quarta-feira, 13 de maio de 2015

13 de Maio - Falsa Liberdade!


Hoje, 13 de maio. Dia paralembrar de nossos antepassados que sofreram, penaram e morreram sonhando com um mundo melhor, mais igualitário e menos cruel.
Poderíamos ter muitos motivos para comemorar a “Lei Aurea”... assinada em 13 de maio de 1888, definindo que nenhum homem poderia escravizar outro no Brasil.

Há quem comemore o Dia da Liberdade, o Dia da Libertação, o Dia do Negro, ou o dia dos Pretos Velhos...

“[...] Será...Que já raiou a liberdade, ou se foi tudo ilusão [...] Será... Que a lei Áurea tão sonhada, a tanto tempo imaginada, não foi o fim da escravidão...[...]”

O samba clássico de 1988 da Estação Primeira de Mangueira para homenagear os 100 anos da abolição era uma crítica em forma de poesia, da realidade do negro no Brasil.

“[...] Senhor... Eis a luta do bem contra o mal, que tanto sangue derramou, contra o preconceito racial...[...]”


Porém a luta e a bravura contra o preconceito no Brasil permanecem... Se de uma maneira geral e oficial, a escravidão acabou, porém o sofrimento continua... O negro, o pardo, o mestiço, o mulato... todos recebem um tratamento diferente em locais públicos, um salário inferior...enfim, podemos ainda perceber que negros e brancos não estão em pé de igualdade nos dias de hoje.

Os “não brancos” ainda sofrem muito com o preconceito, pois são descritos, estereotipados e identificados com tudo aquilo que há de “negativo”, de ruim, que “denigre”. Para grande parte da nossa população, quanto mais escura a pele, maior o cuidado com a carteira. Quanto mais escura a pele, maior a exigência de conhecimento, maior o rigor com qualquer erro de português.

E o samba da Mangueira nos dá mais um ensinamento em forma de alerta:

“[...] ...Hoje dentro da realidade, onde está a liberdade, onde está que ninguém viu [...] Moço, não se esqueça que o negro também construiu as riquezas do nosso Brasil [...]”

O preconceito contra os pardos e negros é uma coisa muito burra, é um “auto-preconceito” contra a brasilidade, uma vez que todos no Brasil são mestiços, não há nenhuma etnia “pura”, não há divisão de raças, pois a raça é única, é a raça humana!


Historicamente, o negro, apesar da barbárie que lhe foi imposta, que, trazido a força da África para ser escravizado, ajudou e muito na construção do Brasil. Labutou nas plantações do café, nas minas de ouro e diamante, nas plantações da cana de açúcar, na pecuária, nas charqueadas.. com muito sofrimento, apanhando, gemendo e chorando, aguentou os castigos e conseguiu vencer todas as atrocidades.

A professora Eliane Santos Souza, certa vez nos fez refletir sobre os maus tratos atribuídos aos negros velhos, os nossos pretos velhos. Dizia ela que os negros quando velhos, muito velhos e já sem forças e serventia para o trabalho, eram jogados para o lado de fora das senzalas para esperar a morte. Porém, fortes de pensamento, mantiveram suas tradições, repassaram sua sabedoria e seus conhecimentos aos mais jovens, o que garantiu que conhecêssemos nossa cultura hoje.

A grandeza destes antepassados, que apesar de todo o sofrimento que lhes foi imposto, voltam hoje nos terreiros e nos centros religiosos para dar conforto, promovendo a caridade e a cura através de sua energia benevolente.
Há também os “nossos pretos” velhos das Escolas de Samba, responsáveis pela história de nossas agremiações, que lutaram em tempos difíceis para por a escola, bloco ou tribo na rua. Que batalharam em prol de nossas cores, e que hoje não são tão valorizados quanto deviam...

Por tudo isso, é que vale lembrar e saudar os nossos pretos velhos!


FONTES:
NOGUEIRA, Oracy. Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem. Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 19, n. 1, p. 288, 1955.
Racismo no Brasil: percepções da discriminação e do preconceito racial no século XXI. Editora Fundação Perseu Abramo, 2005.
http://www.academiadosamba.com.br/passarela/mangueira/ficha-1988.htm
http://nilorosa.blogspot.com.br/2010/04/livre-do-acoite-da-senzala-preso-na.html

Relato oral da professora Eliane Santos de Sousa. Mestre em Ciência da Arte / UFF UNI - Estácio de Sá