terça-feira, 24 de junho de 2014

Um cantor vira solista, intérprete e puxador...


Esta edição da série Ouvindo Histórias trará alguns personagens esquecidos pelo carnaval. Vou fazer algumas investidas em Histórias que a nossa História não conta, mas que foram importantes e que fizeram parte da construção do nosso carnaval. São Leopoldo, terra conhecida como o “Berço da Colonização Alemã”, é tida e havida como berço de muitos sambistas. Prova é que diversos carnavalescos de ontem e de hoje são oriundos desta cidade.

Um pouco de História... É no final dos anos 50 que surgem na cidade dois importantes blocos, que entremearam a fase do carnaval de salão para o carnaval de rua. Foram fundados dentro das duas Sociedades mais importantes de São Leopoldo: na Sociedade Orpheu, surge o bloco vermelho e branco: Os Cobras. Na Sociedade Ginástica, o bloco azul e branco Os Dragões, que além de abrilhantar o carnaval de São Leopoldo, traçariam uma disputa de muitas décadas, inclusive na participação do carnaval fora da cidade, pois competiram nos campeonatos estaduais promovidos pela EPATUR de Porto Alegre na Avenida Borges de Medeiros, marcando definitivamente outra “era” do carnaval, e, inclusive inspirando outros blocos e também inovando nos desfiles e nas disputas do carnaval.

Cauby Peixoto e o prefeito de Porto Alegre Telmo Thompson Flores. Fonte Arci Rodrigues.

Ouvi Histórias dos dois lados, tanto dos vermelhos, Os Cobras, quanto dos azuis, Os Dragões. Arci Rodrigues me contou diversas destas histórias, das quais poderia escrever diversas páginas. Uma delas é da inusitada história sobre a vinda de um “solista” de renome nacional para ser o “puxador” do Bloco de Os Cobras.

O ano era 1971, e o bloco tinha por solista o Jaguarão, um portoalegrense tido como um dos melhores de sua época, por sua firmeza na hora de solar as músicas e sambas. Nesta época, a disputa carnavalesca estava firmada em Porto Alegre, onde o bloco carnavalesco investia toda a sua energia no disputado concurso estadual de blocos carnavalescos. Acontece que neste mesmo ano de 1971, o bloco “Pra que Tristeza”, do Gandoleiros, leva o puxador Jaguarão para “puxar” seus sambas, deixando desfalcado “Os Cobras”.


Ocasiona então uma grande tristeza entre os membros do bloco leopoldense. Seus dirigentes ficaram abatidos e puseram-se a pensar, como reverter aquela situação... tiveram a ideia, a de contratar um cantor bem famoso! Pensaram no Caubi Peixoto. Mas será que aceitaria? Fizeram o convite e para a alegria e surpresa de todos, ele aceitou! Foi um sucesso estrondoso a contratação e a sua passagem foi marcada por títulos em São Leopoldo e em Porto Alegre.