segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Fim de semana para valorizar a dança

A sexta, o sábado e o domingo foram intensos para Ana Marilda e seus parceiros cariocas, Marcelo Chocolate e Matheus Olivério. Desde o seminário Dança para Todos, na Sogipa, passando pelas aulas na Academia Mudança, lançamento do enredo da Imperatriz Leopoldense, até às aulas na quadra do Império da Zona Norte, no domingo, o trio não parou. Também pudera. Quem é dançar, nunca para. Está sempre em movimento.

E foi para falar sobre a dança, carnaval e cultura, que a equipe do Setor 1 esteve presente na quadra do Império neste último domingo, para falar com eles sobre essa nova parceria que está surgindo e promete bons frutos.

A porta-bandeira bailarina

Consagrada como passista do nosso carnaval, Ana Marilda entrará na avenida em 2015 com novos objetivos: atingir o sucesso carregando um pavilhão. Fará isso no sábado de carnaval, quando ao lado de Caio, levará o pavilhão dos 40 anos de sua escola, Império da Zona Norte e também no domingo, ao abrir os desfiles do Grupo A como primeira porta-bandeira da Imperatriz Leopoldense, escola com a qual também mantém uma forte identificação.


S1: O Império hoje realizou um verdadeiro intensivo de dança. E essa parceria com o Marcelo Chocolate não é de hoje, ele já desfilou aqui na escola em 2013... Como surgiu essa parceria entre vocês dois já há 2 anos né?

ANA MARILDA: Bom, a nossa amizade não é de agora, já tem mais tempo. E foi justamente pelo amor ao carnaval a gente se uniu ainda mais.  Eu estive conversando com o Carlinhos de Jesus e pedi pra ele indicações, porque eu queria trazer alguém para dar aula aqui. Na época, o Carlinhos estava super envolvido com outros trabalhos e até viagens pro exterior e aí ele me indicou o Marcelo e a Sheila Aquino. Eu já tinha visto o trabalho dele na televisão, o Carlinhos me passou contato e aí nós começamos a nos falar. Foi um amor à primeira vista, nos damos muito bem. Nós temos uma coisa em comum, que é muito raro hoje em dia, que é a devoção por nossas escolas de samba. Ele pela Mangueira, no Rio, e eu pelo Império da Zona Norte. E isso acho que foi o nosso elo de ligação maior. Eu o trouxe na inauguração da quadra, em 2010 e ele se encantou com o Império. Tanto é que hoje ele fala aqui no Sul ele é Império (risos). Ele é um ótimo profissional, excelente dançarino, com carreira nacional e internacional conceituada. E nossa amizade transcende o carnaval, até no lado pessoal, ele é um ser humano incrível, de dar apoio quando a gente precisa, como quando eu estive com a minha mãe adoentada. Então eu só tenho a agradecer a ele, à Sheila também que hoje não pode estar aqui.

S1:E a parceria para 2015, como está sendo, com o Chocolate, junto com o Matheus Olivério auxiliando tu e o Caio na coreografia do casal?

ANA MARILDA: Então, agora nós estamos com essa parceria para o carnaval de 2015 na Imperatriz Leopoldense, escola que eu admiro muito e que me deu a honra de poder dançar com o Caio novamente, agora de bandeira, já que antes nós éramos passistas na escola. Eu e o Caio desfilamos na Imperatriz desde o primeiro ano da escola (fundada em 1995, desfilando pela primeira vez no ano seguinte), e durante os cinco anos em que eu fiquei lá, fomos nota 10, porque em São Leopoldo passista é quesito. Então eu me orgulho muito de ter participado da história da Leopoldense. O Caio parou de passista e virou mestre-sala, eu ainda continuei por mais alguns anos. Nesse meio tempo eu peguei um gosto enorme pela bandeira e quis o destino que a gente, eu e o Caio, nos reencontrássemos agora. E a convite do presidente Raul Senna, aceitei prontamente este desafio. Eu vou dar sim tudo de mim para conquistar a nota máxima, juntamente com o Caio que está sendo um parceirão, querido, atencioso, um cavalheiro, me dando várias dicas e aprendendo um pouco comigo também daquilo que eu sei de dança... Inclusive o Chocolate e o Matheus elogiaram nossa dança e também aceitaram fazer a nossa coreografia para a avenida. Eu vou ao Rio e depois eles retornam para o Sul, para os ensaios técnicos. Infelizmente não vão poder desfilar com a gente, porque domingo a Mangueira desfila no Rio e eles não abrem mão de ver a escola do coração. Assim como eu também não abriria. (risos)


