sexta-feira, 13 de março de 2015

Projeto Bailado retoma atividades neste sábado



Neste sábado (14), acontece a retomada do projeto Bailado, a escola de formação de mestre-sala, porta-bandeira e porta-estandarte, capitaneada por Chula Silveira. O mestre-sala (que ainda nesta semana acertou sua ida para a Academia de Samba Praiana, junto com a porta-bandeira Priscila Abreu – clique AQUI), conversou com o Setor 1 sobre o trabalho do Bailado e a contribuição para o carnaval.

SETOR 1: COMO COMEÇOU O PROJETO BAILADO?
CHULA: O Bailado começou a partir de uma ideia minha, lá na Estado Maior da Restinga, em 2010. Eu ia pra quadra aos sábados mais cedo, antes do ensaio, e pegava o casal mirim da escola, que o mestre-sala é o Gabriel, que hoje é o segundo da escola, e ensaiava com eles, ensinava. Eles eram a minha isca, digamos assim, para conseguir trazer mais crianças para dentro da quadra e participar do projeto. E dali a ideia foi se fortalecendo, o grupo cresceu e a gente foi firmando o trabalho, viajamos para outros lugares, enfim, o projeto ganhou vida.

SETOR 1: E COMO VAI FUNCIONAR ESSA RETOMADA DO BAILADO, DESTA VEZ COM A PARCERIA COM O SATÉLITE PRONTIDÃO?
CHULA: A parceria com o Satélite já é antiga, porque eu fui duas vezes presidente do grupo jovem desta sociedade. Eu já fui jovem (risos) e eu moro perto da sede nova do Prontidão. E aí eu já estava há algum tempo procurando um espaço para retomar o Bailado e por coincidência eu passei por aqui num dia e encontrei o vice-presidente, que é meu amigo de infância e unimos o útil ao agradável, porque o Prontidão está se reestabelecendo. Desde que eles saíram da sede antiga, a associação meio de que deu uma parada, tem gente que acha até que fechou. E então com o Bailado vindo pra cá, a gente também vai buscar reativar o nosso projeto e o Prontidão.

SETOR 1: COMO FUNCIONAM AS AULAS DO BAILADO? QUEM PODE FAZER AS AULAS?
CHULA: No Bailado a gente dá preferência para crianças, preferencialmente a partir dos 8 anos de idade. Mas como a gente já tem alunos que já estão trabalhando no carnaval, muitos amigos que também gostam de participar, é tranquilo, a gente recebe... Mudou um pouco da forma como a gente fazia na Restinga, que era até um pouco amadora. Agora a gente vai buscar organizar bem mais as aulas, frequência de alunos, que deverão usar o uniforme... A gente não cobra inscrição, mas o aluno precisa estar uniformizado, que é no caso usar a camiseta do projeto.

SETOR 1: O BAILADO É UMA IDEIA TUA QUE POSTERIORMENTE, TU LEVASTE PRA RESTINGA...
CHULA: Sim, uma ideia minha que eu levei para escola. Depois que eu coloquei “bailado do Cisne” e aí passou a ser uma parceria minha com a escola também. Aí eu chamei a Priscila Abreu, minha parceira, e a Tatielle Faria (estandarte), para me ajudarem no projeto. E elas estão comigo até hoje.

Chula e Priscila são instrutores no Bailado. 
Foto: reprodução arquivo pessoal Chula Silveira


SETOR 1: QUEM MAIS IRÁ MINISTRAR AULAS NO BAILADO?
CHULA: Aqui agora vamos continuar Tatiele, Priscila e eu. E nós contamos com o apoio da Cíntia Machado (porta-bandeira), Leonardo dos Santos (mestre-sala), Escobar (bailarino), Rejane Pérola Negra (porta-estandarte). Por enquanto é esse grupo e dependendo da demanda a gente pode dar uma acrescida para atender a todos que vierem participar. As aulas serão sempre aos sábados, das 15 às 18 horas.

