domingo, 5 de outubro de 2014

Infelizes surpresas nas urnas

Como já falamos muitas vezes o carro chefe do Setor 1 é certamente o carnaval, o que não nos impede de tratar de assuntos que interessem ao povo do samba, como racismo, homofobia, e tantos outros. Para falar sobre o “processo eleitoral” que ocorreu em todo o país, convidamos o estudante de direto Gilberto Morbach, 19 anos, que fez um texto exclusivo ao Setor 1, que você lê agora:

"Ação democrática, reação conservadora"

Por Gilberto Morbach

Segundo Luiz Carlos Heinze, índios, gays e quilombolas são "tudo que não presta". Heinze foi o deputado federal mais votado do Rio Grande do Sul. Jair Bolsonaro, personificação da intolerância na política brasileira, é o mais votado do Rio de Janeiro. Marco Feliciano, responsável pela “cura gay”, por sua vez, um dos mais votados de São Paulo. Levy Fidelix, presidenciável pelo PRTB, após um discurso de ódio em rede nacional, fez mais de 400 mil votos.

Esses números traduzem e carregam em si a resposta dos setores conservadores da sociedade brasileira frente aos recentes avanços na defesa dos direitos civis e humanos. Não há dúvida: para toda ação democrática e revolucionária, há uma reação reacionária.


Durante séculos, o combate à opressão das minorias foi praticamente inexistente. Não há muito tempo, acreditava-se piamente que o Brasil vivia uma democracia racial, que o casamento civil igualitário era uma ideia absurda e que era absolutamente normal que uma mulher com qualificações equivalentes ganhasse um salário menor que o de um homem. Acreditava-se que o brasileiro não é racista, nem machista, nem homofóbico. Nos últimos 10 anos, porém – e felizmente – esses mitos vêm, pouco a pouco e passo a passo, caindo por terra.

Ignorar um problema não faz com que ele desapareça. Então ainda que de maneira lenta, caminhamos, sim, rumo à democracia e à igualdade – e essa é parte da explicação para os números citados dessa eleição. Repito: eles nada mais são do que a resposta dos setores reacionários e opressores da sociedade aos avanços democráticos conquistados com tanta luta. E é essa mesma luta que não permitirá que esses políticos descansem do alto de suas posições conservadoras. Afinal, o melhor remédio contra a reação é sempre mais ação. Eles podem ter sido eleitos, mas na hierarquia social, a soberania é do povo. São apenas mais um obstáculo, a serem somados àqueles tantos que já vencemos. Um obstáculo e nada mais que isso – não vamos dar essa grandeza de presente a eles.

Enquanto isso no carnaval...

Por Israel Avila

Infelizmente (isso dito por mim, pois não posso falar em nome de nada) o carnaval do Rio Grande do Sul não elegeu Paulo Ferreira, candidato a deputado federal. Ferreira levantou sua bandeira abraçando a causa, um tanto desacreditada, dos carnavalescos de todo o Rio Grande do Sul. Também trouxe pra si o povo de terreira, o movimento negro, enfim, muitas das ditas minorias que tanto são desprezadas e esquecidas pelo poder público.


O slogan FALA E FAZ dado ao deputado (com razão, devido a tantas demandas alcançadas pela causa), foi exatamente o que o povo que ele escolheu para defender não fez, ou seja: FALOU E NÃO FEZ! De minha parte agradeço ao deputado pelo tanto que contribui para a cultura popular nos dois anos de mandato que lhe foram possíveis.  Lembro aqui que enquanto tivermos "meia dúzia" preocupado com seus interesses individuais e que não representam a vontade de seu povo (ou o órgão que deveriam representar), seguiremos assim, sem representantes, sem melhorias, perdendo cada vez mais o espaço, e reforçando cada vez menos nossa cultura. Uma pena...

O abraço e agradecimento do Setor 1 ao amigo Paulo Ferreira - Foto Nilveo Crystiano/Setor 1