sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Gaúchos do Padedê representam o RS em encontro de projetos para Mestre salas, porta bandeiras e porta estandartes no RJ

Por Simone Ribeiro

Presidenta do Padedê do Samba Porta bandeira do Imperadores do Samba

No ultimo final de semana, estive no Rio de Janeiro a convite da profª Renata de Sá Gonçalves, em parceria com a Universidade Federal Fluminense. Como todos devem saber, sou presidente do Padedê do Samba, que é nosso núcleo gaúcho da escola com a mesma funcionalidade no RJ, a Escola Mestre Dionísio. Nessa função fui convidada a participar como palestrante e instrutora numa oficina de integração entre coordenadores de projetos sobre a dança de MS e PB. O convite foi estendido mais dois representantes do Padedê do Samba. Dentro das opções no Padedê resolvi levar uma porta estandarte, pois somos o único estado que mantém esse quesito a frente da escola e ainda com a característica da saia de filó, algo tipicamente gaúcho e só no Belém encontramos essa função em escolas mesmo assim, exercida por um homem, como antigamente.


Na sequencia, Robson Souza do Embaixadores do Ritmo, um dos nossos primeiros alunos e hoje instrutor do Padedê, foi representando os instrutores das turmas de mestre sala. Já que íamos falar das coisas do Sul, não poderia deixar de levar nosso pavilhão, símbolo de uma das maiores escolas de samba daqui, e claro por ser aquele do qual tenho a honra de portar. Assim com a aprovação e apoio do nosso presidente Rodrigo, pude ostentar gloriosamente o nosso pavilhão em meio a ilustres representantes do carnaval nacional.

As atividades fazem parte do projeto de extensão “Salvaguarda da dança do samba” da UFF em parceria com o Centro Cultural Cartola e com o apoio do Instituto Brasileiro de Museus e também do MEC. Na sexta feira fomos carinhosamente recebidos com uma deliciosa feijoada no Centro Cultural Cartola e após visita ao museu do samba e conhecer as dependências do Centro, acompanhamos as exposições de vídeos sobre os projetos em outros estados.

Fomos maravilhosamente representados no quesito porta estandarte, na exposição de Denise Nogueira (Unidos do Capão), que citou o início das escolas de samba, com a inovação da Praiana e também da competência das nossas PE, mencionando Onira Pereira inclusive como introdutora das nossas famosas saias de filó. Houve debate sobre as características de cada estado, semelhanças e particularidades e questionamentos sobre os principais desafios da nossa arte. Me encontrei e me emocionei muito nas palavras da carnavalesca Maria Augusta, quando refletiu sobre porque devemos continuar lutando, mesmo com um sistema que quer terminar o carnaval aqui e ali, que julga o que é material vendável ou não, que rotula e tenta manipular a nossa festa maior.


Ela disse: “devemos resistir, todos vocês que tem escolas de mestre sala e porta bandeira, devem continuar trabalhando em prol dessa arte. Nós somos a resistência da cultura popular, nós temos que continuar resistindo, mantendo que é do povo, nossa força vem das nossas manifestações, das nossas raízes.”

Enfim, nós somos todos a RESISTÊNCIA ATRAVÉS DO SAMBA!! Além de Maria Augusta, estavam Carlinhos Brilhante, um dos maiores mestre salas de sua época, na sua Vila Isabel, Os Barbieri,pai(radialista) e filho(antropólogo), Gabi e Vivi do projeto Cisne do Amanhã (SP), Miguel, Bené, Ariane e Flavia da Academia Paraense de MS e PB, representantes da escola Mestre Dionísio, o próprio mestre, Vinicios representante do Centro Cultural, e claro a professora Renata entre outros ilustres participantes.

Na continuação, sábado tivemos a parte prática, fizemos aula com mestre Dionísio na sua escola, e trocamos experiências e conhecimentos, além de divulgarmos mais um pouco o carnaval gaúcho. Denise bailou lindamente com sua saia de filó e o estandarte do Padedê e eu e Robson mesmo não formando um casal em Porto Alegre, conseguimos representar bem o Padedê, honrando nosso povo e nosso mestre Dionísio, mola propulsora de tudo isso que aconteceu.



No domingo,fomos ao sambódromo fazer um bate papo e reunir conclusões sobre o encontro como um todo, que diga-se de passagem foi maravilhoso.  Tivemos algumas orientações na passarela do samba, diretas de mestre Dionísio. Pudemos resgatar nossa força, nossa vontade de resistir se fortaleceu, despertamos mais a consciência de quem somos e da importância de nossas raízes culturais, de não esquecermos de onde viemos, nossa história como povo e nossa trajetória como artista, podendo assim retornar revigorados e certos de que podemos incentivar a preservação do nosso patrimônio imaterial, o samba através também do nosso bailado nobre. Tudo devidamente registrado para maiores estudos e arquivos. Meus sinceros agradecimentos ao mestre Dionísio, a professora Renata, a UFF, ao Centro Cultural Cartola. Foi uma experiência riquíssima ,além de poder representar nosso estado, aqui também se faz carnaval, aqui também somos a resistência do samba e para o samba!!