segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Aula de Bateria encerra a temporada 2014 de cursos do CETE

 No último sábado, 25, na quadra do Fidalgos e Aristocratas, o CETE (Centro de Estudos e Pesquisas de Tema Enredo e Memorial do Carnaval) realizou o seu último encontro do curso de 2014, trazendo para discussão o quesito bateria. Para falar sobre o quesito, considerado o coração da escola de samba, Mestre Odilon desembarcou do Rio de Janeiro para passar um pouco do seu conhecimento para o público, acompanhado pelos mestres Guto, da Restinga, Boneco, da Vila do IAPI e Biskuim, do Bambas da Orgia.

Foto: Lauro Evaniro 
Odilon criticou as escolas de samba, que estão perdendo sua identidade, a batida de samba peculiar de cada uma. O aceleramento dos sambas e do ritmo de desfile prejudicam a qualidade de um bom espetáculo. “São poucas as escolas que ainda mantém sua batida tradicional”, destacou o mestre. Odilon também destacou que com os desfiles corridos, as baterias precisam acelerar seu compasso, e com isso, acabam não executando as batidas corretas de alguns instrumentos, como tamborim e repenique.

Para os alunos do curso, Odilon deu mostras de como ensina os futuros ritmistas a tocar, com pequenos exercícios, como bater na palma da mão e sonorizar com a boca as batidas dos compassos do instrumento.

Para ele, “é preciso ter qualidade antes de quantidade. Prefiro ter 50 que toquem do que 100 que só vão fazer barulho e não vão tocar direito. Eu não posso colocar um ritmista na minha bateria só porque ele é filho do diretor, filho da baiana. Ele precisa é tocar, não importa se é filho de alguma figura importante ou não.” Odilon também frisou a importância de um julgamento correto do quesito bateria. “O jurado precisa conhecer a harmonia dos instrumentos dentro da bateria. E jurado não pode ter gosto. Ele precisa é saber a batida correta da bateria, se está tudo certo, sem erros”.

Mestre Guto, que também era um dos palestrantes da última aula, deu seu relato falando sobre a dificuldade que as escolas daqui do nosso carnaval enfrentam para formar novos ritmistas. “Nós temos poucos ritmistas nas nossas baterias, e há um pouco de falta de interesse de novos ritmistas, que estão saindo do carnaval, indo para outros lados. Então, acabam surgindo grupos de ritmistas que saem em mais de duas escolas, muito porque as escolas precisam cumprir o regulamento de número mínimo de componentes”.

Para Guto, as baterias precisam focar mais no ritmo do que nas performances. “As baterias estão sendo mais vistas do que ouvidas. Ouvir está sendo perdido no carnaval”.

Foto: Lauro Evaniro 

Ao final da aula, uma mini bateria foi formada e os alunos cantaram e dançaram sambas antigos. E o curso de carnaval terminou numa grande celebração à nossa cultura. Ao longo de quase sete meses, o CETE realizou o curso em dois módulos, mesclando palestrantes gaúchos com profissionais do centro do país (Rio-SP).

A partir do mês de novembro, o CETE inicia os seminários de carnaval em algumas das cidades onde irá julgar o carnaval no próximo ano. Exposições e eventos alusivos ao Dia do Samba também estão programados. E em janeiro, ocorrem os seminários de qualificação interna, para os julgadores do grupo. Para 2015, o CETE pretende manter sua essência de qualificação e defesa da cultura popular.

O Setor 1 saúda a entidade, na figura do seu presidente Sérgio Peixoto, pela condução deste grande projeto de renome nacional. Um exemplo para o carnaval de Porto Alegre e que poderia, sim, ser muito mais valorizado pelos nossos carnavalescos, dirigentes e comunidade em geral. O trabalho do CETE é para todos. É para o carnaval.