quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Morre Lourdes Rodrigues, a "Dama da Canção"

Foto: Reprodução Site Cirandar

Por Juninho do Porto 

Nesta noite, dia 22 de outubro do ano do centenário de Lupicínio, uma de suas maiores intérpretes calou-se. Aos 76 anos, a cantora Lurdes Rodrigues lutava contra problemas decorrentes da diabete e estava internada na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. O velório será na Câmara de Vereadores e o enterro, no Cemitério Jardim da Paz, ainda sem horário definido.

Lourdes nasceu em Santa Maria, mas ainda menina veio para Porto Alegre, onde trabalhou como professora em duas escolas estaduais, no cartório de propriedade de Flávio Pinto Soares (também compositor de sambas, inclusive do Estado Maior da Restinga) e trilhou sua carreira cantando nos bares da noite. Com um repertório voltado à música popular e ao samba, foi coroada como Dama da Canção por seu timbre grave, acentuado e suas interpretações marcantes.

Em sua trajetória de 62 anos gravou apenas dois discos: Utopia (1985), com músicas de Flávio Pinto Soares e Paulo Rogerius, e Dona Divergência (1999), com músicas de Lupicínio Rodrigues (a relação com Lupi era tão estreita que ganhou a tarefa de ser madrinha de Lupinho, filho do cantor) e outros clássicos da MPB, como "As Rosas Não Falam" (Cartola) e "Chão de Estrelas" (Orestes Barbosa / Silvio Caldas). Participou ainda do álbum Porto Alegre Canta Tango (1998).

Homenageada na edição de 2014 do Prêmio Açorianos de Música, Lourdes vivia com a pensão especial do Estado, conquistada em 2012, mas não abandonou os palcos. Ao lado do violonista Mathias Pinto seguia soltando a voz em diversas apresentações. Residia desde 2005 na praia de Imbé. Era viúva do ex-jogador colorado Ezequiel e deixa uma filha, cinco netos e oito bisnetos.