SETOR 1: TU CHEGASTE A POSTAR, EM TUA REDE SOCIAL, QUE 2015 SERIA TEU ÚLTIMO ANO DE DESFILE, MAS QUE, EM RESPEITO A UM PEDIDO DA TUA PARCEIRA, A PRISCILA ABREU, VOCÊS AINDA IRÃO DESFILAR MAIS UM ANO NA AVENIDA, EM 2016. INDEPENDENTE DE DESFILAR OU NÃO, A IDEIA É MANTER O PROJETO BAILADO, COMO UMA FORMA DE ASSESSORIA, DE FORMAÇÃO DE NOVOS DESTAQUES NO CARNAVAL OU ISSO VALE APENAS ENQUANTO ESTIVERES DANÇANDO?
CHULA: Com certeza, o projeto Bailado seguirá mesmo eu dançando ou não. E agora, eu e a Priscila, acertados com a Praiana, também pretendemos fazer projetos na Praiana. E também já iniciamos as oficinas no Renascer da Esperança, na Restinga, com aulas de mestre-sala, porta-bandeira e porta-estandarte lá. O que a gente pensa? Nós pretendemos ser os fornecedores de talentos para o carnaval. Porque eu entendo que a renovação é necessária em qualquer ramo, atividade, e na nossa área não é diferente. Então nós buscamos trazer a renovação, mas com qualidade... Eu gosto de estar no meio dos jovens, sou amigo dos amigos dos meus filhos, que também fazem parte de um grupo de carnaval, o JC (Jovens Carnavalescos) e por eu ser o amigo eu também sou maior crítico deles, porque eles precisam também saber respeitar quem já está na dança e ter respeito por aqueles que dançaram, que abriram as portas para que hoje eles pudessem fazer o que fazem nas quadras, na avenida. É preciso conhecer e respeitar a história de cada um.

SETOR 1: A VALORIZAÇÃO DA HISTÓRIA, DE PESSOAS QUE TAMBÉM DANÇARAM, NO CASO, É UMA DAS AULAS QUE O BAILADO PRETENDE TRAZER PARA OS ALUNOS ENTÃO...
CHULA: Exatamente. Nós teremos um espaço aqui, onde a gente pretende convidar destaques que dançaram no carnaval, mas que dançaram até antes de mim, do Alexandre Barbosa, do Zé Cartola, sabe? Gente que realmente nos inspirou para que nós pudéssemos mostrar o nosso trabalho também. Porque às vezes o destaque está dançando e não sabe, não conhece que quem está olhando ele ali já foi um mestre-sala, uma porta-bandeira..  Hoje infelizmente existe muito essa questão do “eu já sou”, e isso não pode existir. É preciso fazer e muito para ser! É importante valorizar a história.

SETOR 1: E COMO O CHULA COMEÇOU NO CARNAVAL?
CHULA: Eu comecei, coincidentemente ou não, na década de oitenta, na escola onde eu vou, em 2016, fazer meu último desfile como mestre-sala, na Academia de Samba Praiana. A primeira escola que eu desfilei na minha vida, em 1980. Com o tempo, eu montei uma ala coreografada, chamada Filhos de Oxum, porque a gente queria rivalizar com o Afrosul, que saía em várias escolas. E aí nós também saíamos em várias escolas, na década de noventa e tal. E nossos ensaios eram na quadra do Copacabana, onde a gente montava as coreografias pra fazer nos desfiles das escolas. E aí num dia, lá na quadra, tinha uma menina dançando com um cabo de vassoura apoiado na cintura e eu cheguei perto e dancei com ela. A presidente do Copacabana, na época, a dona Zilá, chegou pra mim e pediu para eu voltar à noite na quadra, de calça branca. E de noite, para minha surpresa, eu fui anunciado primeiro mestre-sala do Copacabana, ao lado da Dalvenice, que hoje é presidente da escola. Estreei na surpresa (risos) mas a partir daí, a carreira foi crescendo e estou até hoje.

O Setor 1 agradece ao Chula pela entrevista e relembra que o projeto Bailado começa neste sábado (14), a partir das 15 horas, na sede da Associação Satélite Prontidão, que fica na Rua Alberto Rangel, 528, Parque dos Maias.