quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Dá série: "Com que roupa eu vou!" - Especial Fabielly Klimberg

Olá pessoal! Hoje a nossa coluna terá um toque de glamour à mais. Todo mundo sabe que para uma produção estar perfeita é preciso, além de uma roupa bonita, de uma boa maquiagem e cabelo bem montado. E a personagem da coluna de hoje é uma expert neste assunto. Maquiadora e cabeleireira profissional, ela empresta todo seu trabalho e talento para produzir os destaques do nosso carnaval. Com vocês, Fabielly Klimberg.

“A MAQUIADORA DAS ESTRELAS”

“Por ser tão intensa, plural, eu me torno singular”. A partir desta frase já se pode ter uma idéia do que é Fabielly Klimberg. A espontaneidade, as tiradas irônicas e um humor peculiar que só ela tem são um convite para que todos fiquem à vontade em sua casa, na região central de Porto Alegre.


Esse lado alegre e leve de tocar a vida também pode ser encarado como uma defesa, reflexo de uma infância difícil, mas não menos sonhadora. “Eu passei por certas dificuldades quando criança, mas não perdi esse lado lúdico da infância. E é também esse lado lúdico e glamuroso do espetáculo carnaval que me contagia até hoje”, revela.

Autodidata, Fabielly desde cedo tomou gosto por maquiagens e criação de penteados. Encantada desde criança com as plumas e os brilhos das fantasias, Fabielly também encontrou essa magia de glamour nas boates GLS, onde começou a trabalhar ainda jovem, fazendo shows. “Mas eu nunca deixei de gostar do carnaval. Meu primeiro desfile foi na tribo Os Guaianazes, ainda criança”, conta ela. “O desfile da Vila do IAPI, ‘Antes de Samba, Semba’ também me marcou muito.”

Ela já trabalhou em barracão de escolas como Bambas da Orgia e Praiana, como aderecista de carros alegóricos. Mas foi com as maquiagens, sua paixão, que ela se destacou na folia, anos mais tarde. “A Hélida que começou contato comigo, querendo que eu fizesse a maquiagem dela para os ensaios e apresentações. Na época ela estava na Vila do IAPI. E aí eu aceitei”, conta Fabielly, que destaca a amizade que tem com a porta-bandeira. “A Hélida é minha grande amiga, minha modelo! Foi através dela que eu passei a ter o meu trabalho reconhecido no meio do carnaval”.


E o talento fez jus à propaganda. São quase dez anos maquiando e produzindo portas-bandeira, estandartes, passistas, musas, rainhas, madrinhas, comissões de frente, destaques de chão e destaques de alegoria, de praticamente todas as escolas de samba.

“Posso dizer que eu implantei essa nova fase de produção de maquiagens e cabelos nos destaques. Tem gente hoje que só faz maquiagem comigo”, revela Fabielly, que diz que não há segredo para fazer uma boa produção. “A pessoa tem que ser dinâmica e criativa na criação. Aprendi com Luciano Maia... E usar os truques, né? Aliás, os truques ajudam e muito numa boa produção”.


Apesar de conviver em dois meios onde a vaidade e ego estão sempre aflorados (carnaval e as boates GLS), Fabielly se mostra uma pessoa humilde e sensata. Vê em sua religião um bom alicerce para seguir por esses caminhos e não se deixar levar pelas más intenções das pessoas. “Eu só peço ao meu orixá saúde, porque do resto eu corro atrás”.

Perguntada sobre o preconceito por ser transexual, ela conta que os tempos já foram piores. “Tinham escolas em que a gente não podia nem pensar em entrar, era praticamente proibida. Hoje não. Eu, pelo menos, sou muito bem recebida onde vou, tenho amigos em quase todas as escolas. E isso a gente conquista através do respeito”.

Fabielly pretende ainda usar o seu talento para ajudar na qualificação do carnaval. “Não adianta eu saber de maquiagem e cabelo e não passar para ninguém o conhecimento”, diz. Projetos de organizar palestras e oficinas sobre maquiagem e cabelo estão em seus planos.

Ela não se considera famosa. Prefere nem pensar nisso. “Saber que você é reconhecida quando chega numa quadra, numa festa, é bom sim. Mas eu não me sinto famosa. Eu gosto é do coleguismo, da união. De ver os destaques, os amigos. Essa união que temos hoje no carnaval, entre a grande maioria dos destaques, é que eu acho bacana.”

A personagem escrachada e a pessoa Fabielly Klimberg às vezes se fundem. Durante a conversa, o papo sério ganha uma tirada cômica e a risada é espontânea. E o amor pelo seu trabalho transparece. “Eu me cobro muito. Sempre quero o melhor. É tão bom ver o destaque bem maquiado, bonito, e as pessoas elogiando. Sinal de que a gente faz bem feito. É pelo carnaval”.


E a frase dita por ela mesma lá no início da matéria, também serve para fechar. Talvez seja por isso que os brilhos e o glamour estejam com ela desde criança, dos seus sonhos que viraram realidade dentro do carnaval. O segredo para continuar com esse sucesso? Ela mesma revela. “Nunca querer ser mais que os outros”. Então podemos ter a certeza de que será sempre assim, Fabielly. Plural e única.

No nosso próximo encontro, a musa que arranca aplausos tanto pelo samba no pé quanto pelos belos figurinos que produz para as musas do carnaval: Samara Braga! Até a próxima!