segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O que rolou na Muamba Oficial de Porto Alegre



Na sexta-feira e no sábado (6 e 7 de fevereiro), o Complexo Cultural do Porto Seco foi palco para a muamba oficial do carnaval de Porto Alegre. Os ensaios técnicos das escolas de samba receberam um bom número de público e pouco se viu com relação a atrasos nos desfiles. 

Veja agora um resumo dos ensaios das 16 escolas que passaram pela avenida nestes dois dias, sendo 6 do Grupo A (Realeza, Unidos do Guajuviras, Academia de Samba Praiana, Unidos do Capão, Academia de Samba Puro e Império do Sol) e as 10 escolas do Grupo Especial (Estado Maior da Restinga, Acadêmicos de Gravataí, União da Vila do IAPI, Copacabana, Bambas da Orgia, Unidos de Vila Isabel, Embaixadores do Ritmo, Imperadores do Samba, Império da Zona Norte e Imperatriz Dona Leopoldina).

A NOITE DE SEXTA



REALEZA

A Realeza abriu a muamba oficial do carnaval na sexta-feira. A escola, que foi campeã do Grupo de Acesso em 2014 e que chega para disputar o Grupo A em 2015, levará para a avenida o enredo falando sobre a Comissão de Frente. O quesito em homenagem, abriu o desfile da escola como de praxe, com uma coreografia bem ensaiada dentro do samba enredo da escola. A bateria de Mestre Lipo deu show, mantendo o andamento do samba e animando a passarela, mesmo com o público nem tão numeroso no início do evento.

O samba enredo  foi muito cantado pelos componentes, embora a escola não viesse numerosa para a avenida. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius Souza e Jana Rodrigues aproveitaram a oportunidade para ensaiar a apresentação em frente à cabine de jurados e o fizeram com competência. Ausências sentidas no desfile da Realeza foram de suas portas-estandartes. Apenas os casais de mestre-sala e porta-bandeira empunhavam o pavilhão da escola.

UNIDOS DO GUAJUVIRAS

Trazendo tema afro para a avenida, o Guajuviras (5ª colocada no Grupo A em 2014), trazendo a comunidade de Canoas para a pista. Porém, o samba da escola, cantado pelo intérprete Rycardinho Rodrigues, não foi sentido em sua totalidade no desfile da escola, sendo cantado fortemente apenas nos refrões.

Leandro Chuca e Anelise Lopes, o 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, muito bem trajados, fizeram seu ensaio técnico com segurança, apresentando-se em frente aos módulos de julgadores. A bateria Cadência da Nação, regida por Mestre Nado foi um dos pontos altos do desfile do Guajuviras, bem ensaiada nas paradas e breques com batidas afro.

ACADEMIA DE SAMBA PRAIANA

A verde e rosa, que levará a magia das cores para a avenida, chegou disposta a fazer um ensaio técnico de verdade, trazendo ônibus para simular o espaço das alegorias no desfile. A Praiana, 3ª colocada no Grupo A em 2014, levou muitos componentes para a passarela. O belo samba enredo, interpretado por Robinho Sorriso, não foi muito cantado pelos integrantes da escola ao longo do desfile.

Laura, 1ª porta-estandarte da Praiana, e Marcelinho e Hélida, casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, foram destaques. O trio, carregando os primeiros pavilhões da verde e rosa, além de bem trajados, demonstraram técnica e segurança na avenida.

ESTADO MAIOR DA RESTINGA

A tricolor da Zona Sul (3ª colocada em 2014), que terá Torres como enredo em 2015, chegou pisando firme no Porto Seco. Numerosa, a Restinga levantou a passarela, e assim como a Praiana, fez uso de ônibus para a simulação do espaço das alegorias. Os componentes da escola cantaram o samba, que fluiu bem na avenida.

O ponto alto do ensaio técnico da Restinga foi a bateria dos Tinguerreiros, comandada por Mestre Guto. Muito bem ensaiada e executando coreografias, os ritmistas da Restinga embalaram o desfile com muita precisão, sem deixar o andamento cair. Da primeira noite, foi a maior bateria que desfilou no Porto Seco. João Boff e Giza foram muito aplaudidos ao longo de sua passagem na avenida. A dupla, bem trajada, apresentou-se em frente aos módulos de jurados, buscando acertar todos os detalhes para o desfile da escola, no dia 13 de fevereiro.

