quarta-feira, 9 de julho de 2014

Qual a hora certa de parar?


Na madrugada, olhando uns vídeos de carnaval re-assisti uma entrevista dada pelos casais de mestre sala e porta bandeira do Grupo Especial no inicio do ano passado no programa Sambagé, comandado pelo querido Alex Bagé, que contava com a minha participação e da Viviane Rodrigues CLIQUE AQUI e veja o programa. 

No vídeo uma parte das entrevistas me chamou muito a atenção. Muito bem colocado pelo então mestre-sala do Estado Maior da Restinga, Chula Silveira, e pelo mestre sala da União da Vila do IAPI, Gustavo Tiriri, o assunto sobre o respeito com os destaques que já tem uma trajetória maior. Lembro que o Chula em um tom muito bem humorado disse que: “enquanto tivermos pernas, iremos pra avenida!”. E estes são dois exemplos dos que realmente podem fazer isso, estão na atividade até hoje com bons resultados e um bailado que encanta ao olhar.

Eu concordo com isso em gênero, número e grau. A tempos atrás, antes mesmo do SETOR 1 existir, eu postei em minha rede social um texto que falava exatamente sobre isso, sobre alguns destaques da nova safra que desrespeitavam os mais experientes, que julgam e descriminam as pessoas por ter um bailado mais tradicional, sem saber a trajetória ou mesmo quem ele é.

Mas claro, como uma balança, este assunto tem dois lados, pois assim como há novos destaques querendo pular os degraus da escada que eles ainda têm a percorrer, há destaques mais velhos que teimam em voltar os degraus para omitir já tê-los percorrido.Como foi muito bem colocado pelo Chula, é preciso ter pernas, ter vigor, ter consciência e acima de tudo ter senso critico sobre si mesmo. E isso não se dá somente no quesito mestre-sala e porta-bandeira, também e principalmente se dá aos que precisam ter os “corpos de fora”!

Façamos uma analise, por exemplo, dos nossos casais de passista, nossas mulatas e nossas madrinhas e rainhas de bateria. Não vai precisar pensar muito para que venha a nossa cabeça alguém ou alguma pessoa que não estaria em tão boas condições físicas para estar “com tudo a mostra” e ocupando os cargos que ocupam. Vejamos, aqui ninguém está falando em idade, até porque no geral, tem “muita nega” de 40 dando show nas de 20. Estamos sim falando de CONDIÇÕES FÍSICAS. Para que uma pessoa possa ser destaque por muito tempo ela precisa ter em mente que pra ela o carnaval será o ano todo. Cuidado com a alimentação, muita malhação,  e estar com a mente e o corpo em dia.

Assim como cada um tem de saber a hora de iniciar um projeto, é preciso ter a certeza de que uma hora vai precisar parar, e será muito melhor parar por conta própria e ser respeitado pela atitude, do que ser parado pelo próprio carnaval e ser esquecido entre as pessoas do seu convívio. Poderemos eternizar o carnaval em nossos corações, mas nossos corpos não serão fortes o bastante para que possamos nos eternizar nos cargos que ocupamos. Mente forte pra continuar, consciência pra parar.