sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Inigualável Sinfônica Vermelho e Branco


Bateria única! Ritmo inigualável! Tradicional!

Inúmeros são seus adjetivos...

Essa bateria fala por si própria, pois tem força no nome e não é de agora.

Acredito que pela história que ouço ao longo dos anos, Neri Caveira lhe deu a identidade, pois ela ao seu comando foi única e despojada.

Bateria multicampeã com inúmeros prêmios surpreendentes notas 10, ele criou dois monstros do ritmo, que na sua ausência tomaram conta dela e com carinho, amor e trabalho mantiveram a tradição do modo de se fazer ritmo por lá... Fizeram dela inigualável, pois mantiveram a qualidade do trabalho.

Assim Neri Caveira deixou dois herdeiros de um enorme legado: Sandro Gravador e Sandro Brinco que por seus méritos e seguindo os conselhos certos continuaram juntos, gravando em seu currículo diversas notas 10 e premiações de renome.

A Bateria Sinfônica tem pontos únicos aqui no nosso carnaval dentre elas características como: não se usar apito e no máximo três diretores auxiliando o comandando da bateria.


O célebre Mestre Brinco que por muitos anos comandou à frente da bateria, também deixou seus dois “súditos” que, por sinal, estão dando conta do recado.

Hoje no comando da sinfônica vermelho e branco estão Nego Urso e Kaubi, dois filhos de Imperadores do Samba que se criaram lá, e dizem que de lá não saem. Os dois brilhantemente vêm mantendo o alto nível nos quesitos qualidade e organização. A união, a garra e a paixão pelo que fazem são notáveis.

Essa bateria é uma família. E tem nome e codinome: sinfônica nossa família. Ela é tradicional e ao mesmo tempo dinâmica, ousada e criativa. Disciplina e organização, pelo que se observa, são primordiais dentro do trabalho da sinfônica.

Há muitos anos essa bateria já mantém seu padrão no tocar de caixas com uma única levada, onde todos ritmistas usam talabartes com a caixa embaixo.

Suas terceiras dão prioridades à condução do ritmo com poucas frases ou desenhos no samba. Mas são desenhos muito bem elaborados que dão certo “tempero” na sua execução.

Quem desenha (e desenha muito bem na bateria da sinfônica) é o naipe de repeniques. Eles fazem belos floreios no samba, sem contar a condução firme e forte que fazem muito bem a somatização do ritmo.

Tamborins ecoam alto com firmeza e sem sobressair sobre os outros naipes.

É notório, em qualquer show da bateria lá estão eles: a ala de ages, que na maioria das escolas só vemos nas noites e madrugadas de desfiles. Pra mim, este é um ponto qualitativo, tendo em vista que os ages dão um swing bem gostoso em qualquer bateria. A sinfônica valoriza esse naipe que já se torna tradicional do nosso carnaval.

Costuma-se dizer que após o desfile oficial do carnaval, já na primeira semana de abril, é possível notar a movimentação: recomeçam seus trabalhos preparando o novo espetáculo.

A colhida de novos integrantes e sempre satisfatória, tem lugar pra todo mundo que queira fazer parte da família. O aperfeiçoamento ocorre e as oficinas de percussão estão a disposição pra quem queira aprender.

Mas tem um porém: ritmista da sinfônica não se vê  em outras baterias! Por isso essa bateria tem essa força enorme, 100% dos ritmistas são da casa, eles tratam Imperadores do Samba  como uma  religião.

Em um carnaval, a tempos atrás, lembro de uma muamba oficial onde eu estava  em um camarote  superior e de lá, conseguia ter a visão da área de barracões. Eis que observo passando na frente deles uma enorme ala caminhando organizadamente, todos trajando calças e calçados brancos e no peito carregavam a camiseta da bateria.

Me chamou muito a atenção tamanha organização. Não me segurei, e na primeira oportunidade que tive junto ao Mestre Brinco perguntei: - Qual o segredo de tamanha organização? Logo em seguida a resposta: - Isto é de longa data e já é tradição, disse ele. Foi uma sementinha plantada nos tempos do velho (Neri Caveira). Eu só a mantenho.

Tive a oportunidade ouvir no último 25 de Setembro a sinfônica sob comando e regência de Kauby, e observei o de sempre: ritmistas todos agrupados e uniformizados antes da apresentação, mostrando-se felizes e orgulhosos por estarem defendendo sua bandeira.

A apresentação da escola começou, e me chamou atenção o ritmo, estil  e competência do grupo de ritmistas. Foi como se, por um instante, eu fechasse os olhos e estivesse ali frente à bateria comandada por Neri Caveira ou Sandro Brinco, tamanha era a qualidade do ritmo e bravura.

Enquanto eu prestigiava a escola, tinha ao meu lado um ritmista que não estava na bateria nesta apresentacao. Comentei com ele que a bateria estava como sempre (É lógico, o sempre quer dizer ótima).

Então ele se virando para mim respondeu: - Não importa quem esteja na frente (se referindo a Urso ou Kauby), o legado do homem tem que permanecer. Nós somos a resistência do ritmo da nossa escola. Em contrapartida eu disse: a sinfônica vermelho e branco e inconfundível! ...

É importante salientar que este é meu ponto de vista, pois sou fanático pelas nossas baterias. Não tenho a idéia de subjugar qualquer uma, e sim passar a visão de qualidades e características que cada uma tem.


Abraços e até a próxima...