terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Setor 1 na minha quadra : União da Vila do IAPI


Embora a segunda feira não seja um dia habitual para “fazer festa” a União da Vila do IAPI vem provando o contrário nos últimos anos. Tradicional escola de samba de Porto Alegre, embora a União não esteja mais no espaço físico da Vila do IAPI, a tricolor da Zona Norte uniu as comunidades: a antiga e a nova, em um convite eternizado em um samba da escola: Vem ser Vila por amor!

Com um décimo trancado na garganta que a separou do título de 2014, a escola vem com tudo para o próximo carnaval apostando na juventude como fonte inspiradora de seu enredo.  O samba composto por Rafael Tubino, Gustavinho Oliveira, Thiago Meiners, Victor Alves e Léo do Paysa tem agradado a comunidade da escola e está na boca dos integrantes do trem da alegria.

Presidente quer título


Durante uma das pausas do ensaio o presidente Jorge Sodré fez um discurso inflamado dizendo que sem dúvidas, e se dependesse do esforço dele, a Vila seria campeã do carnaval 2015:

“Temos 7 quesitos muito bem elaborados e vamos aperfeiçoar o oitavo. A Vila tem mão de obra na mão de gente gaucha e não compra nada pronto ... Estamos em busca do nosso tão sonhado título...Tenho um ótimo samba, uma harmonia perfeita, uma bateria e um casal que dispensa comentários. Os carnavalescos estão a mil com as fantasias e as alegorias... neste ano a Vila e todos nós seremos campeões!”

Bateria quer mais um quarteto de notas dez


Não é de hoje que a bateria da União da Vila do IAPI da um show a parte. De nome “Coração da Vila”, passou a ser chamada de 3D, pelas notas máximas alcançadas nos primeiros carnaval e agora 4D, com o aumento de uma cabine de julgadores onde os ritmistas também obtiveram a nota 10. Aliás, desde que Mestre Boneco assumiu a ala de ritmistas da escola as notas tem sido sempre máximas, e o resultado sempre satisfatório para os torcedores da entidade. Na ficha técnica de 2015 a bateria da tricolor da Zona Norte terá 242 ritmistas, 12 diretores de bateria e 3 coordenadores de bateria.

Segundo Mestre Boneco o histórico de boas notas facilita no trato com a escola, que passa a acreditar mais no trabalho dos ritmistas e a investir no que se diz respeito a eles.

“Tivemos a dificuldade de ter sido a ultima escola do especial a pegar o samba 2015, mas estamos contornando isso com incansáveis ensaios e discussão entre os diretores para que possamos realizar boas bossas sem comprometer o trabalho. Somos todos um bando de louco que não tem medo de ousar. Meus ritmistas são guerreiros. A cobrança é grande e as vezes até chega ser desconfortável, mas eu acredito na minha bateria!” – diz Mestre Boneco

Entrosamento, cumplicidade e amor pelo pavilhão


Enquanto se preparavam para o show o casal Gustavo Tiriri e Suelene Neves conversavam com o Setor 1 como se estivessem na sala de estar de suas casas. Muito a vontade, este é um dos casais que teve mais carnavais consecutivos na Vila, sendo 2015 o quarto ano de ambos conduzindo o pavilhão da escola.

“Do primeiro para o quarto ano a maior diferença é a sintonia. Dedicação entrega e cumplicidade. Agora a gente se entende no olhar.” – diz a porta bandeira

Para Tiriri, a maior dificuldade para um casal é quando ambos não têm amizade, o que não é o caso deles. Segundo o mestre sala, a facilidade na dança é porque eles se entendem, se respeitam e amam o que fazem. Ambos são Vila do IAPI de coração e assumem isso, criaram uma identidade com a escola, e a escola, uma intimidade com o casal.

Fora o “pau de selfie” (brincadeira feita pelo casal com o mais novo brinquedo dos amantes das redes sociais), existem algumas novidades feitas para a avenida guardadas a sete chaves. Entre um papo e outro o mestre sala lamenta a vaidade excessiva entre os casais de mestre sala e porta bandeira.

“Gosto de que minha porta bandeira seja vaidosa, mas aquela vaidade de mulher não de rivalidade. Pra nós não cabe isso, queremos dar às notas máximas pra nossa escola, e não pra ser mais ou provar algo a quem quer que seja”.

Ao fim, perguntamos o que um gostaria de desejar ao outro e as respostas foram muito que parecidas: sucesso, vida longa no carnaval e se revelaram fãs um do outro. Um bate papo agradável e muito proveitoso com um dos mais queridos casais do carnaval.

Harmonia em harmonia


Conversar com Vilsinho Astral é certeza de falar com alguém que se encontra no seu melhor momento no carnaval. O canário que conduz os ensaios da Vila assumiu um dos microfones principais da entidade, o outro fica com Tinga, interprete carioca que também cantará no trem da alegria.

“A maior facilidade que temos é a condição de trabalho. Temos o melhor som das quadras de escola de samba e isso ajuda muito o interprete. Dividir o microfone com o Tinga é tranqüilo. Ele é um cara sem vaidade e isso nos habilita a realizar um trabalho mais a vontade e com mais dedicação.”