terça-feira, 5 de agosto de 2014

Da série "Com que roupa eu vou?" - Especial Laerte Myra

Olá pessoal! Hoje o personagem da nossa coluna é um mago. Laerte Myra conversou comigo e falou um pouco de sua história, comprovando o fato de ser conhecido como O Mago dos Arames.

“ALQUIMISTA DA FOLIA”

Logo que a gente chega na casa de Laerte Myra, na Vila Mapa, zona leste da capital, já dá pra perceber que ali mora uma pessoa aficionada por carnaval. Sua casa é um verdadeiro atelier, onde tudo acontece e a folia ganha forma.


Com 60 anos de idade, Laerte acompanha carnaval desde criança. “Eu ia para a avenida com o meu pai, mas para ver as fantasias”, conta ele. Com o tempo, iniciou amizade com Chico Correa, carnavalesco da capital, e que o “provocou” a criar as armações de arame.

“Eu era fã do Chico Correa e do Cid, que foi um grande aramista do carnaval de Porto Alegre. Me inspirei muito neles”, revela Laerte. E foi pelas mãos de seu amigo Chico, que Laerte começou a trabalhar com arames.

Mas a primeira fantasia que montou foi para a musa Viviane Rodrigues. “Ela havia pedido para o Chico (Correa) fazer, mas ele deu a mim esta incumbência. E aceitei o desafio. Depois disso, fiz muitos trabalhos para a Viviane. Foi ela quem me deu esse nome de ‘Mago dos Arames’”, recorda.

E desde então, Laerte ficou conhecido no carnaval pelo seu trabalho com os destaques da festa, principalmente as musas, madrinhas e rainhas de bateria. Ele também já atuou dentro do barracão, nas mais diversas áreas, principalmente como diretor de carnaval. Mas não pensa em voltar para a função, pois os trabalhos no atelier tomam o tempo. “Não trabalho exclusivo, nem para escolas nem para destaque. Eu trabalho para carnaval”, conta Laerte, que se mostra um grande defensor da folia gaúcha.

“Eu sou bairrista. Eu acho gozado quando as pessoas dizem que preferem o carnaval do Rio ao carnaval de Porto Alegre. Correm atrás dos presidentes aqui atrás de pulseiras e credenciais, mas lá no Rio pagam valores altos para ficar numa arquibancada longe da pista”, critica, e acrescenta. “Eu compro minha frisa para ver o desfile aqui de perto. Eu vou nas quadras e pago o meu ingresso, pela valorização do profissional da escola. A escola tem contas para pagar, tem o pessoal que trabalha na quadra, na limpeza, no bar, na cozinha, no barracão, que rala para colocar a escola na avenida. Se eu não ajudar a escola, o carnaval também sai perdendo.”

E pensando no crescimento do carnaval e também no seu aprimoramento como profissional, foi que ele aceitou a proposta do casal de mestre-sala e porta-bandeira do Acadêmicos de Gravataí, Choco Pereira e Andreísa, e desenvolveu a fantasia que eles usaram no desfile de 2014. “Eu gosto de criar e eles me propuseram esse desafio e também essa responsabilidade, pois eu nunca tinha feito nada assim antes”, revela Laerte.


Mas se engana quem pensa que ele só atua no carnaval. Além de peças para o carnaval no interior do Estado e também nos concursos de fantasia pelos salões, Laerte já tem seus arames espalhados pelo mundo afora, principalmente Japão e Itália.

Juntamente com os trabalhos para publicidade, ele ainda guarda os registros de sua contribuição no trabalho de conclusão de curso de uma amiga, estudante de Moda na Feevale, que criou figurinos e adereços de carnaval com o auxílio dele.


Atuando nas mais diversas áreas com seus arames e adereços, não é a toa que ele pode, seguramente, ser chamado de Mago. O entusiasmo em falar do trabalho e principalmente do nosso carnaval é que fazem de Laerte um dos ícones desta festa. São mais de vinte e cinco anos dedicados ao carnaval de Porto Alegre, fazendo do seu trabalho uma verdadeira grife entre os destaques. Ou seria uma magia? Seguimos no aguardo para ver nas quadras e na avenida, os encantos do Mago!

Na próxima matéria, o foco não será roupas nem adereços de cabeça, arames, nem nada. A beleza virá dos pincéis, pós, sprays e brilhos, na face e nos cabelos, pelas mãos de Fabielly Klimberg! Até a próxima pessoal!