terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Os ídolos


O puxador de escola samba, termo discriminado pelo saudoso Jamelão, é um animador que comanda o “exército” que extravasa a sua alegria. Muitos desses intérpretes eternizam obras que ficam guardados nos corações carnavalescos.

Lembro-me de uma ocasião na quadra da Restinga quando em uma festa da bateria comandada pelo mestre Guto, ocorreu o encontro de quatro grandes intérpretes da escola.

Estavam no mesmo palco, Neusa Maria, que desfilou na escola no primeiro título em 1982, com o tema “Cassino da Urca”, Paulão da Tinga, responsável por cantar o samba campeão de 1987, título inédito no grupo Especial com o tema, Fantástica Odisséia do samba no mundo fantástico do sistema solar, Cláudio Barulho, que eternizou em 1993, o samba “Sete Pecados Capitais” e Paulinho Durão, que fez de tudo na escola e ainda segue na luta na Samba Puro.

Paulinho Durão, ainda na ativa na Samba Puro

Foi bonito de ver, as pessoas emocionadas ao assistir o quarteto cantando juntos relembrando grandes obras, mostrando que o Estado Maior da Restinga, não é simplesmente uma escola de samba, mas sim uma religião.

Esse episódio voltou a minha lembrança na última sexta-feira na Descida da Borges, quando a tricolor da zona sul, invadiu o centro da cidade para fazer um belo espetáculo.

É impressionante a maneira que o torcedor da escola trata os seus destaques com uma adoração que muitas vezes não tem limites.

Mas voltando aos intérpretes, talvez o próximo a fazer parte da galeria dos grandes nomes que cantaram na escola seja Renan Ludwig, ele que é prata da casa, conhece a comunidade como ninguém, é reverenciado pelo torcedor da escola como se fosse Deus. Após a apresentação da escola era de se admirar a procura de pessoas para falar com o intérprete. Mesmo trilhando em outros caminhos Renan voltou para casa recebido de braços abertos pelo seu povo e acredito que essa sintonia irá se perpetuar por muito tempo.

 Esse é um belo exemplo que os ídolos do carnaval merecem sempre a nossa reverência.