S1:Falamos de Leopoldense, desta tua estreia como porta-bandeira e agora vamos falar de Império da Zona Norte, carregando o pavilhão dos 40 anos da escola. Um peso duplo na verdade, de estrear de primeira porta-bandeira com a Imperatriz e de carregar o símbolo maior da tua escola do coração. Como está sendo isso pra ti?

ANA MARILDA:Eu não sei qual o coração que bate mais forte, se o vermelho ou o amarelo! (risos) Porque quando toca o samba do Império aqui, às terças-feiras, quando a gente entra com o pavilhão dos quarenta anos, eu vejo muitos imperianos chorando, a emoção toma conta, é uma vibração muito grande. Nós, eu e o Caio, ficamos muito felizes com o convite do presidente Urso de carregar este pavilhão especial desta escola que eu amo, onde eu estou presente há mais de trinta anos. Eu sei que a minha responsabilidade é grande, porque eu desfilo com o Império no sábado e já no domingo tem a Imperatriz. Então o trabalho de condicionamento físico está acontecendo, academia... Tudo para poder fazer bonito na avenida. E que meu Império se consagre campeão e a Leopoldense também.

S1: E aí as duas paixões na avenida em 2016, como fica?

ANA MARILDA: Pois então, vai ser ótimo por um lado, mas também difícil por outro né, porque eu vou ter que tomar minha decisão. Confrontar as duas não dá, aí o coração vai ficar muito dividido. Mas eu vou fazer um trabalho para a Imperatriz subir. A dedicação vai ser a mesma, com muito ensaio, esforço, investimento, com o apoio principalmente dos meus pais, que estão sempre comigo. Então a gente vai fazendo o trabalho confiante sempre no bom resultado final.

A experiência da dança

Marcelo Chocolate fora integrante da Cia de Dança de Carlinhos de Jesus. Como professor de dança e coreógrafo, já realizou diversos trabalhos, destacando-se também na televisão como um dos professores do quadro Dança dos Famosos, do Domingão do Faustão.


S1:Você e a Ana Marilda já tem uma parceria de anos juntos e acredito que você tenha conseguido conhecer um pouco do nosso carnaval. Vindo lá do Rio, do centro do folia nacional, como você enxerga o carnaval do Sul, de Porto Alegre, mais precisamente na questão de dança?

MARCELO CHOCOLATE: Neste tempo que eu estou aqui com a Ana, praticamente quatro anos, e convivendo no Império, já que meu trabalho é voltado para o Império, eu acho que houve uma grande evolução, não só aqui, mas em qualquer lugar e ainda está crescendo. Eu só fico um pouco chateado e eu acho que é uma coisa que o carnaval daqui deveria ter, era a comissão de frente ser quesito, valer nota. E valorizar o pessoal da arte da dança, que faz um trabalho muito bom, muitas vezes sem ser remunerado, e já fazem porque amam a escola, amam o pavilhão. Nós estivemos na festa da Imperatriz Leopoldense, gostei muito do trabalho que eu vi das crianças de lá, encenando o enredo, sambando. É muito legal.

S1: Falamos em crianças, e vocês estão com um projeto de dança também voltado para crianças, não é?

MARCELO CHOCOLATE:Não é um projeto direcionado exclusivamente para crianças. Serão aulas de dança de salão onde as crianças poderão participar como qualquer outra pessoa. Teremos o homem, a mulher, adultos, e as crianças, dançando também. Essa ideia partiu do seminário que a gente fez na Sogipa(na sexta, 24) e que o pessoal gostou da ideia e a gente já vai procurar colocar em prática.

S1: Você falou antes na valorização do profissional de dança. Há pouco tempo atrás, vocês estavam em turnê pela Europa com o espetáculo Brasil Brasileiro, do Cláudio Segovia. Na Europa a apresentação foi apenas para brasileiros residentes lá ou não? E como o público estrangeiro recebe a nossa cultura lá fora? O nosso samba, nossa dança, é realmente mais valorizado lá do que dentro do nosso país?

