quarta-feira, 17 de junho de 2015

Rafael Tubino: "... temos que ser unidos, pensar no carnaval, e não nas vaidades pessoais"...



Durante a semana passada vimos por aqui uma matéria sobre sambas enredos e a exportação de destaques gaúchos para outros carnavais fora de nossa aldeia, como personagens centrais desta matéria tínhamos Rafael Tubino e Alex Bagé.  Com exclusividade ao Setor 1 Rafael Tubino respondeu a uma entrevista que exemplifica sua história e como se da a “temporada das canelas”, que os compositores tem de buscar inspiração para a criação de suas obras.

I – Primeiramente, fale um pouco da tua trajetória dentro do carnaval da capital? Se possível conte-nos a escola do coração?

Olá leitores do Setor 1, primeiramente gostaria de agradecer o contato, e transmitir os parabéns a toda equipe do site pelo o belo trabalho desenvolvido; Pois bem, minha trajetória dentro do carnaval, começa em Alvorada, desfilando nas extinta Diplomatas e Asas de Ouro, em meados 1995 e 1996, sempre tocando meu tamborim, em Porto Alegre tive passagens nas baterias de Império da Zona Norte, Mocidade Independente da Lomba do Pinheiro, Estado Maior da Restinga, Imperatriz Dona Leopoldina e Acadêmicos de Gravataí; Já estamos em 1999, onde começo a me apaixonar por composições, pois dentro da bateria da Imperatriz vi Dinho, Thiago e Cachorrão, vencer uma disputa de samba dentro da escola, estando dentro da bateria, assim como eu! 

E isso me fez acreditar que eu também poderia um dia, vencer um samba enredo. Daí começou a “saga de um compositor”, O presidente Victor Hugo, foi um grande apoiador na época dos novos talentos dentro da escola, o que me encorajou mais ainda, participei de minha primeira disputa dentro da Imperatriz, não obtive sucesso... Mais gostei da “cachaça”, paralelamente fui trabalhando composições para escolas de Alvorada, Asas de Ouro e OS Astros de Alvorada, até que resolvi “voltar” alguns anos depois, para os festivais de samba enredo em Porto Alegre, foi na disputa do samba do Império da Zona Norte (primeira escola que desfilei na bateria, no grupo especial de Porto Alegre) e no mesmo ano, a convite do Presidente Jorge Sodré, fiz meu primeiro samba na União da Vila, não obtendo sucesso, nesse meio tempo, conheci Arilson Trindade, por intermédio de Leandro da Águia, onde vencemos o festival da Praiana, com o enredo sobre futebol. 


Então assim começou um misto de amizade e admiração pelo “professor” Arilson, a amizade se fortaleceu, e ganhamos mais sambas juntos como Unidos de Vila Isabel e novamente na Praiana, quando vi, já estava participando da maioria das maiorias das disputas de sambas em Porto Alegre, com algumas vitórias, mas, muito mais derrotas. Cito aqui a primeira vitória na União da Vila, momento impar, vencermos compositores renomados dentro do carnaval, essa vitória teve um sabor especial, pois no ano anterior a essa disputa, sofri “preconceito” por dois compositores, por eu ser branco e “novo” no carnaval... Após essa vitória, essas pessoas vieram me dar os parabéns, pois nós tínhamos vencido uma disputa acirrada. Nessa disputa aprendi muito com os meus parceiros, Alexandre Belo, Chocolate, Maguila, Zeca Swinguinho.  Ensinamentos que levo até hoje comigo.

II – Hoje você está sendo referencia no carnaval daqui do sul por conta do sucesso que está desempenhando nos festivais de sambas enredos em Rio de Janeiro e São Paulo. Como está sendo essa experiência?

