segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Especial mês da criança - "Ouvindo historinhas..."


As crianças. São elas que vão transmitir amanhã o que aprendemos ontem, ou seja, estes pequenos talentos de hoje, ainda em desenvolvimento, é que vão manter a nossa tradição viva nos carnavais do futuro... vão levar no sentimento e na memória as lições e as experiências de hoje.

Esta é uma matéria especial para o mês de Outubro, considerado o mês das crianças, esta é a proposta do Ouvindo Histórias desta edição: ouvir as crianças. Crianças no tamanho, mas gigantes no pensamento! Crianças que sonham e que serão o futuro do Carnaval de Porto Alegre.

Aproveitando as aulas do Padedê do Samba, escola de aprendizado da dança do casal de Mestre Sala e Porta Bandeira e da Porta Estandarte, ouvi relatos de pequenas estrelas em ascendência. O que motiva estes alunos a passar as tardes de sábado fazendo exercícios é a pura manifestação da arte e da cultura popular em processo de perpetuação. Verifica-se ali muita vontade de aprender e de saber tudo sobre a dança nobre do carnaval. Muitos destes talentos serão artistas, renomados destaques, profissionais e até dirigentes das entidades carnavalescas.

As crianças do Padedê do Samba. Jorge, Matheus, Larissa, Jéssica e João. Fonte: arquivo pessoal.

Jorge Junior, 7 anos, começou este ano nas aulas de Mestre Sala no Padedê do Samba, incentivado pela mãe e fã dos Imperadores do Samba, ele diz que o carnaval é: “[...] uma festa bonita, gosto das alegorias, dos carros... alguns eu tenho até medo... lá em casa o carnaval é o ano todo... [...]”. Perguntado como ele quis ser mestre sala ele responde que: “[...]... assisti os desfiles, e pedi pra minha mãe para me levar em uma escola de samba...[...]”. A mãe é grande incentivadora e não mede esforços para realizar o sonho do filho: ser mestre sala da escola de samba.

João Vitor, 11 anos, Mestre Sala, sonhava em ser destaque, sonhava com a dança, começou sua trajetória no Bailado do Cisne, desfilou em 2014 na ala dos passistas mirins da Samba Puro. Atualmente frequenta as aulas de Mestre Sala no Padedê do Samba. Sua visão do carnaval é de que: “[...] é uma festa muito bonita.... porém tem que arrumar o Porto Seco e algumas quadras no carnaval... mas quero dizer mais uma coisa, sobre que os destaques do carnaval... eles tem que ser mais humildes...[...]”

Jéssica Rodrigues, 12 anos, começou na Restinga. Seu sonho é ser porta bandeira da Restinga. Viu no bailado da prima Nataly Wedi, então porta bandeira da Imperatriz Dona Leopoldina, inspiração para buscar ensinamentos de como portar e conduzir o pavilhão das escolas de samba. Ela diz que: “[...]... acho lindo todos os desfiles, os carros alegóricos, mas em especial as porta bandeiras, todas lindas![...]”.

Larissa Bandeira, 16 anos, começou a dançar de passista, mas sempre gostou da dança da Porta Bandeira. Percebeu nos passos da prima Nataly e também no incentivo da família e dos parentes a procurar o Padedê do Samba para aprender e aprimorar o sonho dos rodopios mágicos e da arte de conduzir uma bandeira. Sobre o carnaval ela diz que: “[...]... adoro ver o Imperadores do Samba desfilando... é muito lindo![...]”

Matheus Fonseca e Rosalina Conceição. Fonte: arquivo pessoal.

Matheus Fonseca, 13 anos, mestre sala. Iniciou no Padedê do Samba em 2014 em busca de um sonho: ser destaque do carnaval, ser Mestre Sala. Encantado com o bailado do então mestre Sala dos Bambas da Orgia, Gustavo Tiriri, mestre sala e profissional do carnaval que ele admira muito. Então via rede social, viu no site do Setor1 uma matéria sobre as aulas do Padedê do Samba e se inscreveu para realizar o seu sonho. Falante, ele nos conta que já trabalhou no Barracão dos Bambas da Orgia com a tia e a avó. Ressalta que é fã incondicional de Rosalina Conceição, que foi Porta Estandarte e Presidente de Bambas da Orgia. Ele nos diz que, em sua visão: “[...]... o carnaval melhorou muito, mas faltam muitas coisas, como as arquibancadas definitivas lá no Porto Seco... também acho que os destaques do carnaval deveriam ser melhor valorizados, pois tem muitos que não ganham nada para ensaiar e desfilar...[...]”