quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Que rumo irá tomar nosso carnaval?


Aconteceu no sábado, dia 12 de setembro de 2015 o Seminário idealizado pela LIESPA a Liga das Escolas de Samba de Porto Alegre e órgãos organizados do carnaval. Intitulado de ouvidoria do carnaval: “Debatendo o carnaval: O que queremos e para onde vamos!”. Evento que serviu para abrir debate e ideias a fim de discutir e pensar técnicas e melhorias para o carnaval.
Foi um momento criado e ambientado na sede da LIESPA, no Complexo Cultural do Porto Seco, com espaço aberto para esclarecimentos acerca das mudanças e dos calendários das festividades oficiais do carnaval de Porto Alegre.
A reunião foi ciceroneada por Gerson Brisolara, com o auxilio de Sandra Tarragô, ambos do CETE. A mesa foi composta por representantes de diversos segmentos do carnaval.
O presidente da LIESPA Juarez Gutierrez de Souza abriu o seminário agradecendo o público presente e esclareceu os pontos dos calendários já divulgados e enfatizou que as mudanças foram decorrentes de diversos encontros com os presidentes e com a diretiva da LIESPA.
Joaquim Lucena, representando a Secretaria de Cultura e Manifestações Populares, elogiou a LIESPA pela iniciativa e falou da questão do Porto Seco, do Complexo Cultural e do repasse de verbas da Secretaria de Cultura, onde o carnaval foi o mais privilegiado, uma vez que não houve cortes da verba e da questão dos Desfiles da Borges, que é uma conquista do carnaval que deve ser mantida, uma vez que aquele lugar é um legítimo território negro em Porto Alegre.

Anderson Chagas, presidente da AJUCEPERGS Associação dos Jurados do Carnaval e Eventos Populares do Rio Grande do Sul, falou em nome do carnaval de Porto Alegre, colocando seus pontos de vista e questionou o que os dirigentes, as associações e o povo carnavalesco estão fazendo para conduzir as atividades carnavalescas com foco em melhorias e também na questão da manutenção da identidade do carnaval gaúcho.
O representante da COMPOR-RS, Rafael Tubino, representando a associação dos Compositores entregou ao presidente Juarez uma lista de propostas para a categoria, não quis expô-las, e, solicitou que a Liga levasse em consideração o seu conteúdo.
Mestre Estevão falou pela ASDIBA, a Associação dos Diretores de Baterias, lançou algumas melhorias acerca da sonorização, recuo da bateria na saída dos desfiles, a remoção do palco da bateria no box central da pista entre outros ajustes necessários.
Sergio Peixoto, presidente do CETE, Centro de Estudos e Pesquisa de Tema Enredo, enfatizou a questão da segurança dos trabalhadores do Porto Seco, do entorno do sambódromo e deixou claro que há a necessidade de uma discussão técnica sobre o quesito Tema Enredo.
Simone Ribeiro, porta bandeira da Imperadores do Samba e presidente do núcleo gaúcho de formação de Mestre Sala e Porta Bandeira o Padedê do Samba falou da segurança nas cercanias do Porto Seco e da necessária atenção aos recursos humanos, e que deve ser percebido também na estrutura física da pista, uma vez que esta não é liberada com antecedência para os ensaios individuais, e também é pintada algumas horas antes dos desfiles, prejudicando a apresentação dos desfilantes. Salientou que as datas divulgadas irão causar desconforto para quem vai realizar o Ensaio Técnico, que irá acontecer nos dias 02 de fevereiro, terça-feira e 03 de fevereiro, quarta-feira, até a 01h:20min da madrugada, onde diversos destaques terão de trabalhar no mesmo dia, logo após as apresentações. Simone ainda solicitou que discussões como esta fossem realizadas com antecedência e que fosse rotina na condução da estrutura do carnaval.
Antônio Silveira, o Chula, presidente do projeto de dança de Mestre Sala e Porta Bandeira Bailado elogiou a iniciativa da LIESPA em discutir os movimentos para o futuro do carnaval. Salientou que o quesito mestre sala e porta bandeira carece do mesmo tratamento, lembrou de alguns julgamentos e experiências nos desfiles.
Rosângela Santos, secretária da União dos Destaques do Carnaval, a UDESCA, criticou os dois dias de Ensaio Técnico terminando na madrugada dos dias de semana. Relatou a dificuldades dos destaques em acessar a estrutura do Porto Seco nos dias de desfiles.
Roberto Soares representando a Associação Cultural dos Diretores de Harmonia das Escolas de Samba do Brasil, a A.C.D.H.E.S.B. agradeceu a oportunidade e ressaltou o trabalho necessário e já desenvolvido no Porto Seco.
Após a fala de toda a composição da mesa, houve a abertura de espaço para inscrição da assistência para se manifestar a fim de levantar sugestões e aspectos sobre o andamento e para apontar melhorias para o carnaval.
O público presente estava em pequeno número, aquém do esperado, levando em consideração ao número de entidades que participam do carnaval.
Diversas foram as manifestações, a principal foi recorrente nas falas em relação à segurança do sambódromo e do entorno do mesmo. Houve pedidos de ajustes e solicitação de melhoria no transporte publico e também muitas críticas em relação aos ensaios técnicos que irão acontecer em dias de semana, os que se manifestaram foram unanimes contra esta decisão.
Houve também uma manifestação que levantou uma questão relevante. No discurso da distribuição dos grupos e da criação do “Grupão”, há junto deste projeto a direção de um “enxugamento” da quantidade de escolas por grupo (vale lembrar que este projeto já foi realizado no ano de 2006), porém a associação dos grupos A e Acesso, a UECGAPA, União das Entidades Carnavalescas do Grupo de Acesso de Porto Alegre convidou mais três escolas já licenciadas para participar dos desfiles (em contra senso ao enxugamento). Outro aspecto levantado foi a forma e o critério adotado pelo então presidente da referida União das Escolas, onde o senhor Danilo, ao distribuir o fomento, deixou de fora as escolas de samba da Grande Porto Alegre do novo “Grupão”.
Houveram outras sugestões e questionamentos, acerca da cadeia produtiva, da prestação de contas das Escolas de Samba em relação aos seus cachês e do uso dos recursos disponibilizados pelo poder público. Também houve a questão da abrangência da Liga em relação às entidades e foi perguntado se a LIESPA atenderá as escolas que não são de Porto Alegre, uma vez que ela não traz no título da sua sigla o Estado do Rio Grande do Sul, comparado pelo consulente com a AECPARS, que era a Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre e Rio Grande do Sul.

A mesa de lideranças procurou responder as questões lançadas pela assistência. O presidente da Liga Juarez Gutierres de Souza agradeceu a presença de todos e convocou as pessoas ali presentes para auxiliar a LIESPA na condução e em melhorias para o carnaval de Porto Alegre e região.