MARCELO CHOCOLATE:Lá fora os estrangeiros amam o samba. Eles não entendem muito a letra, o que é cantado, até por causa da língua do país, enfim. Mas o ritmo, a dança, eles gostam, muito. Pra você ver como nós somos ricos na dança. No final do espetáculo, todos nós bailarinos, tocamos. Tivemos aula de percussão pra tocar, uns dois, três meses, com Esguleba (Marcos Esguleba, percussionista carioca), então não temos banda, bateria. Os próprios bailarinos é que tocam. Então os estrangeiros não entendem o que se canta na música, mas a nossa energia, da nossa gafieira, do nosso samba, da capoeira, eles recebem e vibram e isso não tem preço. Eles amam! E todos os dias, nos teatros onde a gente se apresentou, lotados, tanto de brasileiros, mas principalmente, estrangeiros, que gostam da nossa cultura, da nossa música, da nossa dança.


S1:Tem previsão de retorno deste espetáculo? E quanto a apresentação dele aqui no Brasil?

MARCELO CHOCOLATE:Então, no Brasil nós estamos querendo muito, desde 2005 tentando. Mas o custo é muito grande. Nós tínhamos setenta pessoas, reduzimos para 40 pra poder fazer a turnê, porque tem cachê, tem os hotéis, é toda uma estrutura necessária para fazer o espetáculo. E veja bem, precisou de um argentino (Cláudio Segovia é argentino) para levar essa cultura adiante. É o único espetáculo do Cláudio que ainda não passou na Broadway. E vai passar! E se Deus quiser nós vamos estar aqui no Brasil, no Rio, São Paulo e Buenos Aires, na Argentina, cidade do Cláudio. Para o restante do país complica um pouco porque precisa de um espaço que tenha uma grande estrutura pra comportar todo o espetáculo, mas a gente vai tentando.

S1: Agora para 2015, você vem de coreógrafo, junto com o Matheus Olivério, do Caio e da Ana Marilda. Como é que funciona esse processo de coreografar um casal para o desfile?

MARCELO CHOCOLATE: Existe sim todo um trabalho, mas eu já tinha comentado com a própria Ana e com o Caio, que eles estão prontos. Acho que a Imperatriz Leopoldense acertou muito bem na escolha do casal e o trabalho que eu e o Matheus vamos ter com eles é mínimo. Já estão prontos esses diamantes, então a gente vai só lapidar mais um pouquinho e ajudar para que eles consigam atingir as notas máximas.

S1: E paralelamente, continua trabalhando na Mangueira...

MARCELO CHOCOLATE:Sim, continuo, claro, mas não como coreógrafo da comissão de frente, mas se Deus quiser eu vou voltar. Mas agora eu estou com uma ala, que é a ala da Alcione, que me fez um convite para coordenar essa ala coreografada. Vai ser um prazer esse trabalho na Mangueira, com meus parceiros Sheila Aquino, Marcelo e o Maurício.

S1: E um recado pro pessoal aqui do Sul, da dança...

MARCELO CHOCOLATE:Quero dizer que eu amo a todos aqui, que este final de ano que está chegando seja de muita alegria. Que Papai do Céu nos dê muita saúde e paz e que o carnaval de 2015 seja de muito sucesso para todos!

O beija-flor da verde e rosa

Com 27 anos de idade, e dançando desde os 8, Matheus Olivério é o segundo mestre-sala da Estação Primeira de Mangueira. Com experiência no quesito, aliada à sua competência na dança de salão e capoeira, ele também conversou com nossa equipe sobre a valorização do samba hoje.


S1: Primeira vez aqui em aqui em Porto Alegre, como você sentiu a receptividade do pessoal e tua avaliação do pouco que você acompanhou do nosso carnaval.

MATHEUS OLIVÉRIO: Muito bom. Porto Alegre tem uma coisa que é fundamental, que eu cresci com isso e que é o que a Mangueira me ensinou muito desde criança que é formar seus componentes da comunidade, da própria escola, que é a maneira correta de fazer carnaval. Não é você trazer profissionais de fora pra exercer a função e ir embora. É trazer eles pra cá pra ensinar, profissionais. Esse é o correto. E estes profissionais de fora, junto com os profissionais daqui, ajudar na formação dos novos. Plantar as sementes pra colher os frutos lá na frente. Aumentar o carnaval, elevar a cultura brasileira e falar mais no samba, que é a maior bandeira do Brasil... E o povo de Porto Alegre é muito acolhedor, gente boa. Fui tratado com muito respeito,não só por ser mestre-sala da Mangueira, mas como pessoa. Comi muito churrasco, pra lá e pra cá (risos) e curti muito tudo isso aqui.