ACADÊMICOS DE GRAVATAÍ

Quarta colocada em 2014, a onça negra de Gravataí, que em 2015 levará um tema abstrato para a passarela (“Eis que Tudo Transformei”, sobre a transformação do mundo através dos cinco sentidos), mostrou muita técnica em sua organização, principalmente na evolução da escola. É válido destacar a harmonia da escola, liderada por Lú Astral, que segue mantendo um trabalho firme na escola. O andamento do samba, porém, oscilou na avenida, embora os componentes o cantassem. A escola veio gigante para a pista, sendo uma das que mais integrantes levou para a muamba.

Alexandre Pereira e Andreísa, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, vieram com a fantasia do desfile de 2014, para justamente testar a coreografia da apresentação com o peso e com a dinâmica que haverá no desfile da escola. Mestre Jr Aruanda novamente ousou com a coreografia da bateria, que mexeu com o público nas arquibancadas e camarotes, mostrando que no desfile oficial, os ritmistas da onça prometem fazer bonito.

UNIÃO DA VILA DO IAPI

A tricolor da zona norte, vice-campeã em 2014, foi a sexta escola a se apresentar na muamba. Cantando a juventude do Brasil, a União da Vila do IAPI com a presença de Tinga, que novamente será um dos interpretes da escola para o carnaval. O samba do IAPI foi pouco cantado pelos componentes da escola, que trouxe um bom número de integrantes para a avenida. A bateria 4D da Vila agitou a avenida, mantendo constante o desfile da escola.

A ala de passistas do IAPI mostrou muito samba no pé. Destaques do ensaio, os casais de  mestre-sala e porta-bandeira da Vila do IAPI chamaram atenção do público. O primeiro, Gustavo Tiriri e Suelene Neves foram muito aplaudidos, principalmente pela ousadia: o mestre-sala apresentou-se juntamente com um skate, fazendo alusão ao enredo da escola. Já o segundo casal, enquanto a porta-bandeira Tamy dançava, o mestre-sala Fábio grafitava a roupa dela em plena avenida.

COPACABANA

Campeã do Grupo A em 2014, a Copacabana chegou na muamba disposta a fazer um ensaio correto e se preparar bem para o desfile oficial. Falando sobre o Pará, a escola da sereia teve dificuldades em manter o canto dos componentes na avenida.

A bateria, comandada por mestre Eliezer, fez o seu trabalho, mantendo a sustentação do desfile da escola. A comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Dayane Machado e Aderson dos Anjos foram destaques também no ensaio técnico da azul e rosa.

BAMBAS DA ORGIA

Encerrando a primeira noite de desfiles da muamba, o Bambas da Orgia (5ª colocada em 2014), chegou na avenida trazendo a águia, símbolo da escola, à frente do desfile. Cantando a Bahia em 2015, o samba da escola foi bem executado pela Harmonia e o canto foi constante entre os componentes da azul e branco.

A chuva que caiu ao longo do ensaio, não prejudicou o desempenho da escola, que se mostrou organizada. Destaque para Evandro e Fabiana, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, premiados em 2013 e 2014 com o Estandarte de Ouro. A dupla novamente mostrou técnica e beleza em seu bailado, principalmente diante dos módulos de julgadores.

A NOITE DE SÁBADO

Imperadores do Samba levantou avenida em seu ensaio. Foto: Israel Ávila.

UNIDOS DO CAPÃO

Vice-campeã do grupo A e 2014, o Capão abriu a segunda noite da muamba oficial. A vermelho e branco de Sapucaia do Sul em 2015 homenageia o ídolo colorado Fernandão. A comissão de frente foi um destaques da escola, bem coreografada por Saulo Silva.

Márcio Kremer e Kizzy Pereira fizeram as apresentações em frente aos módulos de jurados e mostraram que estão em sintonia para o desfile. A bateria Ritmo do Tigre levou bem o samba da escola, que embora tenha se apresentado com poucos componentes, teve o canto firme e constante.

ACADEMIA DE SAMBA PURO

A Samba Puro, que retorna ao Grupo A após o rebaixamento em 2014, levou poucos integrantes para a muamba, mas mostrou qualidade em seus quesitos. O destaque do ensaio técnico da escola do Morro da Maria da Conceição, foi o perfeito casamento entre a tríade bateria-harmonia-samba. Paulinho Durão conduziu bem o samba da escola, que foi cantado por todos os componentes.

A bateria de mestre Krlinhos foi muito aplaudida, trazendo a levada clássica da escola e fazendo paradinhas e coreografias ao longo do desfile. Destaque também para os passistas, Diego e Carla, que mostraram muito samba no pé na passagem da escola, que falará sobre Santa Sara, a santa dos ciganos, em 2015.

