quinta-feira, 11 de junho de 2015

Perfil especial: Ramão Carvalho

Como todos sabem no mês de Junho o Setor 1 está completando 2 anos. Ao longo de todo este mês vamos estar publicando Perfil’s especiais com os integrantes da equipe Setor 1. Vamos conhecer um pouco mais do colunista Ramão Carvalho, que assina a coluna “Ouvindo Histórias...




Nome: Ramão Carvalho
Idade:
38
Naturalidade:
Porto Xavier-RS
Função no carnaval:
Mestre Sala, Jurado, instrutor de dança e “Temista”
Profissão:
Técnico da Qualidade e Professor de História

Religião: Umbandista e Batuqueiro de Cabinda
Estado Civil:
(   )Solteiro   ( X )casado   (   ) namorando  (   ) enrolado   (    ) a procura
Escola que começou: Unidos da Feitoria (extinta).
Escola por onde passou: Unidos da Feitoria, Império do Sol, Imperadores do Samba, Unidos do Guajuviras, União da Tinga, Salgueiro de Esteio, Cruzeiro do Sul de NH, Estação Primeira de São Léo e Apito de Ouro...

Escola que está:
Estação Primeira de São Léo (mestre sala) e Imperadores do Samba (temista).
Escola do coração: Divido-me em 3, Imperadores do Samba, Império do Sol e Estação Primeira de São Léo

Se não ocupasse a função que ocupa no carnaval, o que você seria? Diretor de Carnaval.


Profissional do carnaval gaúcho que você admira: são tantos, admiro quem leva a sério o carnaval, desde os baluartes da velha guarda até os novos talentos...da admiração aos profissionais e dos carnavalescos natos, sempre observei muito... mas tenho que confessar: no mundo da dança, aprendi a primeiro “copiar”... Não tenho vergonha de dizer isso, até porque, em minha opinião, acho e acredito que é uma primeira fase de/no aprendizado no mundo do carnaval. Quando iniciei nos desfiles de carnaval eu brincava em alas, mas eu queria ser passista, porém logo depois, fui envolvido pela nobre e aristocrática dança do samba. As dificuldades de aprender esta arte eram imensas (quando comecei a arriscar passos de mestre sala, não havia escolas de ensino/aprendizado, como acontece no Padedê do Samba, por exemplo). Assim, destaco não um, mas sim dois, uma dupla de profissionais, muito importantes para a minha vida no samba, e que, nunca escondi que já os copiei... Eles são a minha preferência, admiração e referência: Isabel Cristina e Alexandre Barbosa. Estes dois foram meus referenciais no inicio da minha carreira e até hoje.

Um carnaval inesquecível: 2009, quando desenvolvi um enredo muito difícil– sobre a superação dos deficientes físicos, realizamos 100% das fantasias da escola que no ano anterior fora rebaixada. Defendendo dois quesitos, enredo e mestre sala e porta bandeira, vencemos o grupo de Acesso e subimos para o Grupo Especialdo carnaval de Porto Alegre.

Uma palavra:
Amor
Um sonho:
Viver no campo ou na praia
Um programa de TV:
History
Um filme:
Cleópatra (Elizabeth Taylor)
Um amigo ou amiga:
Paulo Quevedo, Geraldo e Gisa Peroni
Uma música:
Qualquer uma de Maria Bethânia
Um defeito:
Impaciente
Uma qualidade:
Querer sempre melhorar...

O que você vê de certo no carnaval: carnavalescos buscando qualificação. Destaco o trabalho dos projetos os dos cursos, as iniciativas e pioneirismo dos que anseiam em se desenvolver e buscar conhecimento (CETE, AJUCEPERGS, Bailado, Padedê, JC, UDESCA, ASDIBA... e tantos outros).

O que você vê de errado no carnaval: A falta de recursos financeiros, pois impacta em todos os segmentos do carnaval.


Uma história de carnaval: ... o carnaval de cada ano nos reserva muitas histórias, acredito que seja exatamente por isso que estamos envolvidos nestas idas e vindas de tudo que envolve o carnaval. Estas movimentações, este entusiasmo, estes sonhos e expectativas é que nos causam uma adrenalina renovadora e que nos envolve anualmente.

Verifico que de todos os desfiles, estreias, ensaios, trabalhos, fantasias, coreografias, enredos novos... vem sempre aquela sensação de “frio na barriga”, penso que é exatamente isso que nos faz renovar, repetir, continuar... procuramos esta sensação, pois o Desfile do Carnaval e tudo que o antecede são momentos irrepetíveis, inesquecíveis e únicos.

De todas as minhas an-danças, destaco como uma história marcante de minha vida e do carnaval a ida para São Paulo como jurado. Com o convite e a coordenação de Isabel Cristina, que com maestria nos ofereceua difícil tarefa de julgar o belo carnaval paulistano.

Foi pura emoção e satisfação. Um desafio pessoal e profissional. Conto aqui como fizemos para levar a sério esta atividade de grande responsabilidade. Ficávamos todas as madrugadas estudando o quesito com Sayonara Pontes, Michelle Lima, Edson Garcia, Gudy Lopes e Eliane Sousa (depois somaram Silvia Barreto e Oldair), sempre orientados por Isabel. Fazíamos isto, de cruzar a noite comentando, discutindo, verificando escritos, orientações e o regulamento, para que, quando chegassemos desfiles, não estranhássemos as noites inteiras dentro das cabines de julgamento.

Confesso que ao chegar ao sambódromo, aquela sensação de estar em uma desfile sendo julgado era a mesma. A cada escola que passava, a cada pavilhão aberto, era como se estivesse eu ali, defendendo aquela bandeira, apresentando os símbolos e conduzindo a porta bandeira. O pensamento que tinha a cada casal que se apresentava, era de que “tudo ocorresse certo com eles”... foi uma experiência sem precedentes, realmente um grande acontecimento que servirá de experiência para toda a minha vida!


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