S1: A gente que é de fora, muitas vezes, percebe que há esse sentimento de “endeusamento” da Mangueira no samba, no carnaval, que com certeza lá vocês devem sentir isso muito mais forte. Essa questão de comunidade, de raiz da escola. Como é pra ti o peso de carregar o pavilhão de uma das escolas, se não a escola de samba, mais popular do mundo?

MATHEUS OLIVÉRIO:É uma grande responsabilidade e acima de tudo, eu falo que carrego o pavilhão do carnaval, porque a representatividade que a Mangueira tem, o poder que a Mangueira tem é inexplicável e a influência que a escola tem no mundo do samba e do carnaval é muito grande. A Mangueira tem não só torcedores, ela tem fanáticos. Ela tem loucos. Loucos pelo verde, loucos pelo rosa, tem gente que só anda na Mangueira de verde e rosa e tem pessoas que te olham atravessado se você chegar por lá de outra cor, de azul, de amarelo, vermelho... Então é com muita honra e respeito que defendo este pavilhão... E acima de tudo é um amor que vem de berço, vem de família, vem do meu pai, Xangô da Mangueira (baluarte da escola, falecido em 2009), um dos grandes diretores de harmonia que o carnaval já viu, e agora a escola está com mais berço ainda, porque a minha sobrinha, Squel é a porta-bandeira pelo segundo ano. Então é com muito prazer que a família vai crescendo e vai continuando o legado. Acho que isso é maravilhoso. Eu sou apaixonado por aquela escola, amo minha comunidade, todos que ali dançam... Amo fazer parte daquilo tudo e mesmo que não seja para carregar o pavilhão, digo novamente que é uma honra, que seja para empurrar carro alegórico, que também é uma função das mais importantes no carnaval, eu faria. Porque eu sou Mangueira.


S1: Quantos anos de mestre-sala?

MATHEUS OLIVÉRIO:Eu estou completando no próximo carnaval 9 anos como mestre-sala.

S1: O que veio primeiro pra você: a dança como um todo, que te levou para o bailado do mestre-sala ou ao contrário, o mestre-sala te levou a conhecer outras danças?

MATHEUS OLIVÉRIO:Primeiro veio o passista, do passista veio a capoeira, que eu considero uma dança... Veio a dança de salão... É que eu sou muito curioso, então eu procuro muito os ritmos. Danço de tudo um pouco na dança de salão, não sou especialista em todos. Sou expert em samba no pé. Mas no restante, por ser curioso, por querer buscar coisas novas, acabei aprendendo de tudo um pouco. E o balé, que hoje é um recurso para os casais de mestre-sala e porta-bandeira, que é algo que eu critico um pouco. O bailarino, ele não é do samba, é uma outra linha, linha clássica. O samba é chão, é corcunda, o samba vem do jongo, da mata, é outro caminho... E essa influência (do balé no samba) é algo que me incomoda um pouco, mas é uma coisa que, pela velocidade, pelo desenvolvimento do samba, do carnaval hoje, não tem outro caminho senão se aliar. O desfile das escolas de samba é o maior espetáculo da Terra e esse desenvolvimento é necessário... E por mais que se critique, é preciso juntar. A tradição ela tem que existir, mas eu não posso esconder ela atrás do balé, ele não pode ser mais importante que o riscado do mestre-sala.

S1: E juntar essa tradição do mestre-sala com esse novo profissionalismo do balé...

MATHEUS OLIVÉRIO: Exatamente. O carnaval hoje é empresa. Se você não se profissionalizar, você fica pra trás, fica antepassado.

S1: Conversei com o Chocolate antes, a respeito da temporada do espetáculo Brasil Brasileiro, que vocês apresentaram na Europa e sobre a valorização do nosso samba, da nossa cultura na Europa, que é muito forte. Você acha que aqui, o Brasil já teve um período de maior valorização do samba, do carnaval e que foi se perdendo ou tu acredita que o samba ainda não conquistou seu devido lugar, seu respeito, na cultura nacional?