IMPÉRIO DO SOL

Cantando o município de Santo Antônio da Patrulha, o Império do Sol (4ª colocada no Grupo A em 2014), foi a terceira escola a se apresentar na muamba. A escola, que trouxe um bom número de desfilantes, teve dificuldade em manter o canto e a empolgação dos componentes ao longo da avenida.

Rafael e Jéssica, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, também apresentaram-se com a fantasia do desfile anterior, para testar a apresentação em frente ao módulo de julgadores e o peso da roupa ao longo do desfile. Em 2014, a dupla foi o único quesito com nota máxima da escola.

UNIDOS DE VILA ISABEL

Cantando os 450 anos do Rio de Janeiro, a Vila Isabel chegou numerosa no Porto Seco. O samba da escola (8ª colocada em 2014), interpretado por Anderson Luís, foi cantado pelos componentes. A escola apresentou pequenos problemas na evolução, com claros em algumas alas e também na entrada da bateria no recuo.

A bateria, comandada por Sandro Gravador, foi um destaque à parte da escola, levantando o público na avenida. Adriano e Natielle, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, acompanhados de Chula, o pai da dupla, mostrou competência no ensaio, principalmente diante das cabines de julgadores.

EMBAIXADORES DO RITMO

A vermelho e branco, que cantará a sustentabilidade em 2015, entrou na avenida renovando o contrato com o carnavalesco Kiko. Mostrando um bom trabalho de Harmonia, o samba foi cantado por todo o corpo da escola. Um dos destaques da Embaixadores foi o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Robson e Nathy. A dupla apresentou-se com energia e técnica diante das cabinas de julgamento, mostrando perfeito entrosamento e sincronia.

A bateria Guerreira, comandada por Mestre Joubert também foi um dos pontos altos dos Embaixadores, conduzindo bem o desfile da escola. Pequenos erros de evolução foram constatados e corrigidos pela coordenação da escola, que terminou seu ensaio sem maiores problemas.

IMPERADORES DO SAMBA

De longe, a atual campeã do carnaval foi a maior escola que desfilou na muamba de 2015. A Imperadores trouxe seus componentes cantando calorosamente o samba da escola, com muita empolgação. Bateria e Harmonia mantiveram o perfeito entrosamento e a vermelho e branco desfilou mostrando que está trabalhando firme pelo bicampeonato, quando falará sobre os opostos na avenida.

A escola apresentou-se divida nos setores do desfile, com placas identificando espaço das alegorias e alas bem coordenadas. A coordenação também tomou cuidado para que nada atrapalhasse a evolução da escola, fazendo uma linha de contenção do famoso “arrastão” ao final do desfile. Um fato interessante foi a segunda porta-estandarte, Fê Selbak, que desfilou sem o seu pavilhão, já que ela precisou entrega-lo à 1ª porta-estandarte, Elisandra, pois o 1º estandarte da escola não havia chegado à concentração no desfile.

IMPÉRIO DA ZONA NORTE

Com o intérprete Wantuir dando o grito de guerra, o Império da Zona Norte foi a penúltima escola da noite a se apresentar na muamba. Cantando a Nigéria no carnaval de 2015, o Império trouxe um bom número de componentes, porém, o canto da escola não foi sentido em sua totalidade, tornando-se forte apenas nos refrões.

Nona colocada em 2014, a escola se renovou para 2015, buscando, entre outros reforços, Mestre Chiquinho, que conduziu a bateria Febre Amarela com muita competência, aliada à sua experiência de avenida. Visivelmente emocionada, a primeira porta-estandarte, Gabriela Moacyr, recebeu muitos aplausos em sua passagem na avenida.

IMPERATRIZ DONA LEOPOLDINA

Encerrando a muamba oficial de 2015, a Imperatriz Dona Leopoldina (7ª colocada em 2014), levou muitos integrantes para a avenida, para cantar Cuba, o enredo da escola para este carnaval. Alexandre Belo, intérprete que retorna à casa, conduziu bem o samba da escola, cantado por todos os componentes. A Bateria Laranja Mecânica, comandada por Douglas Breque, manteve o bom desfile da escola, realizando paradas e retomadas bem ensaiadas.

Chula e Priscila, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, apresentaram-se com técnica e elegância diante da cabine de jurados. Izaura Melo, que estreia como primeira porta-estandarte da Leopoldina, recebeu muitos aplausos em sua passagem pela passarela. Muito bem vestida, a destaque carregou com competência o pavilhão da laranja e preto da zona norte.