sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Da série: "Pequenos Foliões" - Roger e Victória

 Pra gente que é adulto, pisar na avenida todos os anos já é uma emoção inexplicável. Desfilar numa escola, cantar o samba, ser personagem do enredo. Participar de alguma forma desta grande ópera ambulante é uma das maiores emoções que algum sambista carnavalesco pode viver. Agora, pensemos em como deve ser a expectativa de dois jovens que em 2015 desfilarão pela primeira vez no Porto Seco. E não é em ala, ou alegoria. Será defendendo um pavilhão. Para Roger e Victória, recém empossados terceiro casal da Embaixadores do Ritmo, a expectativa é a maior e melhor possível.

O casal que se conheceu numa festa realizada na quadra do Acadêmicos de Gravataí, há 3 anos, nunca mais se desgrudou. “Eu fazia parte do Acadêmicos do Futuro e aí o Padedê do Samba foi fazer um show lá em Gravataí. Foi quando a gente dançou pela primeira vez e aí não paramos mais”, relembra Victória, de 12 anos. O casal passou a frequentar juntos, tanto as oficinas na quadra da onça negra, quanto as aulas no Padedê. “Foi graças a Fabi Santos (segunda porta-bandeira do Bambas) e ao Fábio (Nicoleti, segundo mestre-sala da Vila do IAPI) que a gente começou a dançar juntos. Eles nos incentivaram muito”, diz Roger, de 15 anos.

Foto: Fábio Cruz/Tamujunto
Mas essa paixão pelo carnaval já veio de antes. As mães de Victória e Roger, Dionéia e Cíntia, já acompanhavam a folia. Com as visitas nos ensaios, os filhos tomaram gosto pela coisa. “Eu comecei no Acadêmicos do Futuro como cabrocha, depois de ver a Zainara (estandarte do Gravataí) e a Cris Pereira (segunda porta-bandeira do Gravataí) com o estandarte, eu dancei de estandarte. Só depois que virei porta-bandeira”, afirma Victória, que elege entre suas inspirações, Suelene Neves (Vila do IAPI), Fabi Santos (Bambas), Andreísa (Gravataí) e Fernanda Costa (Império da Zona Norte).

“Indo nos ensaios do Imperador com a minha mãe, eu fiquei encantado com a dança do Tyka (hoje mestre-sala do Império da Zona Norte). E eu disse pra minha mãe que era aquilo que eu queria fazer. Foi o Tyka que me indicou o Padedê do Samba e lá eu comecei a dançar”, relembra Roger, que além do Tyka, destaca Tiriri (Vila do IAPI), Robson (Embaixadores) e Fábio Nicoleti (Vila do IAPI) como seus mestres preferidos.

Durante todo esse tempo de parceira, o jovem casal já bailou em Alvorada, mas nunca havia tido a oportunidade de mostrar o seu talento na capital. “A palavra que define esses dois é persistência, porque eles ouviram muita coisa que chateia a gente, desmotiva qualquer um. E mesmo assim eles não desistiram”, diz Dionéia, mãe de Victória.

Arquivo pessoal
Através de um convite feito pela direção dos Embaixadores do Ritmo, o casal aceitou a proposta de estrear carregando o terceiro pavilhão de uma das escolas mais tradicionais do carnaval porto-alegrense. “A escola nos acolheu super bem, é uma grande família e a gente só tem a agradecer ao Embaixadores, ao presidente Giró, ao Moranga, pela confiança.” Diz Roger. “É uma honra defender o pavilhão dos Embaixadores”, afirma Victória.

Ambos destacam a importância do Padedê do Samba nessa trajetória. A dupla acredita que o aprendizado tirado do curso foi fundamental para que eles pudessem estar onde estão. E as mãe concordam. “É visível a evolução deles nesses três anos em que frequentam o Padedê. É uma verdadeira escola”, afirma Cíntia, mãe de Roger.

O casal atualmente ensaia uma vez por semana, já que moram em cidades diferentes (Victória é de Gravataí, enquanto Roger mora em Porto Alegre), mas afirmam que os encontros irão se intensificar. Estudantes do ensino fundamental (e com boas notas, destacadas pelas mães corujas), Roger e Victória falam com brilho nos olhos da expectativa de, pela primeira vez, desfilar no Porto Seco. “Eu amo dançar, de paixão. Quando eu danço, esqueço que vivo, é um prazer enorme, me sinto voando. É uma emoção defender um pavilhão, é a coisa mais especial pra mim”, destaca Victória. Para Roger, ser mestre-sala é ser um guerreiro. “Eu defendo meu pavilhão, defendo meu porto seguro.”

A dupla deixa um recado para toda comunidade da Embaixadores e para aqueles que, como eles, amam o carnaval: não desistam dos seus sonhos.


E que o ano de 2015 seja de sucesso para a dupla!