terça-feira, 9 de setembro de 2014

“Da marcenaria, passando pelo submundo das drogas à libertação da alma e consagração no samba do Porto Seco.”


         Num sábado de tempo fechado, chuvoso; fui assistir o que seria uma palestra sobre tema-enredo no barracão da Imperadores do Samba com Sílvio Oliveira (carnavalesco da escola e campeão do carnaval) promovida pelo CETE (Centro de estudo e pesquisa de tema enredo e memorial do Carnaval).

         Pois bem... além da detalhada explanação sobre tema-enredo; que contou com detalhes da concepção até alguns “segredos” que veremos no desfile da vermelho e branco em 2015; ganhamos um testemunho e uma lição de vida e superação, inesquecíveis.

         O mago dos Imperadores do Samba relatou (em alguns momentos com profunda emoção e lágrimas) algumas passagens de sua vida que poucas pessoas conhecem.

         Emoção foi a palavra de ordem naquela tarde memorável.

Foto: Luis Pedro Fraga
          De peito aberto Sílvio chorou e nos fez chorar junto contando um pouco do que passou quando era usuário de drogas. Os conflitos na família, a paciência esperançosa e fundamental da esposa, os maus súbitos, a última noite drogado em que (quase em overdose) rezou até amanhecer pedindo a Deus que sobrevivesse, a decisão pela própria internação e o sentimento de vencedor ao sair vivo depois de toda essa tempestade. Foi emocionante.

           Falou-nos de sua trajetória toda, de ritmista, mestre de bateria, empurrador de carro alegórico (sim, há 10 anos atrás ele desfilou pela Imperadores empurrando uma alegoria), de seu pai e dos amigos que perdeu e que não chegaram a ver seu sucesso, das palavras duras de dirigentes que o menosprezaram e duvidavam de seu talento, dos seus fiéis “colabores” (fez questão de repetir várias vezes que não consegue fazer tudo sozinho) enfim... com coragem, humildade e ORGULHO abriu-nos seu coração, sua vida e sua alma.

          Talvez seja esse misto de genialidade, humanidade  e preocupação com o “todo”, tão latente nele, o que mais esteja em falta no meio carnavalesco gaúcho atualmente.

       Que bom ter tido essa oportunidade e que orgulho poder dizer que Silvio Oliveira é meu amigo. O “boca”, o “branco”, o “doido” (que vez em quando dá umas canjas em meus sambas tocando uma surda “mais ou menos”, hehehe) é f... ...ora de série! Quem esteve lá, saiu agradecido, comovido e fã !!Seguramente, foi de arrepiaaaaaar !!!


       Por hoje era isso, abraço Astral pra geral e vamos que vamos.