte de fôlego para este importante e magnífico setor da escola que é a Comissão que faz a Frente, que abre os caminhos e inicia o grande espetáculo na avenida.