terça-feira, 15 de julho de 2014

"Com que roupa eu vou?" - Parte 2

Olá pessoal! Hoje o personagem da nossa coluna será uma verdadeira musa. Fernanda Brasil, madrinha da Bateria Trovão Azul, de Bambas da Orgia, me recebeu em seu atelier para falar um pouco mais da sua trajetória no carnaval e do seu trabalho, que vem ganhando destaque no mundo do samba e também fora dele.

“MUSA DO SAMBA, DA COSTURA E DOS BORDADOS”

Apesar do trabalho no Ateliê Brasil ser recente, as costuras de sua dona, Fernanda Brasil, já começaram há alguns anos antes. Ainda na adolescência, já Fernanda fazia costuras. Primeiro de forma manual e depois com a máquina. “A modelagem, o corte, sempre me chamaram atenção. Até hoje.”, conta Fernanda, que com sua entrada no carnaval, começou a criar suas próprias roupas.


Mas engana-se quem acredita que a madrinha da bateria já chegou no samba como musa. “Estreei no carnaval como porta-estandarte mirim, na escola Flor de Liz, em Viamão”, revela. Chegou nos Bambas em 2003, como cabrocha. Teve passagens por Império da Zona Norte e Imperatriz Dona Leopoldina, até retornar para sua escola do coração em 2013.

E foi justamente nos Bambas que seu talento cresceu ainda mais. Fernanda já fazia roupas para alguns destaques do carnaval, até que um vestido de festa feito por ela chamou atenção “da massa”. “Era um vestido azul, que usei no baile da Trinca. Depois disso, não parei mais de fazer roupas”, afirma Fernanda, que ficou responsável por fazer todas as roupas do grupo show dos Bambas, no lançamento do carnaval 2014. “Foi um desafio”.

Foi com os Bambas que Fernanda estreou fazendo fantasias para a avenida. Algumas das fantasias que cruzaram a passarela em 2014, como da comissão de frente, por exemplo, saíram de seu ateliê.

Adepta ao ineditismo em suas criações, Fernanda sempre procura dar uns toques naqueles que desejam roupas/fantasias muito parecidas com de personalidades do carnaval do centro do país. “A gente sempre pode dar uma mudada aqui, outra ali, para nunca ficar igual.” Além do trabalho com a costura, Fernanda também realiza bordados e decoração de peças, como cabeças, bustos, etc.

Perguntada sobre qual a mudança mais visível que ela percebeu na evolução das roupas de show no nosso carnaval, Fernanda é categórica: “A frente de bateria (rainhas, madrinhas) ficaram mais vestidas, enquanto pavilhões estão ousando mais nas roupas. Houve uma pequena inversão.”

O trabalho no Ateliê Brasil não é apenas para o carnaval. Roupas de festa também são confeccionadas no local, como vestidos de debutantes e o marcante de noiva.


Para 2015, o trabalho no ateliê segue a todo vapor. Além do carnaval, roupas para festas de 15 anos e bailes por aí a fora lotam a agenda da destaque, que concilia tudo isso com sua função de madrinha da bateria. “É difícil, mas ao mesmo tempo, é muito prazeroso”, revela Fernanda, que vai para o seu 3º ano à frente da bateria dos Bambas da Orgia, o segundo consecutivo como madrinha.

Na terceira reportagem da série, meu encontro será com um dos artistas do arame, também responsável por belíssimas criações que passaram na avenida: Larte Myra.

Abraço pessoal! Até a próxima!