quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Consciência: Negra na prática e na fé!

A passagem do Dia da Consciência Negra poderia nos levar a ter diversos debates aqui em nosso site. Falar de casos de preconceito velado, da historia e luta do povo negro e também de toda injustiça que até hoje nos remetem a tudo o que passou cada um de nossos ancestrais. Mas não! Não vamos falar de nada disso.

Poderia também falar da alegria do povo negro a desfilar e sambar em suas escolas do coração, em ficarem envolvidos com o carnaval todos os dias do ano... mas a única ligação que consegui encontrar entre o personagem da nossa historia e o carnaval foi uma leve tendência a torcer para a Unidos de Vila Isabel, uma vez que o mesmo reside em Viamão.

Rodrigo Aruanda, 23 anos tem duas paixões: a capoeira e sua religião, ambas descendentes da cor que com orgulho ele carrega, a cor negra.

Incentivado pela mãe, que sempre lhe instruiu a fazer e praticar exercícios físicos, Rodrigo ingressou em um projeto de capoeira, que anos depois ele viria ser o professor, tamanha sua dedicação e empenho a aprender este jogo, praticado pelos escravos nas senzalas do Brasil. Sua grande inspiração, entre tantas outras, é o Mestre Babalu (Jorge Rodrigues). É a ele e a capoeira que o jovem mestre diz dever tudo que é hoje.


“Agradeço até hoje por ele ter acreditado naquele negrinho da vila, que era eu” – diz Rodrigo.

Rodrigo faz parte do GRUPO ARUANDA, que entre outras praticas, tens por habito ensinar a capoeira a crianças carentes, tirando-as das ruas no contra turno escolar, desativando o ósseo e fomentando a pratica de exercícios físicos. Do ano 2000 quando iniciou na capoeira até hoje, Rodrigo viajou e conheceu vários lugares aprendendo e ensinando esta arte.

Paralelo a isso Mestre Rodrigo tem outra paixão: seu orixá. Filho de Bará, o primeiro na ordem dos orixás na nação de batuque, e diz que desde pequeno se encantava pelas sessões de Umbanda. Sua mãe sempre teve fé, mas nunca quis compromisso, diferente de Rodrigo que dentro da religião encontrou outro fascínio, o tambor.
“Desde pequeno sempre gostei da religião. Chorava durante horas se minha mãe não me levava pra me benzer. Iniciei na Umbanda e me fascinava as crianças na terreira, as pessoas incorporados... era algo que vinha de dentro mesmo” – exclama.

Em 2007 jogou-se a fundo na religião. Filho e Mãe Iara do Xangô, Rodrigo aprontou-se de Ifá (búzios) e (Obé) este ano, o que já permite que possamos chamá-lo de Pai Rodrigo, embora não seja sua pretensão.

Rodrigo diz que não necessariamente as duas coisas tem ligação, uma vez que tem muitos alunos evangélicos  e católicos na capoeira na busca de um exercícios físico, mas que pra ele, a pratica do exercício ligado ao poder de sua fé foi a combinação perfeita para que se tornasse um ser humano melhor.

Rodrigo Aruanda e Mãe Iara de Xangô 

As duas paixões de Rodrigo também são as duas paixões de milhares de negros, brancos, amarelos e vermelhos por todo o país, o que não diminui a presença marcante do negro para que esta duas culturas (a capoeira e a religiosidade) pudessem chegar até cada um de nós.

Assim como Rodrigo, não precisamos jamais pregar a IGUALDADE se formos capazes de respeitar A DIFERENÇA de cada um. E que neste dia 20 de Novembro, você possa ter sua consciência limpa... e assim, um Feliz dia da Consciência Negra.