Uma experiência GRANDIOSA pode-se dizer, pois desde 2009 estou compondo para escolas cariocas, em 2010 fui convidado a participar da ala de compositores da Estação Primeira de Mangueira, após mostrar um grande trabalho em 2009, após isso, continuei pelas “bandas de Mangueira”, e também fiz sambas para Estácio de Sá durante dois anos, chegando às fases finais nas duas vezes (na primeira escola de samba do Brasil),e com as “subidas” ao Rio de Janeiro, veio também às amizades, e assim ficou mais fácil, pois pude mostrar que em Porto Alegre tem compositor que FAZ samba também, com isso o respeito e admiração vem ao natural, nesse momento da caminhada cito Gustavinho Oliveira e Léo do Paysa, amigos que fiz e aprendi a respeitar. Nos últimos anos disputo nas “minhas casas cariocas”, São Clemente e Paraíso do Tuiuti, Na disputa da São Clemente de 2015, chegamos à GRANDE FINAL no grupo especial, foi o ápice da minha carreira como compositor. No carnaval de 2015 também, ganhamos sambas nos grupos de Acesso B e C do Rio de Janeiro, Unidos de Vila Kennedy (Premiado com o Troféu Ziriguidum) de melhor samba do Grupo B em 2015, e Arrastão de Cascadura.

Momentos especiais que não teriam acontecido se, em 2009 eu não tivesse conhecido com um garoto acanhado, que como eu, estava pela primeira vez na disputa de sambas, da maior escola de samba do planeta, Estação Primeira de Mangueira, conversamos rapidamente, trocamos algumas ideias, e anos depois o destino colocou novamente Thiago Meiners no meu caminho. E graças à vontade, talento e amizade que construímos, começamos uma grande parceria que hoje é uma forte amizade. Na qual temos outros grandes amigos que trabalham junto pelo o “samba perfeito”.
Em São Paulo me aventurei por X-9 Paulistana em 2012 e Tom Maior e Independente em 2015, chegando às fases finais dessas disputas.


Mais em 2016 o foco é total em São Paulo e Rio de Janeiro, aonde iremos com força total nas disputas, com uma estrutura melhor dentro da parceria, onde temos muita fé em ganhar algum samba por terras paulistas.

III – Em relações aos sambas enredos qual forma de escolha mais lhe agrada: Samba encomendado ou Festival de Sambas?

Para a oxigenação do processo de disputas de sambas enredo, acredito que a melhor forma é a disputa.

IV – Como está sendo a recepção e as disputas de samba RJ e SP elas se diferem daqui da capital?

Anos anteriores foi bem tranquilo, pois como citei fui fazendo amizades, e mostrando meus trabalhos feitos aqui na Região Sul, Porto Alegre, Canoas, Novo Hamburgo, Uruguaiana, até trabalhos que tenho em Artigas no Uruguai, onde há três anos tenho o prazer de compor os sambas da Emperadores da Zona Sur, atual campeã da cidade, e com samba nota máxima.

No fim, vi que o samba é universal, em toda parte pode se fazer um samba de qualidade, e me identifiquei muito com o pessoal “lá de cima”. Nos dias de hoje, já “rola” uma rivalidade com alguns compositores em determinadas escolas, não comigo, mais sim com a parceria. E o que difere as disputas são os gastos e o tempo empregado, pois são muito mais caras, e muito mais longas as disputas.

V – Relatando seu trabalho aqui no sul, o Compor-Rs como está andando este projeto?

Hoje posso falar que a COMPOR-RS, é uma realidade! Depois de 8 anos, conseguimos legalizar toda a documentação de nossa associação, em 3 meses de administração, acredito que o foco está sendo alcançado, valorizar e unir os compositores.

VALORIZAÇÃO: Temos muito a agradecer a administração da LIESPA, que entendeu e acreditou no projeto, nos dando todo o suporte que até então, não tínhamos!

UNIÃO: Conseguimos deixar as “rivalidades” de lado, para lutar pela causa, acredito que mais compositores vão aderir, pois estão assistindo o que está acontecendo, e sabem que o projeto é bem intencionado. Como diz o nosso slogan, estamos COMPONDO O FUTURO.

VI – Por fim, Se puderes deixar uma mensagem para povo carnavalesco em relação aos próximos desfiles aqui do sul do país.

Ao povo carnavalesco o que deixo de mensagem é que, temos que ser mais unidos e pensar sempre no projeto carnaval, e não nas vaidades pessoais, pois sem o carnaval não existe o “pessoal” ninguém é maior que o pavilhão da escola de samba, é o que vejo como grande aprendizado que temos que ter em nosso carnaval.  Aproveitando a oportunidade, gostaria de falar que uma escola de samba que não faz o social, não investe no seu futuro. Um bom carnaval a todos e para finalizar espero que, o desfile de 2016 supere os desfiles de 2015.