sexta-feira, 24 de julho de 2015

Reflexão carnavalesca

Foto - Alvarélio Kurossu

Nosso Rio Grande do Sul, estado tradicionalista, que traz aos seus habitantes o sentimento bairrista e naturalista, nas rodas de conversas quando ouvimos debates sobre qualquer tema, a defesa sobre aquilo que é da terra é sempre defendida com unhas e dentes, não diferente quando tratamos de carnaval, esse saudosismo todo, deixa-o “imponente” perante adversidades que apresenta.

O carnaval 2016 encontra-se em pleno vapor nas regiões que se situam ao norte do nosso saudoso Rio Grande do Sul, como de costume por aqui, as movimentações para a folia do momo sempre acontecem na ultima noite fria do inverno, ou seja, ocorrem em menos de 100 dias geralmente para as noites de desfiles.

Estados como Florianópolis e São Paulo estão em fervilhantes disputas de sambas enredos e ensaios técnicos, talvez o caso da cidade vizinha, seja o melhor exemplo, a seriedade na qual as agremiações catarinenses e a associação levam o carnaval, lhe respaldaram a transmissão por parte do veiculo televisivo e até a construção do sambódromo, inaugurado ainda em 1989. Por diversas vezes sonhamos com a construção definitiva do nosso Porto Seco, ingerimos em período eleitoral sucessivas promessas de construção, senão de todo pelo menos de módulos, como costumam chamar. Porém, a sinceridade que nos cabe, o produto Carnaval de Porto Alegre não se torna nenhum pouco atrativo tanto para o governo quanto iniciativa privada, que poderia se torna um refugo para o sambódromo.

Foto - Ramiro Furquim/Sul21
Mas, temos a necessidade de olhar a matriz da folia, o Rio de Janeiro, que se encontra em situação bem mais avançada, pois não bastassem disputas de sambas, ensaios e barracões abertos, nos deparamos ainda com agremiações com grupos fechados e recebendo coirmãs em suas quadras, a exemplo do Salgueiro que já recebeu Mocidade Alegre e Independente, Vila Isabel e Beija Flor. Alguns dirigentes me diriam que para movimentar quadra gerariam custos que a escola gaúcha não conseguiria arcar, porém não entrando no mérito, pois até acho que o mesmo não funcionaria, uma vez que quadra fechada é cultura por “aqui”, mas vou de encontro a esse tipo de opinião achando que é possível planejar carnaval o ano todo, com decisões e ações bem mais planejadas, talvez assim perderíamos o habito da ”porta fechada” das quadras.

Saúdo aqui as agremiações nas quais identificaram o caminho do planejamento e vemos movimentações o ano todo em suas quadras, e deixo a reflexão as demais sobre o carnaval da capital, não comparando ao carioca, mas planejamento e trabalho fazem a diferença e todo esse “avanço” carioca sobre nossa folia do sul, explica-se por fatores como a ordem de desfiles e regulamento 2016 que foram previamente decididos ainda nas proximidades das premiações dos desfiles de 2015 que estavam por encerrar. Porém nosso poderoso rio grande está a distancias dos carnavais mais bem sucedidos administrativamente, e quando visualizamos menos de 200 dias para a festa do momo assistimos ainda escolas sem enredo, sem grupo de trabalho formado, sem samba, sem ensaio e sem atividade nos barracões, não obstante a esta situação temos uma administração de carnaval sem ordem de desfiles. Talvez esteja nesses fatores à situação do nosso carnaval, talvez esteja explicada a falta de investimento, talvez seja a justificativa para a não construção do Complexo Cultural do Porto Seco... São tantos advérbios de duvida que nos propõe o carnaval que uma reflexão seria a “chave” para encontramos enfim uma certeza!