MATHEUS OLIVÉRIO: Eu escutei do Cláudio Segovia, um homem excepcional, o coreógrafo e produtor do espetáculo, que disse que o samba é a maior representação cultural do Brasil. Ele é argentino e disse isso. Lá de fora tendo essa visão que aqui dentro ainda não se percebe...E pra mim é o samba, o futebol e a capoeira. Esse é o meu pensamento. E lá fora, o samba é visto assim, como cultural. O respeito é muito grande com a gente, como artista, uma valorização aqui dentro do país a gente não tem. Aqui o samba está numa elite de profissionais que nem sambar sabem sambar, que é a principal definição que eu posso te falar, principalmente em se tratando de carnaval... Lá fora, o estrangeiro, ele bate palmas, de pé porque ele olha aquilo ali e lembra do Brasil, pensa no Brasil e vê como é mágico, como é fantástico aquilo que os escravos trouxeram e que o Brasil desenvolveu, que é o samba. Essa é a maior definição que eu posso te dar da valorização da nossa cultura hoje.

S1: E os preparativos para o carnaval 2015? Mais um ano carregando o pavilhão da Mangueira e agora essa nova proposta de ajudar na coreografia da Ana Marilda e do Caio aqui no carnaval... Como está sendo trabalhada essa parceria de vocês?

MATHEUS OLIVÉRIO: Eu já conheço o Chocolate há mais de 15 anos, de amizade, de parceria, de tudo. E agora ele me apresentou a Ana Marilda, uma pessoa maravilhosa, que respira carnaval tanto quanto eu o Chocolate... E o Caio, que tem uma dança incrível... E a nossa parceria começa aqui, com a dança de salão, com a contagem coreográfica, que te ajuda a decorar um passo. Decorando um passo, você já está dentro do desenvolvimento de uma coreografia. E aí você trabalha essa contagem com um passista, com um casal de mestre-sala e porta-bandeira e tira um resultado bacana. Aqui tem um projeto muito lindo que eu conheço lá do Rio, que é o Padedê do Samba, que tem profissionais qualificados para dar aula e desenvolver futuros destaques do carnaval. Eu cheguei aqui e vi alguns casais de mestre-sala e porta-bandeira com um trabalho maravilhoso, completo, limpo, então só tenho que parabenizar os profissionais que aqui estiveram e plantaram essa semente. Casal de mestre-sala e porta-bandeira aqui em Porto Alegre é algo que não se falta, é tudo bem definido, bem completo.

S1: Você chegou a conhecer os trabalhos dos nossos casais aqui?

MATHEUS OLIVÉRIO:Não pessoalmente, mas vi que a qualidade é muito boa. Parabéns a todos!... Hoje a gente veio aqui pra mostrar o samba no pé. E também criticar um pouco, porque eu vejo que aqui, como também está acontecendo lá no Rio, tem se tornado comum passista masculino sambando como passista feminino. Eu tenho muito amigos gays, não tenho preconceito com isso não,e ninguém deveria ter, porque independente da orientação sexual, são pessoas de caráter exemplar, mas o fato de serem gays não os impede de sambar como homens na quadra. E é esse samba masculino que está se perdendo, e levando embora a figura do malandro, do sambista que dançava ao lado da mulata. Está havendo uma descaracterização da figura do passista masculino dentro do carnaval. E isso é muito sério. E tanto lá no Rio quanto aqui no Sul, a gente precisa trabalhar essa questão, porque é tradição, não se pode perder isso, é uma parte da nossa dança, do nosso samba... Então isso a gente vem discutindo, orientando e trabalhando, sempre com a ajuda uns dos outros, porque só assim, se unindo e cooperando, que o nosso carnaval cresce.

S1: Muito obrigado pelas palavras, Matheus, e sucesso!

MATHEUS OLIVÉRIO: Eu que agradeço ao Setor 1 pela oportunidade, de falar um pouco do meu trabalho, e da nossa paixão, que é o samba, que é o carnaval. Eu fico muito feliz com toda essa receptividade e podem ter certeza que a gente se vê mais vezes por aí. Bom carnaval a todos!